<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-12157323</id><updated>2011-04-21T18:51:47.671-07:00</updated><title type='text'>Reciclagem</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://idiossincrasiaspoeticas.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12157323/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://idiossincrasiaspoeticas.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Reciclagem</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11740487964330304087</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>79</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12157323.post-112161279347171262</id><published>2005-07-17T08:04:00.000-07:00</published><updated>2005-07-17T08:06:33.476-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#3366ff;"&gt;SEVERINA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ridículo...&lt;br /&gt;Como um amante não correspondido&lt;br /&gt;Ele defina!&lt;br /&gt;Ridículo...&lt;br /&gt;Como um bêbado falando coisa nenhuma&lt;br /&gt;Ele alucina!&lt;br /&gt;Ridículo...&lt;br /&gt;Como um samba dançado em ritmo de bolero&lt;br /&gt;Ele declina!&lt;br /&gt;Ridículo...&lt;br /&gt;Como um carteiro que lê a correspondência alheia&lt;br /&gt;Ele bolina!&lt;br /&gt;Ridículo...&lt;br /&gt;Como o atravessador que onera o alimento do homem&lt;br /&gt;Ele assassina!&lt;br /&gt;Ridículo...&lt;br /&gt;Meu peito dilacerado vaticina:&lt;br /&gt;Vendo a alma ao Diabo que se fascina&lt;br /&gt;Com os poderes lá do alto da cidade sem esquina&lt;br /&gt;Fincou uma estaca no meu orgulho sem qualquer paliativo ou morfina&lt;br /&gt;Visto roupa de palhaço pra alegrar minha angústia, construo uma imagem na minha retina&lt;br /&gt;E espio pela janela da imaginação meu país que se ilumina&lt;br /&gt;meu povo alimentado e sem medo de chacina&lt;br /&gt;minha cultura respeitada sem nem saber o que é propina&lt;br /&gt;minha Bandeira  com “Ordem e Progresso” que em seu seio assina&lt;br /&gt;agitada, afogueada, como uma mulher bem amada e com alma feminina&lt;br /&gt;voando vento ameno nesse continente sereno como colorida pipa que uma criança empina!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O meu nome? Está na CPI do céu, DEUS é quem por mim assina&lt;br /&gt;Não sei porque, mas Ele mesmo me deu o nome de Severina&lt;br /&gt;Deve ser porque uniu tudo do que significa ter uma “severa sina”&lt;br /&gt;Mas sou brasileira, rocha dura e esperançosa da sorte que a mim destina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Edi Longo,&lt;br /&gt;SBAT 030899&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12157323-112161279347171262?l=idiossincrasiaspoeticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://idiossincrasiaspoeticas.blogspot.com/feeds/112161279347171262/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12157323&amp;postID=112161279347171262' title='7 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12157323/posts/default/112161279347171262'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12157323/posts/default/112161279347171262'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://idiossincrasiaspoeticas.blogspot.com/2005/07/severina-ridculo.html' title=''/><author><name>Reciclagem</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11740487964330304087</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12157323.post-112161262348031501</id><published>2005-07-17T08:02:00.000-07:00</published><updated>2005-07-17T08:03:43.490-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;em&gt;&lt;span style="color:#3366ff;"&gt;&lt;strong&gt;UM PAÍS CHAMADO PAZ!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Descobriram-me? Eu nunca estive coberto!&lt;br /&gt;Corria moleque nu pelos meus verdes pastos&lt;br /&gt;Bebia de minhas águas fartas e dela comia meu peixe&lt;br /&gt;Não pedi nada a ninguém, esqueçam-me e me deixem!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acharam-me? Eu não estava perdido!&lt;br /&gt;Hoje sim, eu estou, não sei onde mais me encontro&lt;br /&gt;Vago trôpego e me sinto afogando em areia movediça&lt;br /&gt;Estupraram meu corpo, botaram-me alma postiça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nominaram-me? Eu tenho um nome próprio!&lt;br /&gt;Uma marca feita à mão pela minha própria natureza&lt;br /&gt;Sou um gigante liberto, pássaro em vôo rasante&lt;br /&gt;PAZ é o meu nome e só isso já é o bastante&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Colonizaram-me? Eu sou um continente!&lt;br /&gt;Sugaram minha entranha, tirando dela riquezas&lt;br /&gt;Rasgaram minha pele, rasparam minha cabeça&lt;br /&gt;Afastem-se de mim antes que eu apodreça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Catequizaram-me? Eu tenho minha cultura!&lt;br /&gt;Não quero nada de ninguém, apenas o que é meu&lt;br /&gt;Minha honra, minha hegemonia, tudo claro, nada oculto&lt;br /&gt;Não preciso de heróis, muito menos de um corrupto!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Domesticaram-me? Eu não me deixo dobrar!&lt;br /&gt;Sou maior do que vocês, súcia, ladrões, mentirosos&lt;br /&gt;Filhos que dizem me amar enquanto me dilaceram&lt;br /&gt;Comendo o pão dos irmãos que famintos adoeceram&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Modernizaram-me? Não quero ser apenas uma máquina!&lt;br /&gt;Quero meus primeiros filhos, puros e sem falhas de caráter&lt;br /&gt;Quero a igualdade pra todos, nem precisam mais me amar&lt;br /&gt;Os que me amam saberão o quanto posso lhes dar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Politizaram-me? Eu tenho minhas próprias leis!&lt;br /&gt;Quero meus filhos nus e sem bolsos pra nada esconder&lt;br /&gt;Quero meu corpo de matas e rios e fauna e flora&lt;br /&gt;Não preciso de vocês, me deixem e vão embora!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Edi Longo,&lt;br /&gt;SBAT 030899&lt;br /&gt; &lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12157323-112161262348031501?l=idiossincrasiaspoeticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://idiossincrasiaspoeticas.blogspot.com/feeds/112161262348031501/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12157323&amp;postID=112161262348031501' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12157323/posts/default/112161262348031501'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12157323/posts/default/112161262348031501'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://idiossincrasiaspoeticas.blogspot.com/2005/07/um-pas-chamado-paz-descobriram-me-eu.html' title=''/><author><name>Reciclagem</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11740487964330304087</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12157323.post-111947154749928519</id><published>2005-06-22T13:01:00.000-07:00</published><updated>2005-06-22T13:22:46.283-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;BAH, CHE!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O calor estava sufocante. Entramos com desconfiança no avião. Procedência Russa. Bem, mas estávamos voltando. Olhei mais uma vez aquela paisagem: linda! Escutei com desinteresse o papo dos amigos de trás: a mesma coisa...falavam do furação Ivã, o terrível, que estaria se aproximando da costa cubana. Falavam com tanta displicência! E com tanto alívio por não estarem mais lá! Pensei no problema que aquilo traria para aquela gente já tão sofrida. Segurei-me para não brigar com Deus, como sempre faço diante de injustiças, mas como já estava tão perto Dele, implorei que os ajudasse. Recostei-me, relaxei e...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;“-Quem é você?&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;-Não me reconhece? Bisbilhotou tanto o Museu que pensei, sinceramente, reconhecer-me-ia no ato. Tirou até uma foto comigo e com o Camilo Cienfuegos! E está vestindo uma camiseta com a minha cara!&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Meus Deus, eu estava diante do Che! O próprio. Ernesto Guevara de la Serna. O Che!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;-Ora, foi muito bom eu encontrar você, amigo. Essa camiseta com sua cara é apenas um pequeno “recuerdo” de viagem. Tenho dúvidas mais profundas sobre tudo o que vi. Por falar em ver...Viu o que a tal Revolução fez ao povo cubano? O que adianta terem hospitais, terem escolas, terem um par de asas os agasalhando, se não têm liberdade para voar?Parece que todo mundo tem medo de um Bicho papão.&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;br /&gt;-Acho que você não entendeu nada. E, o mais incrível, é que acabou de sair de uma ditadura militar. Que insensibilidade! Não podemos abaixar a cabeça para os abusos, temos que cultivar o ódio para combater o ódio, somente assim os combatentes se tornam fortes para vencer.&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;-Por que não semear o amor como exemplo para conseguir o mesmo amor, cabron? Não precisamos pegar em nenhum fuzil. Nunca ouviu falar de Gandhi? Na nossa bandeira, lê-se claramente: ORDEM E PROGRESSO, não: ESTUDO, TRABALHO E...FUZIL! Fuzil numa bandeira? Uma praça com o nome: das ARMAS? Isso incita à violência, não acha?&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;br /&gt;-E como você acha que combateríamos Batista e seus asseclas? Iríamos jogar palavras bonitas em cima de um soldado armado? Fizemos isso e não deu certo. É muito fácil apenas falar. Não se faz uma Revolução apenas com palavras, mas com armas. O ditador só entende essa linguagem: o cheiro da pólvora.&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;br /&gt;-Concordo. O nosso ditador Getúlio também a usou, mas a última vez, foi contra si mesmo para entrar para a história. Sei que antes de usá-lo em si, usou muito em outros. Bem...Para tomar conta da situação. Mas, vocês, depois que conseguiram tomar conta da situação, o que fizeram? Por que não procuraram instaurar no país uma democracia? Acha que era suficiente chegar diante de um povo molambento e perguntar: O que querem que façamos? Querem que coloquemos no paredão os traidores da Pátria? Você acha que esse povo assim inflamado iria responder o quê? Naquele momento, o povo colocaria Fidel no poder, homem. Eles não tinham em quem se segurar. Mas parece que o próprio Fidel adorou o poder e o tomou literalmente nas mãos, exercendo-o até hoje. Aquilo para mim, hoje parece a Revolução de um homem só.&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;br /&gt;-Naquele momento, precisávamos organizar tudo. Precisávamos de hospitais, precisávamos de escolas, de comida. Se não nos mantivéssemos fortes, fatalmente, iriam nos derrotar e tomariam novamente conta da situação. Não está lembrada do episódio em que os norte-americanos tentaram tomar a baía dos Porcos? Se não reagíssemos daquela forma, tudo teria sido em vão. O nosso sofrimento a bordo do Granma. O sofrimento em Sierra Maestra. Você não entende porque viu tudo em filme, em fotos, em Museu, em escritos, em palavras. Pare! Coloque-se em nosso lugar.&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;br /&gt;-Mas já se passaram quarenta e cinco anos, Che! Por que Fidel não preparou esse povo para escolher um outro dirigente? Ah! É bem mais fácil disseminar uma propaganda absolutamente comunista, né? No abecedário das crianças só deve ter a letra C (de Cuba, Comunismo, Carência, Calados...); crianças essas que hoje já têm em média 40 anos de idade. Que nunca saíram dos limites da ilha e, os que tiveram licença para sair só o faziam para ir à URSS, para serem mais massacrados de propaganda. Outros mais ousados, tentavam fugir em barcos mal preparados e quando não eram recapturados, morriam afogados. Crianças que nunca conheceram outra coisa além de suas próprias idiossincrasias, que até eram proibidas de sonhar, pois não adianta ter sonhos irrealizáveis, porque para isso precisa-se de liberdade.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;-Mas o que adianta ter liberdade se não se tem condições para tê-la? Fomos embargados pelos EUA, fomos cercados como animais dentro de um chiqueiro. Se eles pudessem, tornar-nos-iam novamente o seu quintal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Claro que conheço todos os problemas que sofreram depois da Revolução, Che, mas...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-No seu país, vocês comem liberdade? O que adianta a liberdade se muitos de vocês vivem na rua; se muitos reviram lixos; se muitos morrem antes mesmo de nascer; se velhos têm que continuar trabalhando porque a parca aposentadoria mal dá para comer; se muitos não sabem também o que é liberdade, pois não sabem nem escrever? Acha que liberdade é apenas o ato de ir e vir? Ir para onde, vir de onde? Ir para qual viaduto? Vir de qual esgoto imundo?”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;Aqui, precisei de um fôlego. Lembrei instintivamente, que alguns de nós matam até os moradores de rua e senti um calafrio. Estamos em plena guerrilha urbana! Mas, podíamos cobrar de quem escolhêssemos...bem, de qualquer forma, acho que os noticiários não chegam lá em cima. Ainda bem!&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;br /&gt;-Sempre o mesmo velho discurso. A URSS quebrou, camarada. Partiu-se em mil pedaços como um cristal vagabundo. Já foi comprovado que a Teoria Marxista-Leninista é apenas um amontoado de sonhos.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;-Que não deram certo, por causa de pessoas incrédulas como você, que têm medo de se molhar, preferem ficar eternamente embaixo de um aconchegante guarda-chuva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Claro que abomino o consumismo imperante no Capitalismo, mas depende de cada um de nós saber como administrar a própria casa, sem qualquer fuzil nos obrigando a fazer do modo que ele acha certo. Nossa cidadania é soberana. Ninguém invade nossas mentes, aí está a LIBERDADE. Nós podemos pensar livres e transmitir tudo, educando nossos filhos através de exemplos. E optamos por nossos dirigentes. Muitos outros países se abriram para vocês. Vi investimentos canadenses, vi investimentos espanhóis, deixa disso. O que acontece é que Fidel fez uma lavagem cerebral em Cuba e...Valeu a pena?”&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Acordei com um solavanco. A voz da aeromoça anunciava: “Chegamos a São Paulo!” Ai, agora quem sentia alívio era eu!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A voz de Che batia insistentemente na minha cabeça como uma cefaléia intermitente: &lt;em&gt;“Ir para onde? Vir de onde?”&lt;/em&gt; Lembrei-me de Berta, nossa guia em Havana. Parecia orgulhosa da Revolução. Seus olhos brilhavam quando falava de Jose Marti, poeta brilhante e revolucionário apaixonado. Ela tinha estado na Bulgária, fazendo estágio. Era uma enciclopédia ambulante da história de seu país. Em compensação, lembrei-me do vendedor de cocos em Cayo Largo, que ao ser questionado por mim se se sentia feliz com a situação política, disse-me com um olhar meio desconfiado: temos tudo, mas...não temos liberdade, tudo é proibido! Essa incoerência ficara martelando a minha consciência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na verdade, aquela ilha é tão pequena e desprotegida! Apesar de todo aquele mar lindo que a circunda, ela é carente de água potável impossibilitando as policulturas agrônomas. Na verdade, ela necessita do produto de outros países. Do petróleo, do investimento, de tudo. Que pena que a Cuba dos sonhos de Che não tenha se concretizado. A Cuba Libre que hoje se tornou apenas uma bebida para turista ansioso de novidades. Saúde, cabron! A Cuba dos seus sonhos seria até covardia. Os anjos iriam querer morar ali.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sorri internamente. Aquele homem foi um herói não só lá, mas em lugares onde o humano era oprimido. Che é apenas e tão somente um defensor dos mais necessitados. Abdicou tudo que Cuba lhe deu para acolher outras lutas. Era um sonhador corajoso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acho que o entendi. Nunca suportei o julgo do homem sobre outro homem. Nunca! Por isso eu sempre o admirei mais do que a Fidel. Acho que se fosse ele que tivesse ficado no governo de Cuba...Mas, por outro lado, ele era um estrangeiro. Vivo, acho que hoje ele estaria decepcionando parte do povo como o seu amigo Fidel. Vai se saber. Morto, virou um ícone! Lutara por povos que não eram seus! Passei a mão no peito, afagando a camiseta com a típica estampa do Che e lembrei da frase ao lado dela lá no Ministério das Indústrias, na praça da Revolução: Hasta la vitória siempre! Ainda retruquei, sorrindo: À vitória da liberdade, cabron, siempre!&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Chegamos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda me questionei: será que eu teria esse desprendimento? Será que brigaria por outro povo que não fosse o brasileiro? Recolhi as minhas bagagens de mão e, tive que me segurar para não dar uma de Papa e beijar o chão.&lt;br /&gt;Em casa, liguei o computador e resolvi fazer a minha revolução particular, apenas com palavras...só palavras, como uma oração, quem sabe Deus não me ouvirá?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que Ele proteja todo o nosso Planeta Azul do julgo daqueles que se julgam donos de outrem!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Né Fidel, né Bush?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bah, Che! &lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12157323-111947154749928519?l=idiossincrasiaspoeticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://idiossincrasiaspoeticas.blogspot.com/feeds/111947154749928519/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12157323&amp;postID=111947154749928519' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12157323/posts/default/111947154749928519'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12157323/posts/default/111947154749928519'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://idiossincrasiaspoeticas.blogspot.com/2005/06/bah-che-o-calor-estava-sufocante.html' title=''/><author><name>Reciclagem</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11740487964330304087</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12157323.post-111928007491856921</id><published>2005-06-20T08:06:00.000-07:00</published><updated>2005-06-20T08:07:54.926-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt; &lt;strong&gt;A SOCIOPATA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;--A Teodoro, por favor?&lt;br /&gt;--Também te adoro, meu amor!&lt;br /&gt;Pronto. Minha noite tinha começado. Sabia que ia dar nisso. O engraçadinho do carro ao lado, saiu gargalhando e sem dar a informação.  Que vontade de voltar pra casa.  Ademais, em pleno verão, qualquer lugar deve ter aquele cheiro execrável de suor, cigarros e bebida no ar. Por outro lado, se fosse inverno, teria o cheiro de naftalina. A humanidade fede. Deus deve estar cansado dela e com razão. Daí os tsunamis, os terremotos, as epidemias. A volta ao caos para uma nova criação. Como se Ele pegasse o seu pincel e lambuzasse a tela, confundindo tudo.&lt;br /&gt;Ah, cheguei sozinha à Teodoro. Agora é só virar a Mourato e cair nos braços notívagos da Vila Madalena. Que coisa mais besta, alguém comemorar aniversário em barzinho e ainda cada convidado que pague a sua consumação. No mínimo, vou gastar o dinheiro de um bom livro sobre contabilidade e economia. Aliás, que coisa mais besta alguém perder uma boa noite de sono só porque é sábado. Pra mim, sábado é dia de chinelão, pijama e solidão. No máximo, um filme de terror acompanhado de uma água tônica gasificada e um saco de soníferos para depois.&lt;br /&gt;Mas, o que dizer na segunda? Tem-se que ter algo pra se falar. Por que? Odeio festas, odeio aglomerados, odeio gente. E se de repente, encontrar o chato da informação? Com certeza deve ser amigo do desgraçado que me convidou. Já imagino a cena: vai me reconhecer e contar pra todo mundo a brincadeira que fez. &lt;br /&gt;Mas o aniversariante é o Chefe da Seção. Ai, meu Deus, vou ter que dar aqueles dois beijinhos de parabéns e sentir aquele cheiro de lavanda barata. Aposto que não vai nem olhar para a gravata que comprei. Já estou vendo a coitada servindo de coleirinha de cachorro. Arre! Odeio animais. Não entendo como alguém os levam para casa e às vezes, deixam até dormir na própria cama!&lt;br /&gt;A chata da Mariana vai estar lá com certeza. Olhando-me de cima a baixo, cochichando com a Bete que vai chamar a Cris, que corre para a Laura e todas farão uma tese de doutoramento sobre a minha roupa que não combina em nada.&lt;br /&gt;O que vou falar se alguém se aproximar? Detesto falar. Principalmente, nestes lugares onde você não fala, você berra. Vou ter uma faringite, com certeza. O que vou fazer se alguém me convidar pra dançar? Detesto dançar. E aposto que são aquelas músicas que parecem um exorcismo. Vou torcer o tornozelo.&lt;br /&gt;Cheguei. Quanta gente! Quantos risos, quanto fingimento. Ninguém pode estar feliz num lugar assim. Não, definitivamente, não! Mil vezes não! Está decidido.&lt;br /&gt;Vou pra casa ficar aguardando ansiosamente a musiquinha de encerramento do Fantástico e dormir sonhando com a sinfonia paulistana do Billy, segunda: “vão bora,vão bora, tá na hora”. Ah, e a voz melodiosa e repetitiva da Pan: “em São Paulo, sete horas”. Que felicidade!  Se alguém perguntar porque não fui, ora... Como sempre estive viajando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Edi Longo.&lt;br /&gt;SP., 22/02/05&lt;br /&gt;  &lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12157323-111928007491856921?l=idiossincrasiaspoeticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://idiossincrasiaspoeticas.blogspot.com/feeds/111928007491856921/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12157323&amp;postID=111928007491856921' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12157323/posts/default/111928007491856921'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12157323/posts/default/111928007491856921'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://idiossincrasiaspoeticas.blogspot.com/2005/06/sociopata-teodoro-por-favor-tambm-te.html' title=''/><author><name>Reciclagem</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11740487964330304087</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12157323.post-111817062082222712</id><published>2005-06-07T11:54:00.000-07:00</published><updated>2005-06-07T12:29:19.516-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#3366ff;"&gt;Brincando nos corredores da vida&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;em&gt;(Prô Claudio-o pai, companheiro de brincadeira&lt;br /&gt;e sempre amigo)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escondida atrás da porta ri ao ver o meu retrato&lt;br /&gt;estampado na parede de minh’alma amarelinha&lt;br /&gt;cheguei na casa do céu numa rápida corridinha&lt;br /&gt;meu coração pulava corda batendo desrritmado&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jogando bola queimada esbarrei num garotão&lt;br /&gt;quis jogar xadrez comigo, preferi um pega-pega&lt;br /&gt;perdeu-se então de amores no jogo de sedução&lt;br /&gt;unidos curamos os tombos levados do escorrega&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muitos prazeres tivemos ao subir no carrossel&lt;br /&gt;os cavalinhos rodavam e a gente comia pipoca&lt;br /&gt;ouvindo Chico cantando e nos levando ao céu&lt;br /&gt;esquecendo a roda-viva que a rotina provoca&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saindo da faculdade, brincávamos de “adivinha?”.&lt;br /&gt;um dava o tom de uma música, outro dava a letra&lt;br /&gt;oh! Doce castigo: era um beijo e outra batidinha&lt;br /&gt;feita no “Rei das Batidas” que abençoava a treta&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A grana era sempre curta e tudo ia prô: aí, pindura!&lt;br /&gt;Acabava-se tudo em piadas, falando mal do governo&lt;br /&gt;poesias feitas às pressas eram escondidas da criatura&lt;br /&gt;com disfarce tão ridículo que jogávamos sons à ermo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Resolvemos brincar um dia de médico e enfermeira&lt;br /&gt;trocamos alianças jurando amores eternos no anelar&lt;br /&gt;numa palavra cruzada brincamos de nos multiplicar&lt;br /&gt;jogamos esperma no óvulo, brincamos de trepadeira&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E assim quando nós vimos brincávamos de reaprender&lt;br /&gt;a vida que é a brincadeira com nossos filhos a ensinar&lt;br /&gt;os pais só aprendem a crescer, quando têm que receber&lt;br /&gt;os resultados das brincadeiras que viveram a praticar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora as brincadeiras são mais calmas, mais amenas&lt;br /&gt;tornamo-nos reis, rainhas, damas e valetes sem medo&lt;br /&gt;dados são ainda jogados, com menos riscos apenas&lt;br /&gt;a vida tem um corredor? Oba, faremos dela brinquedo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A bengala servirá de ajuda pro pé-na-lata&lt;br /&gt;a cadeira servirá de carrinho de rolemã&lt;br /&gt;assim,  brincando ainda na curva da estrada&lt;br /&gt;chegaremos ao final brincando até de manhã!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Edi Longo,&lt;br /&gt;SBAT 030899&lt;br /&gt; &lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12157323-111817062082222712?l=idiossincrasiaspoeticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://idiossincrasiaspoeticas.blogspot.com/feeds/111817062082222712/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12157323&amp;postID=111817062082222712' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12157323/posts/default/111817062082222712'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12157323/posts/default/111817062082222712'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://idiossincrasiaspoeticas.blogspot.com/2005/06/brincando-nos-corredores-da-vida-pr.html' title=''/><author><name>Reciclagem</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11740487964330304087</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12157323.post-111645006364267393</id><published>2005-05-18T13:56:00.000-07:00</published><updated>2005-05-21T07:36:39.330-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;strong&gt;POLÍTICA DA BOA VIZINHANÇA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não peço nada a ninguém nem à vida&lt;br /&gt;ela que me dê o que acha que mereço&lt;br /&gt;quando recebo uma graça merecida&lt;br /&gt;apenas a quem me enviou eu agradeço&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;prô amigo e prô inimigo todo dia eu peço&lt;br /&gt;em dobro tudo o que a mim desejar&lt;br /&gt;e “meu” Deus que mande, isso eu meço&lt;br /&gt;se for bom ou ruim foi Ele, não eu a revidar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Faço só aquilo que a ninguém prejudique&lt;br /&gt;coloco em minha face antes de dar o tapa&lt;br /&gt;dor, angústia, vergonha e tudo o que fabrique&lt;br /&gt;problemas pra quem na vida é o meu comparsa&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se não puder ajudar, também não atrapalho&lt;br /&gt;se não souber aconselhar, silencio e não falo&lt;br /&gt;acho que assim sigo sem ter o trabalho&lt;br /&gt;de me desculpar se pisar n’algum calo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se não sabemos fazer, pra que fazê-lo?&lt;br /&gt;Deixemos que outros façam melhor por nós&lt;br /&gt;insubstituíveis não somos, esse é o segredo&lt;br /&gt;da boa política pra não estarmos sós&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando não sei algo, pergunto humilde&lt;br /&gt;o mundo é tão vasto pra se conhecer tudo&lt;br /&gt;outros sabem mais e sem qualquer melindre&lt;br /&gt;aprendo com a vida que é o meu estudo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Às vezes, claro, como qualquer humano&lt;br /&gt;dúvidas me abatem, coisas do cotidiano&lt;br /&gt;bebo filosofias com um ardor freudiano&lt;br /&gt;brigo com “meu” Deus num diálogo profano&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;quando do “meu” Deus falo, eu faço questão&lt;br /&gt;de sempre colocar pronome possessivo&lt;br /&gt;pois alguém pode achar, com toda razão&lt;br /&gt;que seu Deus é outro, muito mais passivo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O meu é intempestivo, um amigo íntimo&lt;br /&gt;que como todo amigo, sempre está brigando&lt;br /&gt;se piso na bola, fica mudo e num gesto ínfimo&lt;br /&gt;nunca me responde, sempre me xingando&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E desta forma a gente vai vivendo&lt;br /&gt;eu preciso Dele, Ele me consola&lt;br /&gt;Ele não precisa de mim, mas vive me dizendo:&lt;br /&gt;aprenda com a vida que é a grande escola&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem vaidade vou meu mar singrando&lt;br /&gt;meu barco é à vela e depende do vento&lt;br /&gt;quando ele falha, ouve meu lamento&lt;br /&gt;põe-me novamente na rota e no comando&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A única coisa que a mim me importa&lt;br /&gt;é ver meu semelhante feliz e completo&lt;br /&gt;pois assim não vem bater à minha porta&lt;br /&gt;entristecendo meu ego que quero liberto&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;quero dividir alegria, não uma esmola&lt;br /&gt;quero plantar sementes, não secar um tronco&lt;br /&gt;quero elo de mãos, não grilhões que esfola&lt;br /&gt;quero disparar na vida, não parar num tranco&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;quero fantasias, gente bem nutrida&lt;br /&gt;quero cara limpa, não cara pintada&lt;br /&gt;quero político sério, não massa falida&lt;br /&gt;quero fome nula, não a zero oficializada&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ah, “meu”amigo Deus, por que não escreve certo?&lt;br /&gt;Nossas linhas são paralelas, não são linhas tortas&lt;br /&gt;estamos na mesma casa sem tramelas e sem portas&lt;br /&gt;indefesos humanos com braços abertos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pra colher, pra aprender, pra receber, apenas homem&lt;br /&gt;não somos cristos, nem pretendemos sê-lo&lt;br /&gt;numa cruz gritaríamos, sujando Seu nome&lt;br /&gt;apenas ouça meu covarde apelo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só queria que todos meus vizinhos planetários&lt;br /&gt;vivessem com as mesmas benesses que tenho&lt;br /&gt;sou apenas um ser que em sonhos solitários&lt;br /&gt;almeja pra todos melhor desempenho&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sonha acordada que não há mais guerra&lt;br /&gt;o Planeta não está dividido em nação&lt;br /&gt;apenas humanos usando essa Terra&lt;br /&gt;vivendo em paz e em total comunhão&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;imagino todo mundo tendo tudo:&lt;br /&gt;trabalho, saúde, lazer, educação&lt;br /&gt;os jovens crescendo e, sobretudo&lt;br /&gt;gozando os privilégios da ilusão!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os adultos podendo legar aos filhos&lt;br /&gt;tudo possível com o máximo conforto&lt;br /&gt;pegando sem perigo um trem sobre os trilhos&lt;br /&gt;Sem quaisquer reveses ou caminho torto&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E quando velhos, que olhem pra trás&lt;br /&gt;dormindo tranqüilos seus corpos cansados&lt;br /&gt;não pobres mendigos carregando cartaz&lt;br /&gt;qu’alguns hoje vestem com olhos magoados&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E ver as crianças, seus netos chegando&lt;br /&gt;esperando da vida o que sabem que vem&lt;br /&gt;não decepcionados, sempre e quando&lt;br /&gt;a vida lhes joga uma moeda com desdém&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E assim, cumprindo o nosso percurso&lt;br /&gt;completando nossa mais fantástica viagem&lt;br /&gt;com diplomacia e pouco concurso&lt;br /&gt;deixamos a visão dessa nossa estalagem&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pra viver tão pouco se é necessário&lt;br /&gt;fixo “mens sanna in corpore sanno”&lt;br /&gt;na porta do meu pobre e podre armário&lt;br /&gt;que veste minh!alma como qualquer pano&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;acabamos todo mundo do mesmo jeito&lt;br /&gt;na mais passiva e fria horizontalidade&lt;br /&gt;pra que querer ser mais que um sujeito&lt;br /&gt;se precisamos sempre da adjetividade&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;que nos classifica de bom ou ruim&lt;br /&gt;dependendo dos verbos acionados&lt;br /&gt;somos simples objetos com um fim&lt;br /&gt;pela morte seremos todos nivelados&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pra viver só se precisa vida, isso é lei!&lt;br /&gt;ter vida só se precisa saber viver - Ei!&lt;br /&gt;Pra que a vida complicar, querer ser rei?&lt;br /&gt;“Amai-vos uns aos outros, como Eu vos amei”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;EDI LONGO,&lt;br /&gt;Antes e de qualquer coisa, gente.&lt;br /&gt;SBAT 030899&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12157323-111645006364267393?l=idiossincrasiaspoeticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://idiossincrasiaspoeticas.blogspot.com/feeds/111645006364267393/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12157323&amp;postID=111645006364267393' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12157323/posts/default/111645006364267393'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12157323/posts/default/111645006364267393'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://idiossincrasiaspoeticas.blogspot.com/2005/05/poltica-da-boa-vizinhana-no-peo-nada.html' title=''/><author><name>Reciclagem</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11740487964330304087</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12157323.post-111592069654147739</id><published>2005-05-12T10:48:00.000-07:00</published><updated>2005-05-12T10:58:16.546-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;strong&gt;A MISTERIOSA DAMA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olhei-a com pavor a princípio.&lt;br /&gt;Aqueles traços marcantes, aqueles olhos frios e penetrantes&lt;br /&gt;me rasgavam como um desafio.&lt;br /&gt;Fui descendo o olhar e seu colo me pareceu um infinito lugar onde se pode acolher,&lt;br /&gt;embora sem muito calor, uma multidão de filhos.&lt;br /&gt;Os seios pontudos e firmes me levaram, ludicamente, a um piquenique no pico do Jaraguá.&lt;br /&gt;Parei o olhar lascivo no seio esquerdo&lt;br /&gt;e lá estava o Masp pulsando como um coração ardente em plena Avenida.&lt;br /&gt;Quase num torpor alucinógeno, num sonho delirante, percorri seus braços nus&lt;br /&gt;e as veias transparentes me fizeram navegar no Pinheiros e Tietê.&lt;br /&gt;Tentei, honestamente, tentei desviar o olhar daqueles pelos tão íntimos&lt;br /&gt;como uma mata inexplorada,&lt;br /&gt;simbolizando a sua mais sensual maneira de receber seus hóspedes&lt;br /&gt;nas ensolaradas tardes do Ibirapuera.&lt;br /&gt;E ela continuava ali.&lt;br /&gt;Intrigante.&lt;br /&gt;Intrigando-me.&lt;br /&gt;Desviei o olhar, mas no meu pensamento continuei a desnudá-la, tentando entendê-la.&lt;br /&gt;Ela é tão elegante quantos os seus Jardins e ao mesmo tempo&lt;br /&gt;tão simples quanto os casebres de suas Vilas.&lt;br /&gt;Que sensualidade existe em sua boca noturnamente alucinante!&lt;br /&gt;Que vigor existe nas ações dos seus dias!&lt;br /&gt;E, depois de muito tentar, ela finalmente cedera.&lt;br /&gt;Eu a dominei, pois a compreendi:&lt;br /&gt;Ela é maternalmente mulher, pois acolhe muitos filhos.&lt;br /&gt;Ela é sedutoramente mulher, pois se dá pra todo mundo.&lt;br /&gt;Ela é misteriosamente mulher, pois se deixa conquistar.&lt;br /&gt;Ela é tão brasileiramente mulher, que somente no seu útero fecundo poderia&lt;br /&gt;acontecer a nossa Independência!&lt;br /&gt;E daqui, do topo deste apartamento onde dividimos nossas horas amantes,&lt;br /&gt;olho-a mais uma vez dormindo com sua respiração calma e profunda&lt;br /&gt;e percebo quanto a amo.&lt;br /&gt;São Paulo, a minha linda e misteriosa dama!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12157323-111592069654147739?l=idiossincrasiaspoeticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://idiossincrasiaspoeticas.blogspot.com/feeds/111592069654147739/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12157323&amp;postID=111592069654147739' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12157323/posts/default/111592069654147739'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12157323/posts/default/111592069654147739'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://idiossincrasiaspoeticas.blogspot.com/2005/05/misteriosa-dama-olhei-com-pavor.html' title=''/><author><name>Reciclagem</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11740487964330304087</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12157323.post-111590967823009018</id><published>2005-05-12T07:53:00.000-07:00</published><updated>2005-05-12T07:54:38.236-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#3366ff;"&gt;O ABORTO PERMITIDO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como seria a composição de um sujeito&lt;br /&gt;quando Deus no silêncio de seu atelier&lt;br /&gt;pincela com esmero e tinge o peito&lt;br /&gt;mas, borra-o, limpa e apaga esse ser?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Será que esse desenhado esboço&lt;br /&gt;pelas mãos divinas projetado&lt;br /&gt;merece acabar num calabouço&lt;br /&gt;no espaço escuro relegado?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Será que Deus comete algum equívoco&lt;br /&gt;quando lhe escapa das mãos um gameta?&lt;br /&gt;Ou será que nos testa e põe um crivo&lt;br /&gt;Como um perspicaz e sério estafeta&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E assim, na limpeza de seu quadro&lt;br /&gt;não estraga tinta boa numa tela&lt;br /&gt;redesenha outro ser na aquarela&lt;br /&gt;economizando seu bom e sacro barro&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e aquele que apagou ficou nas estrelas&lt;br /&gt;outro vem pra cumprir o seu papel&lt;br /&gt;vidas ruins, tem razão, melhor não tê-las&lt;br /&gt;melhor ser um ser perdido lá no céu&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E quando Deus se distrai o que acontece?&lt;br /&gt;Nasce um Nero, um Calígula ou um Hitler?&lt;br /&gt;Deus! Um calafrio acalanta minha prece&lt;br /&gt;devias ter apagado quem fez a pólvora e o rifle!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seria então considerado um aborto?&lt;br /&gt;Quais leis a Deus seriam impostas?&lt;br /&gt;Se desdesenhou e desdenhou um corpo&lt;br /&gt;caberá a quem é humano as respostas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como tudo a Deus é permitido&lt;br /&gt;espero que continue abortando&lt;br /&gt;qualquer facínora entre nós metido&lt;br /&gt;pro mundo continuar em paz girando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Edi Longo,&lt;br /&gt;SBAT 030899&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12157323-111590967823009018?l=idiossincrasiaspoeticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://idiossincrasiaspoeticas.blogspot.com/feeds/111590967823009018/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12157323&amp;postID=111590967823009018' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12157323/posts/default/111590967823009018'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12157323/posts/default/111590967823009018'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://idiossincrasiaspoeticas.blogspot.com/2005/05/o-aborto-permitido-como-seria-composio.html' title=''/><author><name>Reciclagem</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11740487964330304087</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12157323.post-111590831545083849</id><published>2005-05-12T07:29:00.000-07:00</published><updated>2005-05-12T07:31:55.463-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;GANÂNCIA E LUXÚRIA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O caminho feito pelo navio parecia um desenho de criança. O azul profundo era singrado pelas linhas tortas em branco. A gaivota se aproximou e colheu o pequeno pedaço de pão que ela jogou. Ficou observando aquele olhar absorto. Estaria pensando nos deuses e seus poderes?  Quem sabe não seria Atenas e aquele mar era o chafariz de suas lágrimas? Podia ser. Via rugas de preocupações em sua testa. Ela se voltou e ele desviou o olhar. Ela o fixou. Ele ficou cabisbaixo. Teria percebido? Era tímido e aquela viagem era um sonho de muito trabalho, de muitos anos. Voltou o olhar para o livro que estava fingindo ler.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;À noite, ela estava sentada à mesa com um homem. Não sabia bem porque, mas sentiu um peso no peito. Ela ria pra ele, ele acariciava a sua mão. Sentiu ciúmes. Em apenas três dias, aquele homem  já a conquistara! Sentiu-se o maior dos incompetentes! Viveria para sempre sozinho. Procurou se sentar o mais distante possível para observá-los como se fossem dois animais em exposição. Como ele era ridículo com aquele levantar de sobrancelhas “à lá Clark Gable”! Definitivamente, ridículo. Ela, bem...Indefinível! Riso com duas covinhas, olhos negros, sobrancelhas espessas, dentes brilhantes e branquíssimos como as ruas pintadas de&lt;br /&gt;Mikolos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ficou perdido entre a análise e a imaginação de saber o que faria com aquele monumento. Assustou-se quando sentiu uma pressão no seu ombro. Era ela! A cadeira ao lado estava vaga e ela se sentou. Ficou sem fôlego e apenas gaguejou:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;---Tudo bem?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;---Tudo. Por que não me paga um drink ao invés de ficar fazendo uma autópsia de mim?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;--- Desculpe. Não pensei que tivesse percebido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;--- Não poderia deixar de não perceber, tantas foram as vezes que me senti nua.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;---Desculpe, mais uma vez. Não quis ofendê-la. Perdão. Onde está seu companheiro?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;--- Companheiro?!? Mas...estou viajando sozinha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;--- Agora a pouco você estava acompanhada de...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;--- Desculpe, mas você é muito estranho. Estou viajando sozinha, já disse.&lt;br /&gt;Não quis insistir, mas tinha certeza que ela estava acompanhada. Fixou o lugar de onde viera e realmente, o homem não estava ali. Sentiu um tremor involuntário e mecanicamente a convidou para ir até ao convés.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A lua estava linda refletindo o prateado nas águas do Egeu. O céu bordado de estrelas, pensou quase rindo de sua definição tão vulgar. Sentiu-se ridículo tanto quanto o falso Clark Gable. Não sabia o que falar. Apenas pensava no homem que a estivera acompanhando ao jantar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;--- Então, o que faz?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;--- Sou médico. E você?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;---Ah! Agora entendo a perspicaz observação. Eu sou uma deusa. A do amor. Afrodite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;---Vamos, pare de brincar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;---Mas é verdade. Meu nome é Afrodite. Minha mãe é brasileira e meu pai é grego. Meus avós paternos moram em Rodes, a nossa próxima parada. Estou indo visitá-los.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;---Sim, mas qual...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;---A minha profissão? Já disse: vivo do amor. Gostei do nome e me dedico a ele de corpo e alma. Sou o que se chama no Brasil: uma garota de programa, ou mais especifica e friamente, uma puta. Mas vou avisando que estou de férias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;---Nem passou pela minha cabeça...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;---Passou. Sei reconhecer um cliente, meu caro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;---Não, juro que não. Claro que você é linda, mas jamais pensaria em ...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;---Pagar para amar?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;----E aquele homem que estava com você quem é? Não queira me convencer que não estava acompanhada, por favor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;---Não tenho a mínima idéia do que está falando, já disse que viajo sozinha e o que menos quero é um envolvimento com alguém, a não ser para fazer o que estamos fazendo: um gostoso papo, mesmo porque em férias, ninguém trabalha.&lt;br /&gt;Ficaram horas conversando. Ela, agora, parecia-lhe uma personagem de uma revista em quadrinhos. Desenhada. Era formada em psicologia, mas realmente preferia se prostituir. Tinha prazer em pertencer a muitos homens e ao mesmo tempo não pertencer a nenhum. Era seca nas suas colocações e achava a coisa mais natural do mundo a sua opção. Gostava do sexo pelo sexo e pelo dinheiro, mais nada.  Confessou que fazia sexo até com mulheres, desde que pagassem e bem, claro! Tinha uma cultura fantástica e todo o dinheiro que ganhava, gastava em viagens. E o dinheiro era o seu deus. Ele foi feito para o mercado, afirmava rindo e, deveria circular de mão em mão por isso ela o adorava. Adorava tudo o que o dinheiro podia lhe dar. Luxo, beleza. Confessou ter feito cinco plásticas. Gargalhando diante de seu ar perplexo, disse-lhe que apenas o rosto era dela, enquanto o tempo deixasse. O resto, era da medicina. Conhecia música brasileira como poucos  e tocava maravilhosamente um violão que foi buscar na cabine. A voz era límpida, apesar de fumar um cigarro após o outro e beber  uísque como se fosse água. Apesar da decepção, sentiu-se atraído ainda mais por ela. Despediram-se com um aperto de mão singelo e um "boa viagem", pois ficaria em Rodes no dia seguinte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não conseguia dormir, quando viu o dia estava clareando e já era hora do café da manhã, pois o navio atracaria em Rodes onde um ônibus levaria os turistas para um passeio. Sentia-se vazio, como se algo houvesse lhe escapado do peito. Não se lembrava de um dia ter estado tão triste. Procurou-a com os olhos e quase gritou quando a viu sentada com o mesmo homem da noite anterior rindo e se acariciando. Não se conteve e tentou se aproximar, mas o movimento das pessoas que procuravam o seu café nas bancadas expostas, impediram-no de chegar a tempo. Quando viu, a mesa onde ambos estavam, era um vazio cheio de interrogações e dúvidas. Apertou as mãos para se cientificar de que estava acordado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estava com os pensamentos revoltos e se pudesse, ficaria no navio, mas era norma todos saírem para que a limpeza fosse feita e, cabisbaixo, desceu as escadas. Sentou-se no banco do ônibus indicado pelo guia , estremecendo ao ouvi-la:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;---E então, o que está achando da viagem? Você vai adorar Rodes, apesar de que, cá entre nós, não conte nada aos historiadores, mas o tal colosso nunca existiu, sabia?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;---Parece que as coisas aqui são todas lendárias. Nunca existem! Onde está o tal homem?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;---De novo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;---Eu vi vocês no café da manhã!&lt;br /&gt;---Já disse que estou sozinha. Por que então, ele não estaria comigo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;---Ora, você já chegou ao seu destino.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;---Muito bem, vamos fazer uma coisa. Assim que chegarmos ao centro da cidade, pegamos um táxi e você vai conhecer os meus avós, topa?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;---Sério? Mas não posso ficar sem o ônibus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acabou indo. Os avós existiam, graças a Zeus! Eram dois simpáticos gregos que recebiam como ninguém. Ela traduzia o que ele dizia e vice-versa. A casa era de pedra, linda!  Várias plantas e flores a tornavam mais ainda acolhedora.  O almoço delicioso foi servido numa mesa, também de pedra,  no jardim. Ele ficou maravilhado ao ver o carinho que ela tinha para com os avós. Levara muitos presentes.  Seu semblante agora lhe parecia a estátua de uma deusa, daquelas que vemos espalhadas pelas inúmeras relíquias do fantástico mundo grego. Ganhou dos velhos um rosário, peça que manejam com habilidade e que serve para filosofarem ou apenas para fugirem do estresse. Tomou um último gole de "ouzo", a bebida regional, e se despediu.  Mal chegou ao portão e sentiu uma pancada na cabeça, sentindo-se ser arrastado para uma  espécie de porão. Pegaram sua pequena mochila onde estavam todos os dólares, os euros e os dracmas. Tudo o que era seu de valor estava ali, pois era recomendado que não deixassem nada no navio, quando fossem descer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Percebeu numa fração de segundos que tinha sido usado como isca.  A sua deusa da ganância e da luxúria continuava brincando com seus pensamentos confusos, mas entendeu tudo. Ela vivia ali mesmo. O navio servia para atrair os peixes para serem desovados. Não entendia direito o que falavam, pois riam muito da facilidade daquela operação e, antes de fechar definitivamente os olhos, pode  visualizar a figura do homem que estivera com ela no navio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acordou, inexplicavelmente, num hospital em Atenas e ao dar o presente depoimento, o policial apenas o olhava com incredulidade, balançando a cabeça. Percebeu que sua história ficaria como as dos deuses, para sempre no imaginário mundo grego, onde tudo parece virar magia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;EDI LONGO&lt;br /&gt;SBAT 030988&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12157323-111590831545083849?l=idiossincrasiaspoeticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://idiossincrasiaspoeticas.blogspot.com/feeds/111590831545083849/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12157323&amp;postID=111590831545083849' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12157323/posts/default/111590831545083849'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12157323/posts/default/111590831545083849'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://idiossincrasiaspoeticas.blogspot.com/2005/05/ganncia-e-luxria-o-caminho-feito-pelo.html' title=''/><author><name>Reciclagem</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11740487964330304087</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12157323.post-111590792206979425</id><published>2005-05-12T07:22:00.000-07:00</published><updated>2005-05-12T07:25:22.076-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt; &lt;strong&gt;NAS NOTAS DE UMA CANÇÃO&lt;br /&gt;         &lt;br /&gt;                 Pegou a agenda e depois de uns minutos, jogou-a num canto. E-mails antigos falando de negócios; telefones antigos de amigos perdidos; tudo antigo... Ana Claudia desligou o computador desanimada. Acendeu um cigarro deixando-se vagar nas espirais da fumaça.&lt;br /&gt;                &lt;br /&gt;                 Até ela estava ficando antiga como uma foto em branco e preto numa moldura oval. Riu triste pela comparação. Olhou-se no espelho e a imagem plastificada parecia não a reconhecer.  Sentia-se enrugada por dentro e em cada dobra uma coisa tinha ficado escondida: o filho que não tem, o companheiro que não tem, o amigo sincero que não tem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                  Ligou o som para ouvir alguma voz no silêncio.  Parou como que hipnotizada. Olhou surpresa para o aparelho. Por que essa música?  Saiu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                  De repente estava diante do bar da moda de seus longínquos vinte anos, como se tivesse sido levada pelas notas daquela canção. Entrou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                   Procurou inconscientemente pelos amigos na mesa do canto. Vazia. Onde andariam?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                   O local estava semi-escuro. Uma música mecânica como ela ao sentar-se, inundava aquele ar tabágico. Um garçom se aproximou. Olhou-o na esperança de ser o velho Zimba. Até um garçom conhecido seria bem vindo.  Alguém precisava ajudá-la a carregar aquele peso de cinqüenta anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                    Estava se levantando para sair, quando do velho piano as notas de uma saudade latente começaram a se misturar com a espiral de seu cigarro. Com as pernas trêmulas, tornou a sentar-se: era ele! Miguel. Só Miguel sabia tocar dessa forma “As time goes by!” Será que deveria se aproximar? Não!  Não conseguia se levantar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                  Sentira-se bem no conforto de seus braços jovens e fortes naquele quartinho apertado da república. Tudo tinha que ser feito muito rapidamente, pois logo o lugar seria tomado pelos amigos que vinham encontrá-los para viverem as ações noturnas da cidade. No bar deles, naquele bar onde ficavam horas e horas discutindo sobre os assuntos da Faculdade. Quantos problemas econômicos, sociais e políticos do país tinham sido resolvidos naquela mesa do canto, pelo menos nas suas cabeças aladas. Quantas músicas proibidas eram tocadas. Quantos segredos e medos. E quando alguém suspeito aparecia, Miguel o envolvia com “As time goes by”, fazendo-o também viajar nas notas daquela canção.&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;                  O homem ao piano tocava sem nem ao menos olhar para os próprios dedos que corriam como se tivessem feito esse movimento desde a maternidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                  Os olhos vagavam de uma mesa para outra, absolutamente inexpressivos. Os cabelos lisos e oleosos acentuavam mais ainda a aparência desgastada, como o terno velho e amarrotado que usava. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                   Tinha quarenta e oito anos e parecia Atlas carregando o Globo nas costas encurvadas. Ao lado do piano, um banquinho com um copo semivazio e um cigarro no cinzeiro.  De vez em quando olhava para a espiral do cigarro e parecia procurar uma lembrança. A testa já escasseando de cabelos mostrava uma ruga profunda entre as sobrancelhas espessas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                    O despertador me acordou com essa música.  Será que dei o leite para o gato?  Será que desliguei a televisão ao sair? Ah, não tenho mais gato nem televisão.  Onde será que deixei o meu último rastro? Onde será que deixei cair o meu último olhar de interesse? Por onde andará a minha vida? E a minha morte?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                    A mulher naquela mesa parece tão interessada.  E por que será que está olhando assim pra mim? Bonita, parece alguém que conheci...Bobagem! Maldito vazio. Parece que fui esquartejado e esparramado pelos porões daquela prisão. Só me lembro daquelas paredes impassíveis. Sempre. Só ficou a lembrança de todos fugindo procurando um futuro e eu ficando à cata de um presente, como um mendigo numa lata de lixo. Catando desesperado pedaços de liberdade.&lt;br /&gt;                  &lt;br /&gt;                     Por que será que hoje eu escolhi essa canção? Não consigo me recompor nem voando nas suas notas!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;         &lt;br /&gt;                   A música acaba.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                   O homem se aproxima do balcão e pede mais um uísque.&lt;br /&gt;                   &lt;br /&gt;                   Ana Claudia também se aproxima e com o coração disparando estanca.  Fica por uns instantes observando aquele pescoço flácido que um dia tanto beijara. Aqueles cabelos oleosos escorregariam agora os carinhos de suas mãos.  Aquele corpo arqueado parecia pedir socorro ao invés de protegê-la. Trêmula se aproxima mais e sem querer derruba o copo da mão do pianista.  Olha instintivamente as mãos. Lindas, longas e mágicas. Apenas elas pareciam agora o seu Miguel. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                   Estremecera ao sentir o toque sutil em seu rosto. Seu corpo se inundara de êxtase quando elas apertavam a sua cintura. Somente elas conseguiam levá-la para qualquer lugar do planeta. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                    Como acordada de um sonho mágico, sussurrou um pedido de desculpas num fio de voz quando o homem a xingou indignado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                    Aquele olhar que tanto um dia a enlouquecera fitou-a, frio. O mesmo frio que percorreu sua espinha quando fora presa e depois deportada, desviando-a de sua história. Como teria sido?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                    Desviou também o olhar do vazio daqueles olhos e, num instante, percebeu que o seu Miguel continuava preso, mas agora na sua saudade e nas notas de uma canção.&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;EDI LONGO/SBAT 030899&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12157323-111590792206979425?l=idiossincrasiaspoeticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://idiossincrasiaspoeticas.blogspot.com/feeds/111590792206979425/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12157323&amp;postID=111590792206979425' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12157323/posts/default/111590792206979425'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12157323/posts/default/111590792206979425'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://idiossincrasiaspoeticas.blogspot.com/2005/05/nas-notas-de-uma-cano-pegou-agenda-e.html' title=''/><author><name>Reciclagem</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11740487964330304087</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12157323.post-111585701400435461</id><published>2005-05-11T17:15:00.000-07:00</published><updated>2005-05-11T17:16:54.010-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;strong&gt;ABOIO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A boiada estoura na descida da colina&lt;br /&gt;Chico Lins abóia com sua voz pequenina&lt;br /&gt;Mimoso se achega amável e, dócil inclina&lt;br /&gt;O dorso generoso pra acolher Rosalina&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A moça monta manhosa e lhe acarinha a crina&lt;br /&gt;Ele se levanta jeitoso pra não assustar a menina&lt;br /&gt;Chico canta seu aboio e a boiada se reanima&lt;br /&gt;Juntam-se novamente e sobem ladeira acima&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O pasto verde e farto à beira d’água do rio&lt;br /&gt;Dá-se com benevolência aos animais –bem macio&lt;br /&gt;A natureza completa o quadro soltando o passario&lt;br /&gt;E a terra toda parece um gozo de eterno cio&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E nesta doce visão daquela linda paisagem&lt;br /&gt;Minhas lembranças vagueiam dentro daquela miragem&lt;br /&gt;Como se fosse um oásis prum cansaço de viagem&lt;br /&gt;E sinto o cheiro e o gosto daquela linda pastagem&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                      Ô boi, ô boi, eepaê, boi!&lt;br /&gt;                      Chico Lins e a filha linda&lt;br /&gt;                      Ambos incrustados ainda&lt;br /&gt;                      Na minha infância que foi.&lt;br /&gt; &lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12157323-111585701400435461?l=idiossincrasiaspoeticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://idiossincrasiaspoeticas.blogspot.com/feeds/111585701400435461/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12157323&amp;postID=111585701400435461' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12157323/posts/default/111585701400435461'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12157323/posts/default/111585701400435461'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://idiossincrasiaspoeticas.blogspot.com/2005/05/aboio-boiada-estoura-na-descida-da.html' title=''/><author><name>Reciclagem</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11740487964330304087</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12157323.post-111585625282378083</id><published>2005-05-11T17:01:00.000-07:00</published><updated>2005-05-13T17:11:17.636-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;strong&gt;&lt;em&gt;IRRACIONAL PENSAMENTO&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Sou...&lt;br /&gt;A pulga que caminha pelo seu corpo inerte de intelectual; você coça de um lado, eu mordo do outro. Sou mais lépida e corro rápido para outro e outro lugar, divertindo-me à beça. Acorde para a vida, criança, largue esse dicionário velho de sua biblioteca, que só tem palavras soltas e não falam de nada. Elas precisam ser acarinhadas para terem ação.&lt;br /&gt;Sou...&lt;br /&gt;O bicho carpinteiro que pega o martelo e bate na sua cabeça de porco para excrementar as fezes de pensamentos ímpios que a fomentam. Bato mais e mais e você pensa que é dor de cabeça, que nada. É sua acomodação rodeando o centro que você acha que é. Olhe para cima, para o lado, para baixo, sempre há alguém por perto que precisa de você.&lt;br /&gt;Sou...&lt;br /&gt;O bicho da seda que faz lindos vestidos para cobrir a nudez dos corpos impuros que bailam música pornô nos cabarés da vida. Não visto almas. Estas precisam sair às ruas nuas, para vestir com bondade os corpos dos homens nus que dormem sob viadutos. Precisam lavar suas feridas, alimentar suas vísceras, vestir sua dor.&lt;br /&gt;Sou...&lt;br /&gt;O rato que corre rápido pelas profundezas do mundo, deixando em cada bueiro as fezes que nas inundações de chuvas vêm para limpar a sujeira dos homens, causa peste bubônica para expurgar os pecados daqueles que não cuidam da Terra. Usam-na, apenas.&lt;br /&gt;Sou...&lt;br /&gt;O camaleão que gargalha à medida que muda de cor e foge da fúria daqueles que devastam e tornam cada vez mais careca o nosso planeta que de azul só tem a raiva. Brinco de esconde-esconde fugindo de você, meu dessemelhante, pois só entende o que quer e o que é convencional, com regras de cabideiro e talheres certinhos à mesa. Baile pelado na chuva, lave-se e ria feito louco! O tempo urge!&lt;br /&gt;Sou...&lt;br /&gt;O camelo que guarda no seu enorme tanque d’água, mil peixinhos nadando para comê-los mais tarde. Previdente o Seu camelo, não acha? Está rindo do quê? Reserve também para o futuro um pouco de benevolência para com o próximo. Estamos apenas no começo do terceiro milênio. Não só guarde, mas distribua.&lt;br /&gt;Sou...&lt;br /&gt;A barata horrorosa que você, com nojo, nem pisa pelo líquido asqueroso que sai de meu corpo imundo. São as fezes de meu alimento, pois senão, a sua linda cozinha que cozinha suculentos pratos servidos à francesa, estaria cheia de moscas e insetos voadores que passeiam folgados e espreitam o seu sono injusto. Não jogue o resto desses alimentos no triturador da pia, faça uma sopa e doe! Dói? Ó, dó, que dor!&lt;br /&gt;Sou...&lt;br /&gt;A cobra, cujo veneno não mata, mas que cobra... que cobra... que cobra de Deus, do Demônio, dos Santos, dos Anjos, dos Homens de boa vontade, de má vontade, da puta que pariu, compaixão para o nosso pobre mundo abandonado. Animais racionais, ouçam! Um dia quem sabe os céus ou os infernos me ouvirão?Enquanto não, rastejo junto aos meus iguais: os excluídos, os pestilentos, os que se tornam, pelos descasos, irracionais.&lt;br /&gt;Sou...&lt;br /&gt;Um humano que não espera nada do segundo que passou; pois é passado; não espera nada da hora que virá, pois é incógnita. Sou somente o presente, que me dá oportunidades para crescer como homem ou me faz chafurdar na lama, dependendo de minha ação.&lt;br /&gt;Sou...&lt;br /&gt;Este exato momento que estou destilando esse irracional pensamento.&lt;br /&gt;Só&lt;br /&gt;Sou...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Edi Longo,&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;SBAT 030899&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12157323-111585625282378083?l=idiossincrasiaspoeticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://idiossincrasiaspoeticas.blogspot.com/feeds/111585625282378083/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12157323&amp;postID=111585625282378083' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12157323/posts/default/111585625282378083'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12157323/posts/default/111585625282378083'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://idiossincrasiaspoeticas.blogspot.com/2005/05/irracional-pensamento-sou.html' title=''/><author><name>Reciclagem</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11740487964330304087</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12157323.post-111578463779507484</id><published>2005-05-10T21:02:00.000-07:00</published><updated>2005-05-11T16:57:57.756-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;strong&gt;&lt;em&gt;FIDELIDADE DE COMPANHEIRO&lt;br /&gt;(homenagem para Vladimir Herzog)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda que me partam os ossos&lt;br /&gt;Mil silêncios cantarei pelo amigo&lt;br /&gt;Ainda que me arranquem as unhas&lt;br /&gt;Mil dores calarei para o castigo&lt;br /&gt;Não me esconderei sob alcunhas&lt;br /&gt;Nem chorarei segredos nossos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda que me quebrem os dedos&lt;br /&gt;Mil sons esconderei no infinito&lt;br /&gt;Não sairão debaixo do carrasco&lt;br /&gt;anseios por nós divididos&lt;br /&gt;Do látego de mim sai só o asco&lt;br /&gt;dentro do peito reprimo o grito&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mesmo que mil coroas de espinhos&lt;br /&gt;Cortem as rugas de minha testa&lt;br /&gt;Jamais direi um item de minha fonte&lt;br /&gt;Prefiro morrer a ver a festa&lt;br /&gt;Que o torturador gosta e consome&lt;br /&gt;Arranquem tudo, menos o meu nome&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nem o nome do meu companheiro&lt;br /&gt;Nem a razão de nossa luta&lt;br /&gt;Queremos apenas o que nós é devido&lt;br /&gt;Senão, do que vale a labuta?&lt;br /&gt;Queremos o que nosso é de direito&lt;br /&gt;Nesse solo mal amado e dividido&lt;br /&gt;Sem isso, nada pra mim faz sentido&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deixo meus gritos, meus lamentos&lt;br /&gt;Pra jogarem nos ombros dos nossos filhos&lt;br /&gt;Ver-nos-ão como heróis ou bandidos?&lt;br /&gt;Ou como a história - apenas empecilhos?&lt;br /&gt;Espero que entendam nossos intentos&lt;br /&gt;Vou embora sofrendo mas sem alarido&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;A verdade que julgue meu gesto incontido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Edi Longo,&lt;br /&gt;SBAT 030899&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12157323-111578463779507484?l=idiossincrasiaspoeticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://idiossincrasiaspoeticas.blogspot.com/feeds/111578463779507484/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12157323&amp;postID=111578463779507484' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12157323/posts/default/111578463779507484'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12157323/posts/default/111578463779507484'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://idiossincrasiaspoeticas.blogspot.com/2005/05/fidelidade-de-companheiro-homenagem.html' title=''/><author><name>Reciclagem</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11740487964330304087</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12157323.post-111578413193358067</id><published>2005-05-10T20:59:00.000-07:00</published><updated>2005-05-10T21:02:11.983-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt; &lt;strong&gt;&lt;em&gt;XEPA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez se eu ficar olhando para o outro lado da rua como se não quisesse nada. Não, seria demais evidente. Talvez simplesmente peça. Não, ele não me daria, mas estou sentindo a tripa esquerda quase engolindo a direita. Meu estômago vai se engolir. Talvez corresse e simplesmente a pegasse. Não, definitivamente, não! Isso faria com que tropeçasse em alguém e caísse facilitando a minha captura. Agora, parece que o ar está me faltando e sinto cólicas. Olho para dentro e sinto que as vísceras estão se agredindo. Olho para fora, os sentidos brigam por ela. Para dentro, órgãos em luta. Para fora, as órbitas pulam. Meu estômago está preste a se engolir. Senti outra cólica. A tripa maior deve estar engolindo a menor. Ai, meu Deus! Sinto um tremor, mas está um calor! Se pedisse para a senhora gordinha? Não, nem prestaria atenção. Está tão preocupada com o preço. Mas aquela mais moça pode ser que seja mais bondosa. Não, está muito bem vestida. Nunca deve ter sentido o estômago querendo se comer. Deve ser madame. A outra carregando o carrinho deve ser a empregada. E se pedisse para a empregada na hora que a patroa se distrair, escolhendo melhor o pepino? Não, ela iria pensar que estou tentando roubá-la. Ia apertar mais a bolsa contra o peito. Não dá tempo para explicar que estamos no mesmo barco, só que o meu está com um puto de um buraco e está quase afundando. Parece que o meu estômago já se engoliu e agora está querendo escorrer pelas pernas. Que fraqueza! Talvez seja melhor esperar o final. Quando todos forem embora. Sempre ficam algumas sobras. No final de qualquer coisa sempre fica um resto. É, mas às vezes, é um resto de nada. E demora muito. Até lá não terei mais estômago. Ele já se comeu, ele já se escorreu pernas abaixo. Que gosto será que ela tem? Deve ter o gosto da vida. O sabor da satisfação. O deleite da vontade. Agora meu estômago está cantando. Graças a Deus, ele ainda está aí. Que alívio! Hum, aquela mais à esquerda parece mais apetitosa e bem maior. Dá prá agüentar quase o dia inteiro. Covarde! Só uma puxadinha, uma disfarçadinha, uma saidinha meio que na lateral e um dia inteiro de folga. Com estômago. Com direito a se aliviar depois. Puta merda, até a saliva está indo embora. A voz do estômago está rouca. Estou vendo estrelinhas quando olho para ela. Será que está piscando prá mim? Deve ser fraqueza. Nossa, agora ela parece uma princesa. E se eu chegar mais perto, ele poderia ouvir o lamento do meu estômago e quem sabe...Não, a voz dele é mais alta. Vende o seu produto. “Mulher bonita não paga, mas também não leva!” Prá ele ouvir, teria que ser um silêncio de paz. Já sei. Vou recostar na calçada e esperar. De repente, eu durmo e o fim chega rápido. As sobras ficarão perdidas pela rua. Aí, será tudo meu. Tudo meu, tudo meu como um tesouro encontrado se acordar antes do caminhão da limpeza, claro. Não posso dormir.  Só esperar e tudo será só meu...só meu... Minha princesa talvez se torne como eu: pisoteada por muitos, enegrecida pelo tempo, flácida de tanto ser pega e nunca escolhida. Talvez esteja como eu. Á espera. Sempre à espreita, esperando por uma escolha, esperando por um momento. Então, será minha e nos fundiremos numa sonata de prazeres em plena rua. Ambos restos imundos como a própria xepa.&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12157323-111578413193358067?l=idiossincrasiaspoeticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://idiossincrasiaspoeticas.blogspot.com/feeds/111578413193358067/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12157323&amp;postID=111578413193358067' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12157323/posts/default/111578413193358067'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12157323/posts/default/111578413193358067'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://idiossincrasiaspoeticas.blogspot.com/2005/05/xepa-talvez-se-eu-ficar-olhando-para-o.html' title=''/><author><name>Reciclagem</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11740487964330304087</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12157323.post-111578386220854748</id><published>2005-05-10T20:50:00.000-07:00</published><updated>2005-05-10T20:57:42.266-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;strong&gt;&lt;em&gt;POBRE POEMA&lt;br /&gt; &lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Não me cobrem se não falo de flores&lt;br /&gt;já tem tratados demais sobre a flora.&lt;br /&gt;Não me cobrem se não falo de amores&lt;br /&gt;qualquer poeta por eles ainda chora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Falo sobre o menino que pede o pão&lt;br /&gt;Penso no homem que não tem trabalho&lt;br /&gt;Sinto pela mãe que tenta em vão,&lt;br /&gt;dar ao filho o peito já falho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Claro que acredito na flor, no poeta,&lt;br /&gt;na ilusão, no choro, na paixão, no amor.&lt;br /&gt;Não aceito o sofrimento, na dor quieta&lt;br /&gt;O homem é cérebro, não depósito de horror.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sofro nas caladas das noites geladas.&lt;br /&gt;Aponto para os desvalidos sobre os lixos&lt;br /&gt;olho os humanos, flores das calçadas&lt;br /&gt;e sangro por aqueles que viraram... bichos!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Edi Longo,&lt;br /&gt;SBAT 030899&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12157323-111578386220854748?l=idiossincrasiaspoeticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://idiossincrasiaspoeticas.blogspot.com/feeds/111578386220854748/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12157323&amp;postID=111578386220854748' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12157323/posts/default/111578386220854748'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12157323/posts/default/111578386220854748'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://idiossincrasiaspoeticas.blogspot.com/2005/05/pobre-poema-no-me-cobrem-se-no-falo-de.html' title=''/><author><name>Reciclagem</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11740487964330304087</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12157323.post-111573626659444627</id><published>2005-05-10T07:39:00.000-07:00</published><updated>2005-05-10T07:44:26.650-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Dedicatória:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A todos que fazem da sensibilidade&lt;br /&gt;o instrumento que embeleza&lt;br /&gt;com maestria e sutileza&lt;br /&gt;nossa conturbada humanidade!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A você:&lt;br /&gt;palhaço que ri, &lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;mesmo chorando por dentro, &lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;vítima da desgraça humana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A você:&lt;br /&gt;poeta que sofre, &lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;mesmo rindo da máscara &lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;hipocritamente social.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A você:&lt;br /&gt;escritor que guarda em si &lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;o muito da invenção mundana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A você:&lt;br /&gt;público que espera de todos os citados&lt;br /&gt;compaixão pela roupa frágil &lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;de nossa alma imortal!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;a href="http://www.edilongo.@.com.carinho/"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;www.edilongo.@.com.carinho&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;São Paulo, Brasil.&lt;br /&gt;SBAT 030899 &lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12157323-111573626659444627?l=idiossincrasiaspoeticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://idiossincrasiaspoeticas.blogspot.com/feeds/111573626659444627/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12157323&amp;postID=111573626659444627' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12157323/posts/default/111573626659444627'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12157323/posts/default/111573626659444627'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://idiossincrasiaspoeticas.blogspot.com/2005/05/dedicatria-todos-que-fazem-da.html' title=''/><author><name>Reciclagem</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11740487964330304087</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12157323.post-111573485336309695</id><published>2005-05-10T07:13:00.000-07:00</published><updated>2005-05-10T07:20:53.373-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Escatologia poeticamente feminina&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há coisas que não me descem nunca, mas nunca mesmo, a seco pela garganta&lt;br /&gt;verdades preconcebidas que todos aceitam, sem qualquer dúvida ou descrença&lt;br /&gt;engolem histórias sem pé e sem cabeça, que a minha indignação se agiganta&lt;br /&gt;e riem felizes de si, seguros na ignorância, crendo-se donos de uma vida intensa!&lt;br /&gt;Que felicidade imensa!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, eu, cá nos meus doidos desvarios de poeta insana e lírica, com Deus vivo a brigar &lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Ele, deve me dar crédito por pena, pois atura meus devaneios com louvável paciência!&lt;br /&gt;Outro dia, depois de muito tropeçar nos meus loucos pensamentos, resolvi O questionar &lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Ele nada falou, mesmo porque se o fizesse, tornar-me-ia uma Prêmio Nobel da Ciência!&lt;br /&gt;Que competência!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, cá entre nós, vejam se não tenho razão no meu justo e magistral questionamento&lt;br /&gt;descobri, acreditem se puder, que a mulher é uma autêntica obra escatológica&lt;br /&gt;vejam: se viemos de um osso (sem tutano) e parimos esse osso em forma de pagamento,&lt;br /&gt;então, somos osso engolindo osso, uns até têm o que sugar, dignos de obra antológica&lt;br /&gt;Que profecia sem lógica!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vamos, aliem-se a mim, aconcheguem-se à minha tresloucada e amarga reflexão&lt;br /&gt;se Deus queria tirar de Adão qualquer pedaço e à Sua Semelhança, criar sua outra parte&lt;br /&gt;por que, então, não nos fez de uma alcatra, um belo filé mignon ou mesmo do coração?&lt;br /&gt;Somos, assim, na história, vejam bem: o pedaço mais barato de um animal no abate&lt;br /&gt;Que bela obra de arte!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não acham que isso é pouco, pra quem gera, dá a luz e forma própria à vida universal?&lt;br /&gt;Por que, digam-me, teve uma atitude assim: um sopro para Adão e para Eva um escarro!&lt;br /&gt;E Você, Deus, para não ficar por baixo, dir-me-á retumbante na Sua Voz monumental,&lt;br /&gt;ora, minha filha, aquiete-se, não acha melhor ser de carne do que de um mísero barro?&lt;br /&gt;Que grande tirada de sarro!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, Deus! Às vezes, eu acho que Você vive se escondendo com demasiada cautela&lt;br /&gt;que coisa, não poderia ao menos, dar -nos uma origem mais nobre e mais charmosa?&lt;br /&gt;Pra que nos criar, como moscas de açougue e apenas nos legar uma fraturável costela?&lt;br /&gt;E por uma coisa tão vulgar e tão barata ainda temos que aturar uma dívida monstruosa?&lt;br /&gt;Que ação mais vergonhosa!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não pense que me engana com Sua bela mas injusta dialética , pois sinceramente acho&lt;br /&gt;que poderia nos ter feito apenas como uma simples e pequenina gota d’água&lt;br /&gt;pois se unisse o barro à ela, seríamos ambos um só corpo, desde o início fêmea e macho&lt;br /&gt;e assim nós estaríamos plenamente empatados, sem disputas ou qualquer tipo de mágoa&lt;br /&gt;qual cachoeira formosa que num belo rio deságua!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além de tudo isso, temos que agüentar quietas as duras cobranças do mundo:&lt;br /&gt;dupla jornada de trabalho, cargos iguais e salários diferentes, ônus de estrutura familiar&lt;br /&gt;sem contar com o pinga-pinga da mensalidade sanguínea, com dores que batem fundo&lt;br /&gt;mas se a mesma falhar, ai de nós, logo mais vem mais uma boca pra gente alimentar.&lt;br /&gt;Que situação singular!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nove meses de barriga, abstinências, dores e mais trabalho pra orientar  a nova vida!&lt;br /&gt;E  as injustiças, os preconceitos? Ah, jamais nos faria de barro, nós somos feitas de aço!&lt;br /&gt;E, Deus, quando ao nos revoltar, escrevendo as nossas leis, tentando mudar essa briga,&lt;br /&gt;calam-nos, violentam-nos e a ONU acha-nos ressarcidas ao nos dar o dia oito de março!&lt;br /&gt;Que fracasso e que cansaço!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bem, para terminar, sei que apesar do descanso, o Senhor é ocupado e muito inteligente&lt;br /&gt;sim, pois se autoconcebeu, não é?  Aham, pra não dever à mulher o fato de ter nascido!&lt;br /&gt;Pois Lhe digo com orgulho, eu adoro ser mulher: sou forte, não há dor que me arrebente&lt;br /&gt;mas, se de um homem nos gerou, porque diabos (desculpe!), o processo foi invertido?&lt;br /&gt;Que mudança mais sem sentido!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Edi Longo,&lt;br /&gt;08 de Março&lt;br /&gt;Dia Internacional da Mulher.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12157323-111573485336309695?l=idiossincrasiaspoeticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://idiossincrasiaspoeticas.blogspot.com/feeds/111573485336309695/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12157323&amp;postID=111573485336309695' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12157323/posts/default/111573485336309695'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12157323/posts/default/111573485336309695'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://idiossincrasiaspoeticas.blogspot.com/2005/05/escatologia-poeticamente-feminina-h.html' title=''/><author><name>Reciclagem</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11740487964330304087</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12157323.post-111573416313345464</id><published>2005-05-10T07:01:00.000-07:00</published><updated>2005-05-10T07:09:23.146-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt; &lt;strong&gt;&lt;em&gt;Com as mãos vazias&lt;br /&gt;         &lt;br /&gt;Já passava das duas horas e era a décima vez que Zita saía à porta. Voltava, olhava para os irmãos e dizia enfaticamente: “ele já vem. Se avexem não, eles vem já”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O sol causticante; o chão seco e partido, as árvores peladas de folhas e de vida não geravam nem um pedacinho de sombra para as crianças brincarem embaixo para matar o tempo infalível. Chico chorava. Zequinha apenas a olhava, sem dizer nada. Aquele olhar a feria mais que mil lamúrias!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Zita tinha que ser forte, era a mais velha e tinha que segurar a fome dos dois e a dela própria. De repente, lembrava-se de uma cantiga. Começava a cantar, mas o ronco do bucho era mais alto e encobria a vozinha fina e fraca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chico ensaiava uns pequenos passos vacilantes na sala de chão batido; caía, além da pouca idade, as perninhas eram magras e não agüentavam segurar o peso do corpo entupido de vermes. Tinha só um ano e já sentia as primeiras pancadas de uma existência árida, mas pelo menos não era consciente nem tinha os olhos tristes e secos de Zequinha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Zita já estava se transformando numa moça bonita, apesar da ossada apontando sobre o seu corpo jovem. Tinha doze anos e a mãe tinha dito que logo-logo, ela já podia se casar e ter uma casa caiada, com bastante comida, um roçado prolífero, um jardim com bastante flor, vestidos de chita e nunca mais de saco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah! O seu noivo ia ser um cabra forte; seus cabelos iam ser mais claros do que a água lá do açude quando cheio; seus olhos negros e serenos iam ser mais vivos do que os olhos da piaba e, carinhosamente ia chegar num dia de muita luz, e ia dizer, segurando sua mão: “Dona Madalena, tenho orgulho em pedir sua filha em casamento”. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ia ser lindo, lindo! E, ela risonha e rosada ia esconder a cara no ombro como toda donzela das redondezas faziam, e de cabeça baixa, ia esperar o consentimento da mãe. Seu vestido de noiva ia ser mais branco que a lua cheia e, ela com os olhos brilhantes de felicidade, ia parecer a estrela que vira cair por cima dos montes lá distante. Como ia ser bom, se ia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Infelizmente, a realidade existia no puxão de saia de Zequinha: “e se foram embora que nem painho?” Ela estremece levemente, retrucando rápido: “tu tá doido? Acha que mainha ia fazer uma safadeza dessas? Talvez já esteja na lida. Tu vai vê, gorinha mesmo, Tião aponta lá na ponta do caminho com as mãos cheias das coisas. Parece que tô inté vendo: macaxeira; farinha; feijão-de-corda; carne-seca, até um taco de queijo-de-coalho”!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Zequinha escutava com a baba escorrendo pelo canto da boca, comendo avidamente, na imaginação, a comida que a irmã inventara.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De repente, seus olhos inquisidores, alegra-se com uma idéia: “e se a gente pedisse um pouco de açúcar prá Dona Sofia? A situação dela é melhor que a nossa. O marido volta, painho não. E, depois, ela não é madrinha de Chico? Pois é, então é que nem mãe, não vai negar nunca”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Zita não espera outro pedido. Sai num pinote louco, os cabelos negros nadando ao vento, os olhos excitados e o pensamento implorando prô Padim Ciço ajudar a convencer  a vizinha. A casa era quase ao lado da sua, mas chegou tão cansada, que parecia ter corrido mil léguas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Falou mais rápido do que o próprio desejo, como se a mulher, sem o devido tempo para pensar, fosse se convencer mais depressa: “será que a senhora não podia emprestar um tiquinho, bem tiquinho mesmo, de açúcar”?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esperou dois intermináveis segundos, infinitos. Dona Sofia pigarreou e seu coração acelerou as batidas. Quando alguém pigarreava diante de um pedido, era porque o negócio não ia dar certo. Já tinha experiência. Sempre era ela quem pedia para os vizinhos, pois a mãe todo dia saía com o sol despontando para ver se conseguia algum lugar para trabalhar, desde que o pai fora embora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As pernas bambolearam; o frio na barriga vazia aumentou; a esperança atrofiada se escondeu por entre os dentes cerrados e o peito calou um grito de raiva, quando escutou aquela voz triste: “tenho não, acabou”. Insistiu, apesar do resultado previsto: “aca...bou? Tudinho, foi”? E a maldita sentença foi mais uma vez confirmada, seca, dura: “tudinho. Quando Severino chegar à noitinha, eu arranjo”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;À noitinha? Estava com fome agora, não podia adiar a fome. Estava cansada de esperar. Esperá-los que não voltavam, esperar o pai que não voltava nunca mais. Esperar até o vizinho que só voltava à noitinha.  Queria que o céu escurecesse já, mas prá mandar chuva, não prá esperar um vizinho que nem sabia se ia lhe dar  qualquer migalha.&lt;br /&gt;Pensava na mãe. Como a mãe sabia das coisas! E ela se orgulhava da sabedoria da mãe. Dizia coisas tão lindas, contava histórias doces, mas...eram histórias, não era açúcar que adoçava água!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mãe dizia que ela era seu braço direito! Na ausência dela,  era ela quem cuidava dos menores; cozinhava, quando tinha; lavava, quando tinha...água. Bem, era só uma “meio” dona-de-casa. Só não era inteira porque só fazia as coisas...quando tinha. Mas era muito importante! Encheu o peito de orgulho, estufou-o inteirinho, jogou a bunda prá trás e ereta, voltou prá casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Zequinha esperava sentado no batente da porta. Ela entrou absolutamente séria, evitando, como sempre, o seu olhar. Ao ver as mãos vazias da irmã, dava socos na parede indignado: “merda, num arrumou nadinha? É esse o braço direito de mainha, é?” Zita nem respondeu. Dizer o quê? Fica apenas olhando triste para o irmão que sai em disparada. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A camisa rota e desfraldada, totalmente aberta no peito magro, parecia galopar fora do corpo. Ele tinha visto seu Pedro passar perto da casa com um pacote na mão. Ele trabalha prá seu Anastácio e isso significa dinheiro, que significa comida. Isso era mais do que certo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto ia mastigando essas idéias, mastigava antecipadamente o conteúdo do pacote. Devia ser macaxeira, farinha, feijão-de-corda, queijo-de-coalho, nossa mãe, quanta coisa! Pelo menos a macaxeira já dava um jeito! Mas...macaxeira sem o sal?  Virgem Santa, ia ter que praticar dois pecados juntos, tinha que roubar também o sal.&lt;br /&gt;Mas não carecia ficar tão preocupado, quando fosse dia de procissão lá no Sítio de seu Anastácio, ele ia pedir prá Padim Ciço perdoar. Ele ia compreender.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não era nada tão grave assim. Só dois pecados bem baratos, talvez valessem duas ave-marias, dois pai-nossos e um dia sem brincar no açude quando tivesse cheio. Cheio?!? Só no dia de São Nunca!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E depois, a mãe sempre dizia que Padim Ciço era amigo das crianças, feito Jesus. Afinal só tinha dez anos, devia ser criança ainda. Ou será que não? Engraçado, não se sentia criança. Não sabia bem porque, mas se sentia homem. Macho. Cabra muito do macho. Pensava até em dar um jeito, se bem que roubar não é coisa de gente de bem, como a mãe dizia. Roubar e matar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas ele achava o Lampião um baita cabra macho, um herói! Ele matava e roubava, mas era um herói. Ave Maria, se a mãe pudesse entrar nos seus pensamentos ia ser uma surra daquelas! Credo em Cruz, é bom nem pensar nisso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lampião herói! Imaginem! Padim Ciço ia pedir mais penitências. Melhor desviar esses pensamentos, aliás, prá que praticar um terceiro pecado assim à toa, só por causa do merda do Lampião? Não, tá decidido: só praticava pecados que valessem a pena, como a comida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não via a hora de chegar em casa e mostrar prá Zita a macaxeira e o sal. Ela ia se orgulhar dele e nunca mais ia chamá-lo de criança. Pronto. A casa do seu Pedro estava ali na sua frente. Agora tinha que ter peito e provar prá Zita que era um homem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deu a volta pelos fundos do quintal, analisou a cerca de avelãs e arame-farpado, mediu o salto prá não cair esbodegado em cima dela e tomou distância. Jesus, se num desse certo, avelãs ardia que nem ferida braba quando caia na pele. Seu Pedro tinha cachorro? Não, claro que não. Como iria sustentar? Então o caminho estava livre. Não se via ninguém por perto. Preparou o salto e as pernas lhe faltavam na hora, envergando-se quase sem forças. Diabo de fraqueza, não estava nem podendo se erguer, quanto mais pular uns dois metros de altura! Bem, pensando bem, a cerca não podia ser tão alta assim. Arame farpado é caro. Era ilusão da vontade. Preparou o último e definitivo salto, quando sentiu que a terra faltava aos seus pés. Estava no alto. Virou devagarzinho o cangote e seu Pedro em carne-e-literalmente-osso, suspendia-o pela gola da camisa, as pernas balançando no ar. Sentiu um medo tão grande que se tivesse algo por dentro, fazia ali mesmo. Mas, mais ágil que o velho homem, desvencilhou-se rapidamente, deixando nas mãos dele apenas uma manga surrada de camisa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A carreira de volta foi mais rápida e mais penosa. As lágrimas corriam sem que quisesse. Um ódio surdo se acumulava na goela, doendo. Odiava chorar. Achava desperdício de água. O que ia dizer pra Zita?  Homem, quem dera! Ele era um grandessíssimo jumento, tinha mais é que andar de quatro, olhando sempre prô chão. Enxugou as lágrimas com raiva e ficou esperando por um momento, com o cheiro da macaxeira  nas ventas.  Zita não podia vê-lo chorar, isso é que não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E a mãe? O que estaria fazendo? Gostaria tanto de ajudar, mas era muito franzino e os empreiteiros não gostavam de homem franzino.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mãe disse que mais uns dois anos e ele já estava pronto prá enfrentar a vida. Doze anos, que merda, num chega nunca. Quando tivesse doze anos...Ah! Ia se emburacar pelo mundo afora. Ia pra Sumpaulo, num pau-de-arara ou mesmo na rabeira de um caminhão de carga. Ia trabalhar, ajuntar bastante dinheiro e depois comprava uma casa, bastante comida e vinha buscar a mãe e os irmãos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E nunca mais ia esperar aquele velho barbudo e muito do mentiroso que no Natal nunca vinha. Ele mesmo ia comprar uma viola e um radinho de pilhas pra ele; uma saia bem rodada de chita prá Zita; uma bola prô Chico e um terno com gravata prô Tião. E prá mainha? Nossa, botara a coitada em último lugar! Mas, ela sabe como é importante e ia comprar uma máquina de costura e um véu preto igual aos das beatas. Ah, e todos iam ter que estudar, até mainha, prá desenhar as letras no papel.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deu uma pigarreada, endureceu o corpo e entrou de cara amarrada na sala já escurecendo. Zita somente o olhou de rabo-de-olho, sem perguntar nada, porque não tinha nada para perguntar. Encolheu-se num canto com Chico no colo e ficou esperando por eles  que não voltavam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O caminho parecia um bolo retalhado. Era um córrego seco, coisa comum de se ver naquele sertão ardente. A terra ardia debaixo dos sapatos furados. Madalena ia mais à frente, seguida por Tião que andava cabisbaixo e devagar. De vez em quando, ela parava para esperá-lo, levando-o, às vezes, montado nas próprias costas.&lt;br /&gt;O sítio de seu Anastácio dava mais de duas léguas e a fome e a sede dificultava ainda mais a caminhada. Madalena tinha o rosto ainda jovem, mas já franzido de pequenas rugas. A testa transparecia os pensamentos múltiplos e desencontrados.  Ora pensava nos filhos que ficaram em casa, ora pensava no emprego que precisava, ora pensava com mágoa na fuga do marido. Homem não agüenta o tranco, acha mais fácil fugir do choro de criança e evitar os problemas. Tentava ainda desculpar a falha de caráter do marido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto ia pensando, as mãos esqueléticas e cheias de calos iam desfiando as contas do rosário de pedras que ganhara de Januário no dia do noivado, há treze anos. Ela só tinha treze anos. Então, só tem vinte e seis e por que parecem tantos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembrou-se do dia que ele chegou em sua casa e disso prô pai: “quero me casar com essa cabrita, como tá bonita, parece até uma calunga!” e o pai respondeu orgulhosamente: “é tua, Januário, é só marcar a data e nois acerta tudo”. Fora feliz, apesar dos sofrimentos, dos maltratos, mas pra ela, felicidade era ter os filhos prá cuidar e o que comer todo dia. Só isso. Agora, Januário sumira com cinqüenta por cento da sua felicidade, deixando só o outro cinqüenta prá ela cuidar. Não deixara nem o modo de fazer isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como vai ser, se o homem souber que ela é mulher dele? Mas seu Anastácio ia compreender, lá isso ia. Como ia ser bom. Ia trabalhar, receber o pagamento no final do dia e toda tardinha, ia levar macaxeira, carne-seca, enfim, a outra parte de sua felicidade. Já via a filha correndo e gritando ao seu encontro: “a mãe vem vindo, tá com as mãos cheinha de coisas!”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E não via a hora de fazer uma surpresa no Natal prôs meninos.  Ia comprar uma saia bem rodada de chita prá Zita; uma viola e um radinho de pilhas prô Zequinha; um terno prô Tião e uma bola bem grande prô Chico. E prá mim? Ah, se sobrar, vou comprar um véu bem bonito para receber Jesus Cristo feito uma senhora respeitável, na hora da comunhão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um suspiro enorme rompe do seu peito, volta à realidade e apressa os passos. Abaixa humildemente as costas e manda o filho montar pra diminuírem a distância que parecia infinita. Senhor Deus, ajuda que nós chegamos.  Há que se ter fé, muita fé mesmo. E esperança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Suspira mais longamente, toma coragem, bate à porta e espera.  O capataz manda esperar numa sala semi-escura, que deixa entrever apenas o retrato de um homem bem vestido, sorrindo, com um chapéu branco e com uma boca grande, cheinha de dentes de ouro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Virgem Maria, o homem é rico mesmo, mas se ele rindo é assim, como será quando fica brabo? Pior ainda, como será quando a gente vem pedir alguma coisa? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Valha-me, Nossa Senhora! Tremia feito vara-verde, sentia todos os ossos do corpo chocalhando, as mãos se apertavam como se quisessem se atracar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de quase uma hora que parecera um século, surgiu o tal homem da boca de ouro. Ele nem respondeu ao seu frágil “boa tarde!”, sentou à mesa grande e ficou cutucando os dentes com os dedos, arrotando e olhando simplesmente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A voz calou, murchou, morreu.  Por que será que me olha assim? Talvez esteja me avaliando pra saber que tipo de trabalho pode me dar. Bem, a roupa era velha, mas limpa. Mas...com essa ossada toda aparecendo, bem, é melhor esperar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esperou milênios. De repente, assustada, ouviu aquela voz que mais parecia um trovão perguntando: “quantos anos tem?  quantos buchos? vive mais teu cabra?” &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ave, isso tudo e de uma só vez! Fez o que podia fazer.  Respondeu também a tudo de uma só vez, com medo de perder totalmente aquele fio de voz e, principalmente, por estar feliz de ele não saber quem ela era. E ele: “se teu cabra foi embora, boa coisa tu num dá. Pode ir que não tenho serviço prá tu não”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma descarga elétrica parecia tê-la fulminado. Num segundo, pensou em mil argumentos para convencer ao homem que era trabalhadeira; que não tinha culpa se o marido fugira com o dinheiro da última safra dele; não tinha culpa se ela e os filhos eram gente e, mesmo sem ter, tinham que comer; não tinha culpa se não nascia o que plantava; não tinha culpa se não chovia, e principalmente se não a deixavam encontrar uma oportunidade prá viver.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Queria dizer tudo isso mais uma vez de uma só vez, mas só conseguiu balbuciar: “senhor, seu Sítio é o único das redondezas, onde vou encontrar trabalho? Posso lavar; capinar; limpar suas botas; fazer a comida dos peões, sei lá, posso até costurar e...”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parou diante daquele olhar de pedra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sabia mais o que prometer em troca de um simples trabalho e ficou olhando aquele homem que tudo podia, jogar na sua cara que estava precisando de mulher para os seus peões. Que os rapazes solteiros estavam meio arredios por falta de vadiagem e, o pior, já andavam rondando as donzelas dele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais uma vez, Madalena sentiu um gosto amargo de fel na boca, o bucho roncou mais forte, o ódio subiu na goela seca, a raiva contida estava querendo explodir no peito tísico e a imagem dos filhos com fome, dançavam na sua frente com as mãos esticadas, pedindo, mendigando migalhas. Não podia fraquejar, voltar com as mãos vazias, não, isso não podia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Engoliu a seco a saliva escassa e o pudor ultrajado e, tentou argumentar mais uma vez: “senhor, isso é duro prá uma mãe de família, o senhor sabe. Valho mais do que dois de seus peões, me deixe mostrar que posso. Não há homem nesse mundo que tenha mais vontade do que eu. Garanto”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O homem nem lhe respondeu, virou as costas e ia saindo quando, de repente, perguntou: “a não ser que tu tenha uma filha, tu não tem não? Mais moça, dá melhor prô ofício”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pálida, como se tivesse levado um soco na boca do estômago, Madalena gemeu um palavrão indecodificável. As mãos arrebentaram o pequeno rosário. Zita. Sua Zita para os peões.  Não, não ouvira errado. O safado ainda repetiu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que vontade de dar um soco na cara desse filho de uma égua e quebrar todos esses dentes de ouro que mangam de sua mágoa! Não fosse o desvario do marido, teria até orgulho do que ele fizera àquele excomungado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Januário, filho de uma quenga! Que vontade de te encontrar e te obrigar a servir de mulher prôs peões enfileirados! Sentia-se um animal embrutecido, um subumano, vazia por dentro, agora, até de sentimentos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com a cabeça enfiada no próprio íntimo, olhou mais uma vez prô retrato sisudo do riso cheio de ouro, fulminou-o com o olhar enlouquecido e retirou-se, tropeçando nos próprios pensamentos desvairados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como num filme, só via os filhos à sua frente. Zita chorando embaixo de um brutamontes; Chico implorando com as mãozinhas inutilmente estendidas; Zequinha com aqueles olhos negros e indignados e, Tião chupando o dedo fino e coçando o umbigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E aquele filho de uma égua do Padim Ciço tinha dito que Deus olhava para os pobres. Aonde? Quando? Deus não tava ligando para o seu sofrimento, devia ser um safado como os outros. Era tão safado que não nascera mulher só prá não ter o trabalho de parir, de criar e dar de comer para os filhos. Era um homem também. E como todos, ainda era preguiçoso que precisou descansar no sétimo dia. Mulher não, só descansa quando morre. Se ele não dava trabalho, por que é que num dava chuva pra nascer o que plantava?  Não estava querendo nada de graça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E pensar que estava com os joelhos que eram um calo só de tanto ajoelhar prá rezar e pedir, prá pedir, sempre pedir, pedir sempre... prá quem? Será que tinha alguém ouvindo? Se ouvia, por que não ajudava nunca?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;Já estava escurecendo quando avistou a pequena casinha de sapé e seus olhos fincaram-se no chão, quando avistou os filhos que vinham correndo em sua direção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ia correr ao encontro, mas estancou quando ouviu: “Zita, mãe está com as mãos vazias, não traz nada não”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Zequinha tropeçava nas palavras. Machucava sua visão, as mãos vazias da mãe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Madalena cambaleando nem entrou em casa, falando rápido pra que os filhos não retrucassem: “mainha vai em todos os vizinhos; na casa das mulé dama, até nos quintos dos infernos negociar com o próprio Diabo, mas não volta com as mãos vazias, viram? Depois acerto minhas contas com Deus”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com as pernas doloridas; as costas envergadas; as vistas ressecadas de tanto chorar e, principalmente, com os sentimentos retorcidos e gemendo, saiu mais uma vez, sem ter coragem de olhar de frente prôs filhos que arregalavam os olhos tristes e esperançosos, olhando-a se afastar, mais uma vez, com a vida rastejando nos calcanhares.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Edi Longo,&lt;br /&gt;SBAT 030899&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12157323-111573416313345464?l=idiossincrasiaspoeticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://idiossincrasiaspoeticas.blogspot.com/feeds/111573416313345464/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12157323&amp;postID=111573416313345464' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12157323/posts/default/111573416313345464'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12157323/posts/default/111573416313345464'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://idiossincrasiaspoeticas.blogspot.com/2005/05/com-as-mos-vazias-j-passava-das-duas.html' title=''/><author><name>Reciclagem</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11740487964330304087</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12157323.post-111569998827019045</id><published>2005-05-09T21:37:00.000-07:00</published><updated>2005-05-09T21:39:48.276-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;strong&gt;&lt;em&gt;ENIGMAS SENSÍVEIS&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os quartos guardam enigmas indecifráveis&lt;br /&gt;ninguém conhece ninguém mais do que cada um&lt;br /&gt;pensa conhecer a si mesmo&lt;br /&gt;o espelho na parede mostra apenas o que você vê&lt;br /&gt;ou só o que quer ver:&lt;br /&gt;se quer idade, só vê o amassado da pele&lt;br /&gt;se boniteza, olha-se apenas para o que lhe parece bonito&lt;br /&gt;assim será sempre&lt;br /&gt;ao nariz torto, entortamos a visão&lt;br /&gt;pior ainda fazemos quando não nos damos conta&lt;br /&gt;do quão torta é nossa boca&lt;br /&gt;falamos muito&lt;br /&gt;agimos pouco&lt;br /&gt;lá dentro, nas paredes vermelhas do coração&lt;br /&gt;apenas a irrefutável verdade mora.&lt;br /&gt;A primeira incógnita da humanidade é a alma do homem&lt;br /&gt;lá tudo está impresso&lt;br /&gt;tudo tem seu preço&lt;br /&gt;como um código em barra do supermercado da vida.&lt;br /&gt;Se boa alma, o crédito.&lt;br /&gt;Se má, no final do filme o débito.&lt;br /&gt;Tudo se esconde&lt;br /&gt;como uma urgência urgentíssima&lt;br /&gt;de fazer algo&lt;br /&gt;e não se fazer nada&lt;br /&gt;pela inércia&lt;br /&gt;pela desconforme multiplicidade de cada ser&lt;br /&gt;...não ser&lt;br /&gt;seria melhor?&lt;br /&gt;Não ser&lt;br /&gt;e nada saber&lt;br /&gt;seria melhor ainda.&lt;br /&gt;Ah, enigmas sensíveis de sons e sentidos!&lt;br /&gt;Assim como os bebês que nada sabem&lt;br /&gt;do que achamos que sabemos&lt;br /&gt;mas sabem a hora das sensações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Edi Longo,&lt;br /&gt;SBAT 030899&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12157323-111569998827019045?l=idiossincrasiaspoeticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://idiossincrasiaspoeticas.blogspot.com/feeds/111569998827019045/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12157323&amp;postID=111569998827019045' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12157323/posts/default/111569998827019045'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12157323/posts/default/111569998827019045'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://idiossincrasiaspoeticas.blogspot.com/2005/05/enigmas-sensveis-os-quartos-guardam.html' title=''/><author><name>Reciclagem</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11740487964330304087</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12157323.post-111569974518450207</id><published>2005-05-09T21:29:00.000-07:00</published><updated>2005-05-09T21:35:45.196-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;strong&gt;SÚPLICA CONTEMPORÂNEA&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#3366ff;"&gt;Pai nosso, que estais nos céus&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;Desça um pouco até nós&lt;br /&gt;para abrandar a fúria que há nos chefes, aquecer o frio, saciar a fome, desativar as armas químicas, desmistificar o demônio,&lt;br /&gt;remarcar o seu rebanho.&lt;br /&gt;Vosso filho plantou a semente.&lt;br /&gt;A árvore secou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#3366ff;"&gt;Santificado seja o Vosso nome&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;Em nossos ritos, sempre o fazemos,&lt;br /&gt;uns interiorizados, outros mecânicos.&lt;br /&gt;Mas precisamos de alento e respostas&lt;br /&gt;pois as preces parecem ficar&lt;br /&gt;paradas nos buracos do ozônio&lt;br /&gt;por nossas loucuras fabricados e não chegam até Vós.&lt;br /&gt;A voz calou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#3366ff;"&gt;Venha a nós o Vosso Reino&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;Não somos dignos de entrar em Vossa Seara, bem o sabemos.&lt;br /&gt;Homens sujos que somos, grãos ínfimos que ousastes fazer de espelho,&lt;br /&gt;mas em sendo feitos por Vossas mãos, igualmente ousamos implorar&lt;br /&gt;que não nos abandone agora quando mais necessitamos de Vós.&lt;br /&gt;Os pagãos erravam por ignorância, nós por esquecimento.&lt;br /&gt;A mente apagou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#3366ff;"&gt;Seja feita a Vossa vontade&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;Sabemos que todas as guerras, todos os conflitos, não foram vontade Vossa&lt;br /&gt;mas, suplicamos que amenizai os corações duros&lt;br /&gt;e que nesse início de um novo milênio, com uma guerra à vista,&lt;br /&gt;Vossa vontade seja mais respeitada e ela seja abortada,&lt;br /&gt;pois também sabemos que nenhum pai quer para o filho tantas misérias.&lt;br /&gt;A paz suplicou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#3366ff;"&gt;Assim na Terra como no céu&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;Esquecemos do quão pequenos somos&lt;br /&gt;do quão falíveis somos&lt;br /&gt;do quão mortais somos&lt;br /&gt;de quanto precisamos Louvá-lo aqui, onde brincamos de homens,&lt;br /&gt;para depois podermos usufruir de Vossas benesses aí, brincando de almas.&lt;br /&gt;A fé falhou.&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#3366ff;"&gt;O pão nosso de cada dia nos dai hoje&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;E amanhã e depois de amanhã e depois de depois de  amanhã. Sempre.&lt;br /&gt;Algumas mesas têm pão, outras não.&lt;br /&gt;Alguns pães são até doados pela caridade de alguns bons corações,&lt;br /&gt;mas param nas mesas dos atravessadores,&lt;br /&gt;abarrotados de manteiga  e que nunca, quando caem, os lados bons ficam no chão.&lt;br /&gt;O amor  abortou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#3366ff;"&gt;Perdoai as nossas ofensas&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;As nossas falhas, a nossa falta de compaixão, de união.&lt;br /&gt;A nossa  incapacidade de aprender a continha de dividir! Só a de mais e de subtração! A de multiplicação só a fazemos quando se trata do nosso poder.&lt;br /&gt;Nunca para multiplicar os peixes e os pães para distribuir aos que suplicam.&lt;br /&gt;Estamos perdidos, como a ovelha que se distraiu observando uma flor, perdendo-se de seu pastor e não sabe o caminho de volta.&lt;br /&gt;O encanto murchou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#3366ff;"&gt;Assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;Quem?!?  O Senhor já ouviu falar de Bush?  De Sadan? De  bin Laden? Hitler?&lt;br /&gt;Todos os políticos insanos que envergonham  os países oprimindo os excluídos?&lt;br /&gt;E o que me diz dos traficantes de drogas, de armas, de mulheres, de almas, de crianças para serem vendidas  num banco de órgãos?&lt;br /&gt;Mesmo Cristo hoje não acreditaria nessa frase.&lt;br /&gt;E a perseguição aos cristãos em Roma? E a perseguição aos judeus em Auschwitz?&lt;br /&gt;O terrorismo vingou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#3366ff;"&gt;E não nos deixeis cair em tentação&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;Mas continuamos cada vez mais querendo mais. Queremos cada vez mais acumular riquezas e brigamos a Guerra Santa.Tudo em Vosso nome!&lt;br /&gt;Continuamos cada vez mais pisando no mais fraco. Iran, Iraque, Israel, USA...que usa e abusa da humanidade desorientada, achando que pode mandar nos territórios alheios, nas leis alheias, nos minérios e florestas alheias.&lt;br /&gt;Continuamos pequenos caracóis que vivem enroscados no próprio corpo.&lt;br /&gt;Vosso nome manchou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#3366ff;"&gt;Mas livrai-nos do mal&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;E do mau.&lt;br /&gt;Livrai-nos dos trabalhos escravos, da mão que bate, da miséria que tira a marca do cidadão,  da ignorância que cega, do ódio que mata, da inveja que enfeia, da dor que cala a alegria de existir,  da ambição, do desalento, da guerra, da soberba.&lt;br /&gt;Livrai-nos do negativismo, do escuro, da solidão, do medo.&lt;br /&gt;Livrai-nos, principalmente, do desamor.&lt;br /&gt;A vida implorou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#3366ff;"&gt;Amém.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;Assim seja:&lt;br /&gt;Deus, God, Alá, Adonai, Tupã, Oxalá!&lt;br /&gt;Hosana nas alturas!&lt;br /&gt;Quem quer que Sejas, continues a iluminar a nossa pobre Terra Azul&lt;br /&gt;tão tristinha, tão desolada, tão calada dentro de suas próprias dores.&lt;br /&gt;Desculpai o tanto que pedimos ao Senhor e nunca retribuímos à altura.&lt;br /&gt;Desculpai a nossa súplica, a nossa constante súplica.&lt;br /&gt;Desculpai tanta fraqueza!&lt;br /&gt;O Planeta chorou!&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;strong&gt;Edi Longo,&lt;br /&gt;Cristã, poeta, eterna sonhadora,&lt;br /&gt;às vezes incrédula,&lt;br /&gt;mas nunca insensível à dor da Terra.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Uma homenagem à Filó, amiga sempre pela idéia desse adaptação&lt;br /&gt;São Paulo, Março de 2003.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12157323-111569974518450207?l=idiossincrasiaspoeticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://idiossincrasiaspoeticas.blogspot.com/feeds/111569974518450207/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12157323&amp;postID=111569974518450207' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12157323/posts/default/111569974518450207'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12157323/posts/default/111569974518450207'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://idiossincrasiaspoeticas.blogspot.com/2005/05/splica-contempornea-pai-nosso-que.html' title=''/><author><name>Reciclagem</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11740487964330304087</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12157323.post-111569935294175951</id><published>2005-05-09T21:28:00.000-07:00</published><updated>2005-05-09T21:29:12.960-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;strong&gt; SEM TEMA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quero escrever sobre algo absolutamente inédito&lt;br /&gt;Fico horas pensando. Pesando tudo com mérito&lt;br /&gt;Penso no amor – lugar comum – ninguém daria crédito!&lt;br /&gt;Ainda mais que agora já se tornou até cibernético.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mudo o enfoque ao ver  no vaso uma linda flor&lt;br /&gt;Que horror! Bato na boca com muita força pra sentir dor&lt;br /&gt;Flor é bonito não resta dúvida, tem seu valor&lt;br /&gt;Mas no meu peito o que anda faltando é ...é...muito calor!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Penso na história - perdas e vitórias - que belo tema!&lt;br /&gt;Quem escolher? Herói ou heroína? Outro problema.&lt;br /&gt;Visito livros, leio museus, sinto músicas...que dilema!&lt;br /&gt;Assim perdida, olho o papel que me suplica por um poema.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem ter pretexto, recolho o texto, jogo no lixo&lt;br /&gt;Nada há de novo, tudo banal, grito qual bicho&lt;br /&gt;Olho ao redor, lugar não muda, mundo prolixo!&lt;br /&gt;E aos meus pés um sereno olhar me olha fixo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olho bem dentro do olho terno do animal que sabe menos&lt;br /&gt;Mas seus olhos amenos por muito menos atende acenos&lt;br /&gt;Fazem-me parar de sentir esses inúteis medos obscenos&lt;br /&gt;Ora, a inspiração que atenda aos poetas mesmo pequenos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Descobri que nada é novo tudo é uma recriação do que foi feito&lt;br /&gt;A forma de cada um dizer aquilo que já foi dito de outro jeito&lt;br /&gt;É o que torna algo mais artístico, poético, bonito, mais perfeito&lt;br /&gt;Pois mundo é mundo e rola fundo no mais profundo de qualquer peito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Qualquer outra arte que fora do mundo se reproduza&lt;br /&gt;Não é normal, coisa do além, sem autoria e é reclusa&lt;br /&gt;Do homem vivo ainda precisa, pois que se usa&lt;br /&gt;A sua mão pra dar vazão àquela alma com que se cruza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...E continuo sem tema&lt;br /&gt;e agora muito mais confusa.&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12157323-111569935294175951?l=idiossincrasiaspoeticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://idiossincrasiaspoeticas.blogspot.com/feeds/111569935294175951/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12157323&amp;postID=111569935294175951' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12157323/posts/default/111569935294175951'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12157323/posts/default/111569935294175951'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://idiossincrasiaspoeticas.blogspot.com/2005/05/sem-tema-quero-escrever-sobre-algo.html' title=''/><author><name>Reciclagem</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11740487964330304087</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12157323.post-111569927691438112</id><published>2005-05-09T21:26:00.000-07:00</published><updated>2005-05-09T21:27:56.920-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;strong&gt;&lt;em&gt;CANTIGA À BEIRA-MAR&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Sou teimosa que eu só&lt;br /&gt;Não desisto de tentar&lt;br /&gt;Namorando sempre o mar&lt;br /&gt;Às vezes fico com dó&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lancei um olhar prô mar&lt;br /&gt;cansado de tanta maré&lt;br /&gt;-Seu mar, não vai descansar?&lt;br /&gt;-Não posso dar marcha à ré&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;não desanimo, insisti&lt;br /&gt;-seu mar, por que tanto repuxo?&lt;br /&gt;- dos desencantos eu fujo&lt;br /&gt;cantei segredos em mi&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;no rochedo a sonhar&lt;br /&gt;passei a mão em seu peito&lt;br /&gt;muito carinho e respeito&lt;br /&gt;fazendo música em fá&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;sussurrei uma cantiga&lt;br /&gt;dos tempos de arrebol&lt;br /&gt;uma emoção antiga&lt;br /&gt;jogos embaixo do sol&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o mar jogou uma onda&lt;br /&gt;que veio me refrescar&lt;br /&gt;parecia uma ronda&lt;br /&gt;que vai pra cá e pra lá&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;no horizonte assisti&lt;br /&gt;um colorido desenho&lt;br /&gt;Deus estava com empenho&lt;br /&gt;pintando um quadro de Si&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Recolhi-me em oração&lt;br /&gt;deixando o Pintor só&lt;br /&gt;guardando o coração&lt;br /&gt;mortal e feito de pó. Que dó!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Edi Longo,&lt;br /&gt;SBAT 030899&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12157323-111569927691438112?l=idiossincrasiaspoeticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://idiossincrasiaspoeticas.blogspot.com/feeds/111569927691438112/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12157323&amp;postID=111569927691438112' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12157323/posts/default/111569927691438112'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12157323/posts/default/111569927691438112'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://idiossincrasiaspoeticas.blogspot.com/2005/05/cantiga-beira-mar-sou-teimosa-que-eu-s.html' title=''/><author><name>Reciclagem</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11740487964330304087</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12157323.post-111569920379941482</id><published>2005-05-09T21:25:00.000-07:00</published><updated>2005-05-09T21:26:43.806-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;strong&gt;Computando...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acessei a vida&lt;br /&gt;Acessei a ação devida&lt;br /&gt;Acessei rumor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Digitei tudo na memória&lt;br /&gt;Digitei toda a história&lt;br /&gt;Digitei todo clamor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deletei o “creio”&lt;br /&gt;Deletei o feio&lt;br /&gt;Deletei qualquer dor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Salvei o grito da vitória&lt;br /&gt;Salvei o orgulho da glória&lt;br /&gt;Salvei o bom do sabor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lixeirei o “meio”&lt;br /&gt;Lixeirei o receio&lt;br /&gt;Lixeirei todo temor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Computei humanidade&lt;br /&gt;Computei gente e amizade&lt;br /&gt;Computei todo amor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Edi Longo, uma eclética&lt;br /&gt;poeta sem rima ou métrica&lt;br /&gt;apenas ave poética&lt;br /&gt;com asas da cibernética.&lt;br /&gt; &lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12157323-111569920379941482?l=idiossincrasiaspoeticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://idiossincrasiaspoeticas.blogspot.com/feeds/111569920379941482/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12157323&amp;postID=111569920379941482' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12157323/posts/default/111569920379941482'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12157323/posts/default/111569920379941482'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://idiossincrasiaspoeticas.blogspot.com/2005/05/computando.html' title=''/><author><name>Reciclagem</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11740487964330304087</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12157323.post-111569850711536427</id><published>2005-05-09T21:12:00.000-07:00</published><updated>2005-05-09T21:24:16.173-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;AMOR E HONRA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Luzia cantarola uma canção enquanto rega as flores no quintal. Joel entra correndo deixando o pequeno portão aberto. A mãe resmunga, mas ele corre para casa. Intrigada, ela o segue.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;--- Aqui a estas horas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;---Tive uma folguinha e quero trabalhar um pouco naquele projeto. Almoço com a senhora e depois volto para o Banco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;---Não sei como sua mulher agüenta tanto suas vindas aqui. Não faz nem quatro meses que se casaram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;---Mãe, preciso aproveitar o tempo. Tchau!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Joel entra num cubículo através de um alçapão que é encoberto pelo tapete da sala. É técnico em informática e trabalha num grande Banco. Luzia tem o maior orgulho do único filho e procurou, à sua maneira, aceitar a nora. Finge o tempo todo que ela é como se fosse sua filha, mas lá no fundo do peito, sente uma pontinha de ciúmes por ver o seu Joel divido. Ela o queria inteiro pra si, como sempre tinha sido até aparecer "essa"... Bem, o que está feito, feito está. &lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Encaminha-se para o fogão, continuando a cantarolar baixinho, pois não queria atrapalhar o filho no seu maravilhoso projeto. Se este projeto fosse aprovado pelo Banco, Joel estaria com a vida feita. Assusta-se quando vê na porta da cozinha dois policiais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;---Desculpe, Dona Luzia, mas o portão e a porta estavam abertos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;---Entre, rapazes, querem um café? Acabei de fazer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela é muito conhecida no bairro. Famosa pelos seus quitutes e, principalmente, por ser a responsável pela Igreja, onde enfeita a casa divina como se fosse a sua e recebe os fiéis como se fossem seus convidados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;---O Joel está por aqui?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;---Por quê?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;---Dona Luzia, desculpe, mas temos que dar uma olhada na casa. O Joel precisa vir conosco até a Delegacia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;---Por quê?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;---Recebemos uma queixa do Banco. Parece que ele fez uma grande bobagem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;---Como?!? Estão falando do meu filho? Estão falando de Joel de Andrade Viana?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;---Dona Luzia, nós crescemos com o seu filho e o conhecemos bem. Estamos falando dele sim. Então, podemos dar uma olhada?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;---Não entendo como contratam pessoas tão burras para a polícia! E vocês acham que ele iria se esconder aqui?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar de todo o seu discurso, os dois policiais vasculharam tudo. A casa era pequena e a inspeção foi curta. Luzia estava gelada por dentro. De repente, parecia que uma coroa de espinhos tinha sido enfiada no seu peito, não na cabeça. Lembrou do filho pequeno, do seu primeiro dia na Escola, da primeira comunhão, da primeira vez que ela o vira com uma mulher, do namoro com a Jandira e o casamento. Ele estava lindo no altar e ela tinha usado até chapéu! Não derramou uma lágrima e permaneceu impassível. Esperou os policiais saírem; trancou a porta, deu um rápido telefonema e entrou resoluta no quartinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;---Mãe, obrigado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;---O que andou fazendo? Então é aqui o esgoto do rato? E essa tecnologia toda é para conseguir o queijo podre? Por isso não posso nem fazer a limpeza?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;---Mãe, a gente precisava do dinheiro para a sua operação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;---Preferia ter morrido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;---Mãe!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;---Cale a boca e só torne a pronunciar essa palavra quando devolver o que roubou, além do Banco, de seu pai. Quero o nome dele limpo, entendeu?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Luzia se aproxima do filho e o esbofeteia. Joel fica surpreso. Pela primeira vez ele estava sentindo o peso da mão daquela que sempre a usou para o acariciar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;---Por que não me entregou, então?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;---Porque não mexo no que é dos outros e não gosto que mexam no que é meu. Preferia ter continuado seca e estéril e ter mantido você eternamente na escuridão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;---Mas, então, vai me ajudar a fugir?&lt;br /&gt;---Nunca! Eu queria ouvir a verdade de sua boca e eu mesma quero julgar, eu mesma quero olhar dentro dos seus olhos que... Levante os olhos e me olhe dentro da pupila, Joel de Nada! Como pode sujar o que não é seu? A única coisa que seu pai deixou; você pisou, manchou, cuspiu e marcou para o resto da vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;---Eu pensei que me amasse como eu amo a senhora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;---Por amar você demais é que quero você como eu fiz. Limpo. Sem máculas. De cara erguida, nunca com os olhos no chão, Joel de Nada!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;---Mãe, perdão!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;---Eu já disse para me chamar novamente assim quando pagar pelas duas coisas que roubou! E ainda por cima, mentiu pra mim. Disse que tinha conseguido um empréstimo. Mas foi mais fácil tirar para não ter que repor depois, não é? Joel de Nada! A coisa material, conseguirá. A espiritual e imorredoura, fingirei receber de volta. E mesmo assim, será preciso muito sabão nessa cara para que eu possa novamente beijá-la. Vamos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;---Aonde?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;---Aqui está o telefone. Ligue para a polícia e diga que está indo se entregar. Se não fizer isso, eu mesma vou levá-lo debaixo de chicotadas para que fique marcado também no corpo. Escolha: ou vai como homem, ou como cachorro sarnento escorraçado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;---Mãe, eu fiz isso pela senhora!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;---Eu estaria bem melhor ao lado de seu pai. Íntegro e com a honra intacta. Eu sempre disse a você que a única coisa que temos é um nome limpo. Sempre disse que o melhor sono da gente é aquele que acolhe nossos sonhos, não os pesadelos. Sempre disse que uma marca em brasa é definitiva e mesmo que não apareça no corpo, aparece na alma, não disse? Não disse, Joel de Nada? Olhe prá você! Vejo diante de mim um corpo sem nome, uma alma com marca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;---Mãe, por favor! Eu já rezei tanto e estou tentando devolver o dinheiro...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;---Não sou sua mãe, sou sua julgadora, Joel de Nada. De Nada!!! E para mim, você é o culpado, não importa qual o intento do ato, mas sim o caminho que levou para fazê-lo. Mesmo que tenham chegado a Deus suas orações, elas não chegaram até a mim e continuam vagando pela sua consciência suja.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;---Mãe, veja no computador, eu já consegui quase a metade...&lt;br /&gt;---Chega! Mesmo que reponha o dinheiro, quem reporá sua honra? Já que não tem a coragem de agir como um homem honrado, ficará aqui até que a polícia chegue, pois eu mesma vou telefonar. Não grite como um bezerro, pois não quero a vizinhança à janela. Reaja com a frieza dos assaltantes para não sujar ainda mais o nome que não é seu, mas herdado de seu pai. Tenha essa última compaixão para com ele. Ah, já chamei o advogado para acompanhá-lo. A gente se vê quando eu puder olhar você de frente outra vez, apesar da mancha que ficará entre nós.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Luzia sobe a pequena escada como se estivesse carregando o peso de toda a sua vida. Tranca a pequena abertura. Em sua frente uma tela teima em mostrar imagens do passado. A gravidez conseguida depois de anos tentando. A permanência na cama para não perder aquele filho tão desejado. O enxoval feito com suas próprias mãos. O nascimento tão esperado. O primeiro choro. O primeiro contato em seu peito. Sentiu-se sugada e automaticamente tocou os próprios seios. Ah, se pudéssemos adivinhar o que existe atrás de um olhar infantil! Preferia nunca ter tido um filho agora. Sentia-se como se a morte estivesse mamando em seu peito e como um aspirador estivesse sugando também a sua alma. Nem percebeu quando os policiais entraram. Jandira entra junto e se ajoelha diante dela, agarrando-a pelos joelhos. Luzia a afasta delicadamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;---Acho bonito a mulher defender o seu homem. Obrigada por defender o seu marido, que há pouco perdi como filho. Assim é que tem que ser. Eu defenderia o meu homem até no inferno, mas jamais por falha de caráter.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;---Como pode fazer isso com ele?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;---Ele fez isso com ele, não eu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;---A senhora vai deixar que ele vá preso? Ele vai morrer na prisão!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;---Ele estará mais morto fora dela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dirige-se calmamente para os policiais e entrega as chaves, indicando o local.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;---Podem levá-lo. Não precisa algemas. Ele já se amarrou em si mesmo. Não reagirá. Apesar de tudo, conheço bem a minha criação. Meu julgamento foi imparcial. Vão. Quando saírem, não liguem as sirenes. Pelo amigo, ajam em silêncio. Apenas um silêncio velado, como o silêncio da morte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todos saem. Luzia fecha as portas e janelas. Cantarola baixinho sua música preferida: uma canção de ninar. Senta-se numa cadeira de balanço e deixa-se banhar pelas lágrimas que correm como uma represa aberta, mas sem finalidade. Para quem agora dará a sua luz?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12157323-111569850711536427?l=idiossincrasiaspoeticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://idiossincrasiaspoeticas.blogspot.com/feeds/111569850711536427/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12157323&amp;postID=111569850711536427' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12157323/posts/default/111569850711536427'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12157323/posts/default/111569850711536427'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://idiossincrasiaspoeticas.blogspot.com/2005/05/amor-e-honra-luzia-cantarola-uma-cano.html' title=''/><author><name>Reciclagem</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11740487964330304087</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12157323.post-111569827899423548</id><published>2005-05-09T21:07:00.000-07:00</published><updated>2005-05-09T21:11:19.006-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt; &lt;strong&gt;A FLOR DO CACTO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O dia já ia alto quando avistou o pequeno vilarejo. Estava cansada, viajara direto as quatro últimas horas. Antes de entrar no lugar, parou o carro para olhar embevecida o véu de noiva de uma cachoeira cantora que se estendia à frente. O peito aspirou com força o cheiro da mata. Pensou com mágoa no motivo que a levou para tal lugar. Aliás, pegou um mapa, fechou os olhos e parou o dedo. Quando os abriu lá estava o nome: Vila Cheirosa. Apaixonou-se de imediato. Removeria o mundo para encontrá-la. E lá na frente tinha uma placa dando-lhe as boas vindas com este nome romântico acimando-a.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deitou-se na relva macia e ficou pensando no que faria nos dias seguintes. Nada, ora. O que viera fazer? Encher-se de nada. Encher-se apenas daquilo que não a lembrasse de nada. Tinha trinta anos, era bonita, tinha um mês de férias, uma boa grana e, no passado, apenas um idiota perdido entre papéis inúteis que não soubera dar a ela o justo valor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;---Boas, posso ajudar a moça?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os últimos raios solares deixavam-na apenas enxergar o brilho de um olhar matreiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;---Desculpa,  mas a moça tá precisando de ajuda?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Levantou-se rápida como se estivesse sido pega em algum flagrante delito e respondeu mais rápida ainda: não, obrigada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;---Não se assuste, moça, mas pensei que...vendo o carro parado e a senhora aí mais parada ainda, pensei que...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;---Obrigada, já disse. Está tudo bem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entrou no carro e disparou em direção ao vilarejo. Precisava encontrar um lugar para ficar. Estivera tão excitada com a viagem que nem pensara no assunto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O vilarejo parecia uma paisagem antiga, daquelas que temos num canto qualquer de uma casa de campo. Casas coloridas; ruas com pedras regulares; árvores numa pequena praça; uma Igreja Católica; um pequeno coreto; um pequeno cinema e, claro, uma "Casas Pernambucanas", um "Banco do Brasil" e uma "Agência dos Correios". Inútil, como ela se sentia. Não mandaria cartões postais para ninguém. Aliás, viera ali para não ter obrigação nenhuma com ninguém.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deu uma volta na praça e nem sinal de um hotel. Um logotipo familiar chamou-lhe a atenção. Ao se aproximar não pode deixar de dar uma sonora gargalhada: ao invés de uma famosa cadeia de lanchonetes, o "M" significava ManéLanche, mas o desenho era escandalosamente copiado. Pensou que seria genial se fosse o famoso palhaço, pois iria cobrar uma multa igualmente escandalosa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entrou e uma senhora simpática, com apenas dois dentes na frente, sorriu-lhe banguelamente amável indicando o outro lado da praça onde, com a maior boa vontade do mundo e melhor visão ainda, podia-se ler em manuscrito: Grande Pousada Cheirosa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;---Acho que agora precisa de ajuda, moça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;---O senhor novamente?&lt;br /&gt;---O seu quarto já está limpo e o chuveiro é bem honesto, pode acreditar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;---E pode acreditar que vou procurar outro lugar para ficar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;---A não ser que a moça tenha uma barraca para acampar. Essa é a única pousada que temos e está à sua disposição. Vamos, deixe-me pegar as malas do carro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deu-se por vencida. Não tinha nenhuma barraca e a pousada era bastante agradável, coisa que não acontecia com as dores de suas pernas cansadas. A cama era macia, o quarto semi-escuro. Não deixou de admirar as flores silvestres colocadas num vasinho.  Sem dúvida, colhidas ainda há pouco pelo seu anfitrião de olhos brilhantes. Ficou observando aquele homem forte que trazia suas malas como se parecessem duas folhas de papel.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;---Onde estão os demais?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;---Não temos os demais. Mas não se preocupe que a comida é muito gostosa e já mandei providenciar o seu jantar. Gosta de arrumadinho?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;---Arrumadinho?!?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;---Nosso prato regional. Vai gostar. E depois do banho, pode se refrescar com uma cerveja mais do que gelada. É só ir até à cozinha que estarei lá. Fique a vontade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sentou-se na beirada da cama e não pode sentir um tremor. O que diriam seus amigos se a vissem naquele pequeno vilarejo, numa pousada onde era a única hóspede?&lt;br /&gt;Pegou o pequeno mapa da bolsa e foi procurar o tal homem na cozinha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele estava sentado numa pequena mesa, tomando uma cerveja. O cheiro no ar era agradável. A cozinha era bem limpa e arrumada para duas pessoas, com um vaso com as mesmas flores do seu quarto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;---Acho que vou para essa cidade aqui. Pode me dizer como faço para chegar lá?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;---A chuva derrubou várias barreiras. Se quiser sair daqui, só se voltar por onde veio. Vamos, tome.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A cidade mais próxima quando viera ficava, pelo menos, há umas duas horas. Sentiu um tremor, mas agora era só cansaço. Sentou-se e sorveu num só gole o copo gelado gentilmente oferecido. Ficou com os olhos parados em lugar nenhum, tentando arrumar um assunto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;---Essas flores são tão diferentes!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;---São flores de cactos. Dão raramente e somente nesta época. Está fugindo dele por que?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;---Como?!?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;---Uma moça bonita como você para ter-se metido numa aventura dessas com certeza está fugindo de algum homem mais do que idiota. E olhe que os pneus da frente estão mais do que careca, sabia? Correu um sério risco. Amanhã providenciarei novos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;---Ah, ah, ah, tem razão: ele é mais do que um idiota. E eu sou muito mais do que ele.  Mais do que obrigada pelos pneus. Mas onde está a cozinheira?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;---Aqui à sua frente. E não precisa ficar imitando os meus "mais do quês", tá?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando viu, já estavam conversando como se fossem os maiores amigos do mundo. Ele era um agrônomo que também fugira de uma desilusão. Abandonou o burburinho de Salvador e resolvera trabalhar no interior do Estado. Era contratado pelos poucos sitiantes das redondezas. A Vila Cheirosa só tinha aquela pousada que estava mal cuidada e por uns poucos reais a comprara, transformando-a num lugar aconchegante. Os poucos hóspedes apareciam nas épocas de vaquejadas, quando os peões passavam por ali para levarem a boiada para ser negociada. Havia também a época de rodeios, as festas dos santos. Fora isso, aquele era seu lar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ficou, de repente, como que hipnotizada por aquele homem. Tinha uma beleza rude. Cabelos desalinhados, rosto quadrado, dentes perfeitos.  Tinha as mãos grandes e bem feitas. Os músculos bem definidos, não por freqüentar academias e sim pelo trabalho. Ele falava macio, com um sotaque gostoso e quando ria, os olhos riam junto. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele abaixou o olhar quando percebeu que estava sendo analisado e se levantou para pegar a décima latinha. Não pode deixar de olhar para as nádegas: redondinhas como duas laranjas. Quase gargalhou lembrando desse comentário que uma amiga sempre fazia quando via uma bunda bem feita de homem. Depois dizem que os homens é que gostam de bunda!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;---É a última, obrigada. A comida estava saborosa. Você cozinha muito bem. Agora só quero tomar aquele bom banho e dormir como nunca fiz na minha vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;---Amanhã preciso visitar alguns lugares a trabalho. As últimas chuvas foram bem-vindas, mas deixaram alguns estragos. Se quiser vir junto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;---Acho que não vou conseguir acordar cedo. Não quero atrapalhar, obrigada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas acabou indo. Os cabelos soltos ao vento no jipe dele. A paisagem local era estranha: umas árvores que começavam a florir, uns poucos animais silvestres e várias plantações de cactos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;---Por que tantos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;---Para alimentar os animais quando a chuva não vier. Eles contêm água e têm a força suficiente para alimentar qualquer porte de animal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na volta, pararam na cachoeira. Ele sem qualquer hesitação tirou a roupa e se jogou na água. Ela ficou parada, sentando na grama, observando aquele corpo que se movimentava como se fosse uma onda do mar. Parecia ter a força de um cacto que alimentava qualquer porte de animal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais adiante se encantou com um cacto solitário que tinha uma flor bonita no seu ápice. Levantou-se e foi observar mais de perto. A flor parecia não ter nascido, mas sim ter sido fecundada por aquele cacto másculo e forte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olhou para o homem na lagoa e a comparação foi mais que imediata. Ele, ao mesmo tempo em que era um produto bruto da natureza, como o cacto, também sabia ser gentil e suave, como as flores que colocara no vaso do quarto e na cozinha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De repente, imaginou-se entre aqueles braços, sendo acariciada por aquelas mãos fortes, sendo beijada por aqueles lábios carnudos e... Nossa, estava se comportando como uma vagabunda no cio. Mas, não podia negar o calor que sentia diante dos pensamentos de se sentir amada por aquele homem. Não!!! Viera para esquecer os problemas, não para obter mais um. Aquela flor do cacto podia-se dar porque pertencia à natureza e era ingênua como um animal: mas ela pertencia às convenções. Ela tinha consciência de seu papel social. Sabia optar e era dona de suas vontades. Entrou no jipe, esperando-o.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;---Não devia perder tanto tempo em pensar. O que quer que tenha acontecido, dê um chute no que passou e se entregue ao presente. Às vezes, perdemos tanta coisa boa na vida por excesso de análises. E se estava pensando no que eu pensei ontem a noite inteira, empatamos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;---O quê?!?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;---Ah, ah, ah, estava brincando. Vamos, entre na água que não me aproximarei de você nem um milímetro, palavra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;---Não! Preciso dar uns telefonemas. Vamos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;---Tome a chave. Vou ficar um pouco mais para refrescar o ardor de meus pensamentos noturnos. A gente se vê mais tarde.&lt;br /&gt;Entrou na pousada e foi direto para o chuveiro para também refrescar, mas os seus pensamentos, como diria ele no seu sotaque delicioso, mais que presentes. Enrolou-se num roupão e desceu até à cozinha para pegar uma latinha de cerveja. Estava geladíssima.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sentou-se à mesa e ficou tentando rememorar os seus últimos dias no trabalho, mas não conseguia lembrar de nada. Tentou lembrar o porquê que se desgastara tanto com o namorado, mas não conseguia nem lembrar direito porque tinha ficado tão ofendida!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que droga, só conseguia visualizar aquelas formas de homem nadando naquele lago. Só conseguia visualizar aquela flor incrustada, sendo possuída por um cacto. Adoraria ser apenas aquela flor. Adoraria ser apenas fecundada por um cacto e ficar eternamente naquela paisagem sendo útil para a alimentação de outro animal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nem se voltou quando sentiu a mão dele em seu pescoço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vestiu-se de cores múltiplas e tenras como aquela flor e, ternamente, deixou-se possuir pelo seu cacto viril e bruto.  E intimamente agradeceu àquela flor do cacto por tê-la ensinado a se abandonar à força dos instintos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o espaço se encheu de sons, seus ouvidos só tinham sentidos para as palavras meigas que aquele cacto dizia; suas mãos eram avassaladoras; seu sexo, masculinamente gentil. E, assim, tomou-se de poesia e se transformou ela também numa simples flor que permaneceria para sempre dentro daquele cacto selvagem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contam os nativos de Vila Cheirosa que os cactos em que as flores sobrevivem muito tempo são raros e, aquele cacto com sua flor incrustada no lago era, segundo a lenda local, um homem e uma moça forasteira que ficaram imortalizados para sempre naquela paisagem nordestina e árida, eternamente amantes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Claro que ela achou muito terna a história; riu da ingenuidade do povo, mas vestiu-se da carapuça, calou a voz do passado e nunca mais saiu de lá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12157323-111569827899423548?l=idiossincrasiaspoeticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://idiossincrasiaspoeticas.blogspot.com/feeds/111569827899423548/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12157323&amp;postID=111569827899423548' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12157323/posts/default/111569827899423548'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12157323/posts/default/111569827899423548'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://idiossincrasiaspoeticas.blogspot.com/2005/05/flor-do-cacto-o-dia-j-ia-alto-quando.html' title=''/><author><name>Reciclagem</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11740487964330304087</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12157323.post-111568129246816971</id><published>2005-05-09T16:26:00.000-07:00</published><updated>2005-05-09T16:28:12.473-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt; &lt;strong&gt;Paisagens noturnas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Antes que o dia desperte e o sol entre pelas frestas&lt;br /&gt;antes que o primeiro som ensurdeça os ouvidos&lt;br /&gt;preciso colher palavras, beber fonemas e sílabas&lt;br /&gt;para percorrer minhas paisagens esquecidas&lt;br /&gt;num canto qualquer do pensamento e da fantasia&lt;br /&gt;escrever é como adentrar por inteiro num silêncio&lt;br /&gt;a imaginação e a criatividade se negam a doar-se&lt;br /&gt;se não estou só dentro de mim mesma e no dentro das coisas&lt;br /&gt;senão,  perco as sensações que necessito para criar&lt;br /&gt;espero ansiosa o momento mágico que me encontro&lt;br /&gt;com minhas palavras e sílabas e fonemas para&lt;br /&gt;aquecer o meu peito de emoção e assim&lt;br /&gt;na quietude de meu íntimo, busco a forma&lt;br /&gt;que melhor possa descrever as emoções que vão surgindo&lt;br /&gt;como se fossem gigantescas ondas havaianas&lt;br /&gt;que entornam o líquido precioso das palavras&lt;br /&gt;na praia branca de minha imaginação&lt;br /&gt;espero, assim, o silêncio das bocas, o sono abençoado&lt;br /&gt;dos homens cansados da rotina  torpe e sombria&lt;br /&gt;e no recanto de mim mesma, deixo percorrer na&lt;br /&gt;tela do meu cinema particular e imaginário&lt;br /&gt;as paisagens mundanas que ajudo a enfeitar&lt;br /&gt;e crio versos, e choro, e rio e me transformo no que sou:&lt;br /&gt;poeta. Que só sabe viver só.&lt;br /&gt;(em grupo se dispersa)&lt;br /&gt;e só sabe encontrar-se na noite, nunca no dia&lt;br /&gt;onde passeia vagabundo e perdido pelas ruas da poesia&lt;br /&gt;percorrendo mundos alheios de personagens inventados&lt;br /&gt;que habitam, como fantasmas, minhas paisagens noturnas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Edi Longo, Agosto de 2002.&lt;br /&gt;SBAT 030899&lt;br /&gt; &lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12157323-111568129246816971?l=idiossincrasiaspoeticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://idiossincrasiaspoeticas.blogspot.com/feeds/111568129246816971/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12157323&amp;postID=111568129246816971' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12157323/posts/default/111568129246816971'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12157323/posts/default/111568129246816971'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://idiossincrasiaspoeticas.blogspot.com/2005/05/paisagens-noturnas-antes-que-o-dia.html' title=''/><author><name>Reciclagem</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11740487964330304087</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12157323.post-111568118221581898</id><published>2005-05-09T16:24:00.000-07:00</published><updated>2005-05-09T16:26:22.246-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Que pena!&lt;br /&gt; &lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Tenho pena&lt;br /&gt;de quem não sonha&lt;br /&gt;tenho tanta pena&lt;br /&gt;de quem não se ama!&lt;br /&gt;Tenho muita pena&lt;br /&gt;de quem não molha a fronha&lt;br /&gt;tenho muito mais pena&lt;br /&gt;de quem não se inflama!&lt;br /&gt;Quem não se inflama&lt;br /&gt;não umedece a fronha&lt;br /&gt;pois não ama&lt;br /&gt;e não sonha.&lt;br /&gt;Apenas tem pena&lt;br /&gt;qual pássaro que voa&lt;br /&gt;com a asa partida&lt;br /&gt;pena pela vida&lt;br /&gt;que pena,&lt;br /&gt;à toa!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Edi Longo, SBAT 030899&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;SP., maio de 78.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12157323-111568118221581898?l=idiossincrasiaspoeticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://idiossincrasiaspoeticas.blogspot.com/feeds/111568118221581898/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12157323&amp;postID=111568118221581898' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12157323/posts/default/111568118221581898'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12157323/posts/default/111568118221581898'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://idiossincrasiaspoeticas.blogspot.com/2005/05/que-pena-tenho-pena-de-quem-no-sonha.html' title=''/><author><name>Reciclagem</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11740487964330304087</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12157323.post-111568096615209857</id><published>2005-05-09T16:21:00.000-07:00</published><updated>2005-05-09T16:22:46.156-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#3366ff;"&gt;BARCO NA TEMPESTADE&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As velas estavam agitadas&lt;br /&gt;o vento uivava um grito lancinante&lt;br /&gt;ele, meu coração marinheiro,&lt;br /&gt;jogava-se pra lá e pra cá&lt;br /&gt;cuidando para não cair na fúria do mar&lt;br /&gt;o barco ia afundar&lt;br /&gt;meu coração ia boiar&lt;br /&gt;como uma tora de madeira&lt;br /&gt;que nunca chega na praia&lt;br /&gt;perdendo-se numa ilha qualquer&lt;br /&gt;limpei a testa do medo&lt;br /&gt;e alinhavei os pensamentos&lt;br /&gt;endireitando-os&lt;br /&gt;a tempestade passaria&lt;br /&gt;como os segundos, os minutos, as horas, os dias&lt;br /&gt;tudo passa&lt;br /&gt;por que não essa ventania?&lt;br /&gt;Levantei, caí, escorreguei&lt;br /&gt;segurei na âncora&lt;br /&gt;sobrevivi&lt;br /&gt;o sol saiu&lt;br /&gt;acalmando meu ciclone&lt;br /&gt;sorri novamente&lt;br /&gt;e acariciei meu barco&lt;br /&gt;que estava novamente à deriva!&lt;br /&gt;Estou viva!&lt;br /&gt;Viva!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Edi Longo,&lt;br /&gt;Tropeçando, mas sempre se erguendo.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12157323-111568096615209857?l=idiossincrasiaspoeticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://idiossincrasiaspoeticas.blogspot.com/feeds/111568096615209857/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12157323&amp;postID=111568096615209857' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12157323/posts/default/111568096615209857'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12157323/posts/default/111568096615209857'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://idiossincrasiaspoeticas.blogspot.com/2005/05/barco-na-tempestade-as-velas-estavam.html' title=''/><author><name>Reciclagem</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11740487964330304087</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12157323.post-111567888752193760</id><published>2005-05-09T15:44:00.000-07:00</published><updated>2005-05-09T15:48:07.526-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt; SEXTO QUADRO&lt;br /&gt;A TORRE DE BABEL&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha filha Bruna tinha apenas três anos e nove meses quando fomos vítimas de um atentado. Além dos vários buracos de balas na traseira do carro, ficou apenas o susto. Meu, evidente, porque ela pensou ter sido uma brincadeira de mocinho e bandido e adorava contar para todo mundo. &lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Na semana seguinte,  iríamos para Boston encontrar o meu marido que estava fazendo um curso de especialização e durante todo o trajeto da viagem insisti para que não contasse nada ao pai.  Esse foi o meu erro. Ela sempre fazia o contrário do que eu pedia e assim que ele a abraçou, contou a história à sua maneira. &lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Eu, meio desconcerta, disse a ele que devia ter visto aquilo na televisão e, lógico, fui repreendida por deixá-la acordada até tarde. Isso era péssimo para a educação das crianças. Engoli a seco, olhando-a com aquele característico balançar de cabeça, tipo: você me paga!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao chegar no apartamento do pai, ela ligou a televisão e ficou feliz ao reconhecer os seus amiguinhos de desenho animado, mas...mãe, por que não falam certo? Parecem birutas! Expliquei que em Boston, falava-se o inglês. Mas que droga, retrucou colocando as duas mãozinhas na cintura:  mas por que?  Tentei, agora à minha maneira, contar a história da Torre de Babel, e o resultado foi: como os homens antigos eram burros, não mãe? Seria mais fácil uma língua só, mas então, porque não trouxe a televisão do meu quarto, ela fala português! Apenas ri, claro, teria que explicar muitas outras coisas do mundo da cibernética, isso já era para um Phd em ondas magnéticas e com psicologia infantil!&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Dois dias depois, estávamos no "playground" do prédio, quando me distrai cuidando do meu filho menor e,  depois de alguns minutos senti a falta dela. Fui até uns brinquedos que estavam espalhados pelo pequeno parque e qual não foi a minha surpresa ao surpreendê-la conversando muito brava com uma garotinha que estava com um cachorrinho no colo. &lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Aproximei-me espantada. Como estavam se entendendo? Ela, ao me ver, aproximou-se e disse: mãe, como essa menina é burra, parece os homens antigos lá daquela torre.  Apontando o dedinho para o animal, disse séria: eu digo que é cachorro e ela diz que é um tal de dog.  Que pena que no avião não deixam trazer cachorro para eu provar, né?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Definitivamente, acho que a minha história da tal Torre não a tinha convencido, mas ela não deixa de ter razão, como os antigos eram burros, ou achavam que nós do futuro seríamos. Quando não tinham explicação lógica para uma determinada coisa, pronto: lá vinham com aquelas historinhas de Adão e Eva, Arca de Noé, etc...  Ou será que nós é que somos bisbilhoteiros demais e adoramos perder horas pesquisando qualquer assunto? &lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;É...e com toda nossa sabedoria, acabamos perdendo a ingenuidade infantil que nos antigos parecia ser eterna!&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12157323-111567888752193760?l=idiossincrasiaspoeticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://idiossincrasiaspoeticas.blogspot.com/feeds/111567888752193760/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12157323&amp;postID=111567888752193760' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12157323/posts/default/111567888752193760'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12157323/posts/default/111567888752193760'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://idiossincrasiaspoeticas.blogspot.com/2005/05/sexto-quadro-torre-de-babel-minha.html' title=''/><author><name>Reciclagem</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11740487964330304087</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12157323.post-111567863368580890</id><published>2005-05-09T15:37:00.000-07:00</published><updated>2005-05-09T16:21:28.056-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;QUINTO QUADRO&lt;br /&gt;DIAS NEGROS&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Mamãe, a senhora tá dormindo?&lt;br /&gt;-Não, filha, se pergunta é porque sabe que não.&lt;br /&gt;-Se agora a gente tem dinheiro, por que comemos ovo novamente? Sabe, daqui a pouco todo mundo vai estar piando. Não consigo dormir de tanta vontade de comer a galinha também. Se bem, que...se a gente come a galinha fica até sem o ovo, mas...&lt;br /&gt;-Ah, filha, fique quietinha que o sono vem. Lembra dos carneirinhos com a cerquinha branca? Pois conte vários.&lt;br /&gt;-Nossa! Carne de carneiro deve ser uma delícia, né? Apesar de que eu morro de dó. Os meus parecem um monte de cachorrinhos branquinhos. Mas, mamãe, se a gente agora está rica, por que...&lt;br /&gt;-Mas quem lhe disse que a gente agora está rica, filha!&lt;br /&gt;-Ora, o papai não roubou um banco?&lt;br /&gt;-Filha, pelo amor de Deus, o seu pai não roubou nada. Ele foi preso porque pensa diferente de outras pessoas, entendeu? Fique quieta, senão você vai para o seu quarto e com a luz apagada!&lt;br /&gt;-É...cortaram até a luz! Não dá nem prá ler. Então todo mundo tem que pensar igualzinho?&lt;br /&gt;-Não, claro que não, mas tem certas pessoas que acham que só o que elas pensam é que está certo e se alguém, como o papai, não acredita em suas verdades, quero dizer, no que elas dizem...&lt;br /&gt;-Ai, ainda bem que a senhora não é da polícia.&lt;br /&gt;-Por que, Edi?&lt;br /&gt;-Tem um monte de coisas que eu penso diferente da senhora, mas sabe...não tenho vontade de voltar às aulas de catecismo. Penso tão diferente do Padre Pedro. Não acredito nem um pouco naquela história da Virgem Maria e...&lt;br /&gt;-Filha, isso é pecado! Não me faltava mais nada, meu Deus, outro ateu na família!&lt;br /&gt;-Ai, ainda bem que Deus também não é da polícia, né mãe, senão eu tava fodida.&lt;br /&gt;-Fodi...o quê?!? Edi, onde aprendeu isso?&lt;br /&gt;-Na escola, todo mundo fala. Está até escrito no banheiro das meninas.&lt;br /&gt;-Ai meu Deus, isso é horrível, filha. Nunca mais nem pense nessa palavra. É pecado!&lt;br /&gt;-Mas, se todo mundo fala é porque pode.&lt;br /&gt;-Não, Edi, nem tudo o que se diz é porque pode ser dito.&lt;br /&gt;-Não entendo isso. Por que? Então, todo mundo devia ter nascido mudo.&lt;br /&gt;-Acabei de falar que seu pai foi preso porque disse certas coisas que não pode e não se esqueça que Deus lê até os pensamentos.&lt;br /&gt;-Nossa, como Ele consegue? Bem, se Ele não é da polícia, não tem importância.&lt;br /&gt;-Mas se seu pai ouvir você falando isso, vai lhe dar umas boas palmadas, viu?&lt;br /&gt;-Sabe, mãe, a senhora parece até que tem medo de Deus. Ele não tem que ser bonzinho? Eu acredito em Jesus porque gosta de crianças e adoro a oração do Chiquinho!&lt;br /&gt;-Que Chiquinho?&lt;br /&gt;-O de Assis, ora.&lt;br /&gt;-Você realmente me surpreende, onde já se viu tanta intimidade assim com um Santo? Isso é pecado, filha!&lt;br /&gt;-Imagina, o Chiquinho adora animais, pensa que não sei? E por que não iria gostar de criança? Isso é outra coisa que eu não entendo: o meu pai foi preso porque pensa. Todo mundo não pensa? Eu penso prá chuchu. Então é proibido pensar?&lt;br /&gt;-Claro que não, mas nem todo pensamento pode sair às claras. Muita coisa você tem que engolir. Estamos vivendo dias negros, querida. Quando for grande, você vai entender. Agora, reze para o seu Chiquinho e durma. Vamos esperar por dias com menos nuvens.&lt;br /&gt;-Mamãe, o moço da rádio disse que não vai chover e eu já recolhi toda a roupa do varal, mas o que o papai pensa? Se estivesse aqui, ia perguntar prá ele.&lt;br /&gt;-Ora, ele acha que todos são iguais e merecem melhores condições de trabalho; merecem terras para cultivar; merecem melhor educação; melhores hospitais, melhores...&lt;br /&gt;-E isso é errado e tão feio assim?&lt;br /&gt;-Edi, pelo amor de Deus, vá dormir que eu tenho um monte de roupas para costurar amanhã logo cedinho. Colabora, filha!&lt;br /&gt;-Engraçado, mas eu também penso igual ao meu pai. Por que a Luciana tem tanta roupa bonita e eu não? Por que a senhora tem que costurar tanta roupa para a mãe dela e me faz vestidos com as sobras? E já que a senhora não é da polícia é bom que saiba que eu detesto aquele vestido que tem um monte de emendas. Detesto o meu sapato que não combina com nada, nem com o jornal do buraco. Detesto papel de pão ao invés de caderno, sabia?&lt;br /&gt;-Oh, meu amor, não precisava botar fogo no coitado do vestido. A gente teria dado para outra criança. Você sabe que detesto desperdício.&lt;br /&gt;-Desperdício do quê?!? Isso é que não. Por que acha que a outra criança iria gostar daquilo? O meu pai tem razão. Se todo mundo é gente, porque alguns parecem tão diferentes?&lt;br /&gt;-Filha, você é muito pequena ainda para entender essas coisas, mas acontece que o mundo existe há bilhões de anos e agora fica difícil entender como foi feita a sua divisão. Assim, a sociedade foi se, ai meu Deus, como vou explicar...&lt;br /&gt;-Se não souber, não precisa, mamãe. As pessoas grandes às vezes são tão complicadas!&lt;br /&gt;-Bem, desde que o mundo é mundo, existe o miserável, o pobre, o mais ou menos e o rico, entendeu?&lt;br /&gt;-Não. E acho que meu pai que não é nenhuma criança, também não entendeu até hoje, tanto é que foi preso. E se ele foi preso porque não quer entender isso, eu quero ser presa também. Você me leva na cadeia amanhã? Bem, a sua bênção, mamãe, não fique triste. Pelo menos o ovo de amanhã vai ficar só pra você.&lt;br /&gt;-Boa noite, filha e que Deus te abençoe e guarde. Agora só me resta rezar, além de contar mil carneirinhos!&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12157323-111567863368580890?l=idiossincrasiaspoeticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://idiossincrasiaspoeticas.blogspot.com/feeds/111567863368580890/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12157323&amp;postID=111567863368580890' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12157323/posts/default/111567863368580890'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12157323/posts/default/111567863368580890'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://idiossincrasiaspoeticas.blogspot.com/2005/05/quinto-quadro-dias-negros-mame-senhora.html' title=''/><author><name>Reciclagem</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11740487964330304087</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12157323.post-111567824651525706</id><published>2005-05-09T15:28:00.000-07:00</published><updated>2005-05-09T15:37:26.546-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt; QUARTO QUADRO&lt;br /&gt;UMA INÊS PRA LÁ DE VIVA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ouvi o barulho da chave na entrada da cozinha e me fiz de morta, fingindo não ter escutado. Inês, a minha empregada já estava colocando o avental, quando lhe pedi para olhar  para o relógio. &lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;---Ora, dona Edizinha, sabe...o meu menino...&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;---Pode parar Inês! Olha, que Deus pode lhe castigar e esse menino vai acabar morrendo, tantas foram as vezes que você disse que ele teve problemas. Pelos meus cálculos o coitado é um hospital de doenças. &lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;---Vira  essa boca prá lá,  mas na verdade...sabe, o coitado do...&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;---Inês, por favor, para você chegar no meio da manhã, eu preciso de uma explicação muito convincente. &lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;---Nossa, como é que a senhora adivinhou? Então, o Vicente...&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;---Inês, eu não acredito que você estava até agora com o seu marido. &lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;---Não! Quero dizer, sim...sabe ele está novamente desempregado e o coitado precisava...&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;---Transar para se sentir aliviado da porra da vida, é isso? Pode dar o fora. Até amanhã e,  se possível, às oito em ponto como é o seu horário. &lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;---Ai, dona Edizinha, a senhora está me mandando embora, logo agora que o Vicentinho está desempregado? Que maldade! &lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;---Não Inês, eu estou dispensando você pelo resto do dia, pois a esta altura, eu já fiz todo o seu serviço. Pode ir aliviar a porra do porra do seu marido. Aliás, venha cá. Está vendo esse vaso? Pois é, aí é o lugar certo dele. O revisteiro fica à direita, não à esquerda. Venha cá, está vendo a cama? Já que gosta tanto de diminutivos, veja: nunca ela esteve tão esticadinha,  parecendo carinha de adolescente, sem nenhuma ruguinha, percebeu? De rugas já chegam as minhas.  Está ouvindo aquele barulhinho irritante, tipo, tssssss....tssss....tssss...? Pois é o feijão nosso de cada dia que já está cozinhando sob pressão, como alta está ficando a minha. Aquele outro barulho: é a máquina de lavar que já está no enxágüe e agora, vá prá puta que a pariu antes que eu deságüe mais merda em cima de você. &lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;---Nossa, Dona Edizinha, a senhora... &lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;---E pare de me chamar de Edizinha, cazzo! Edi já é um diminutivo de Edileuza, aliás, nome este que eu detesto.  Edizinha é uma redun...Ah, deixa prá lá, só me faltava agora dar uma aula particular de Português e de graça! Até amanhã! Out! Fora! Arrivideci!  &lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;---Nossa, Dona Edi, acho tão chique quando a senhora fala em português das estranjas...&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;---Inês, dê o fora antes que eu comece realmente a falar em grego! &lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;---Ai, meu Deus a senhora está fazendo aquela alcatra no forno que fica uma maravilha? Eu não acredito! Ai, que cheiro, hum!!! Nossa, sou  louca, principalmente pelas batatas que...&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;---Inês, você, como a outra da epopéia, em segundos será morta! &lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;---Eu não moro na Pompéia, quem me dera!&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;---Ai meu saco! Esperaí...Você não está querendo que eu a convide para almoçar, está? &lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;---Ora, Dona Edi, por que não? Depois eu arrumo a cozinha, uai! &lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;---Inês, Deus é testemunha que eu não sou capaz de negar jamais um prato de comida para um cristão, mas vou lhe confessar uma coisa: se você comer um pedaço desta alcatra vai cair fulminada, tal é a raiva que eu estou em ter perdido metade do expediente no trabalho por sua causa.  Depois dizem que o país está com não sei quantos milhões de desempregados. Dá o fooooraaaaaaa, caaaceeeetaaaa!!! &lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;---Olha, Dona Edileuzinha, cuidado, heim?  Por  muito menos o seu Cláudio ganhou aquele monte de pontes no coração! Parece até o cebolão do Maluf! &lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;---Innnnêêêssss!!!&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;---Ai, credo, tá bom vai, que gente mais estressada. Gudi bói!&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Confesso, extasiada, que aquela batida de porta foi o som mais agradável que já ouvi na minha vida. Ei, espera aí, a filha da puta, além de falar "good bye" errado,  ainda me chamou de...Edileuzinha?!? &lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Ah, amanhã ela me paga.&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12157323-111567824651525706?l=idiossincrasiaspoeticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://idiossincrasiaspoeticas.blogspot.com/feeds/111567824651525706/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12157323&amp;postID=111567824651525706' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12157323/posts/default/111567824651525706'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12157323/posts/default/111567824651525706'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://idiossincrasiaspoeticas.blogspot.com/2005/05/quarto-quadro-uma-ins-pra-l-de-viva.html' title=''/><author><name>Reciclagem</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11740487964330304087</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12157323.post-111567766046148998</id><published>2005-05-09T15:24:00.000-07:00</published><updated>2005-05-09T15:27:40.466-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt; TERCEIRO QUADRO&lt;br /&gt;O BEIJO DO PRÍNCIPE&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; O grande problema que eu tinha com os filhos pequenos era  que: enquanto a menina, com apenas dois anos saíra das fraldas na maior facilidade; o menino parecia achar que elas faziam parte de sua bunda até os cinco anos. Enquanto ela jogara, voluntariamente, a chupeta pela janela; ele pensava que a mesma era um apêndice de sua boca, mas, tudo bem...como dizem os antigos,  os dedos das mãos não são iguais e vieram juntos com a gente. Paciência. &lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;E fui me acostumando em administrar tanta diferença em apenas dois seres humanos tão pequenos e tão cheios de vontades próprias. Bem, para aquietar as minhas preocupações pensava que,  no fundo, todos queremos apenas que sejam humanos respeitáveis e respeitadores, mas no mínimo com o mínimo de discernimento higiênico, pô!&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Por isso, a coisa mais surpreendente  era que a menina gastava tubos e tubos de pasta de dente;  claro que, às vezes, quando eu me distraía, engolia a metade, enquanto o  menino se escondia feito um cachorrinho na hora da escovação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aí, resolvi o problema do meu jeito. Na hora de ambos dormirem, como sempre,  fui contar uma historinha e na hora que o Príncipe Encantado deu o beijo ressuscitador na Bela Adormecida, fiz o maior suspense do mundo, perguntando, de propósito somente para a minha filha: “sabe porque a Bela Adormecida acordou tão rápido?”. Silêncio prolongado. Olhos com interrogações pensativas. Fui também de propósito até a cozinha, tomei um café e, claro, de rabo-de-olho vi os dois se aproximando de mansinho, com a curiosidade estampada nos olhinhos. “Fala, mamãe! A gente não sabemos”, disseram em coro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu, triunfante, depois de explicar que “a gente não sabe” era o certo, casquei-lhes essa: “ora, o príncipe tinha um horrível, nojento, horroroso e insuportável  mau hálito!”, olhando duplamente didática para o meu filho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até hoje é a dentição mais saudável da minha casa. E, além da demorada escovação, ainda faz gargarejos e escova a língua! &lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Nada como se atingir a vaidade humana, que parece ser um espelho que precisa estar sempre desembaçado! &lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12157323-111567766046148998?l=idiossincrasiaspoeticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://idiossincrasiaspoeticas.blogspot.com/feeds/111567766046148998/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12157323&amp;postID=111567766046148998' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12157323/posts/default/111567766046148998'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12157323/posts/default/111567766046148998'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://idiossincrasiaspoeticas.blogspot.com/2005/05/terceiro-quadro-o-beijo-do-prncipe-o.html' title=''/><author><name>Reciclagem</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11740487964330304087</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12157323.post-111567740646650068</id><published>2005-05-09T15:17:00.000-07:00</published><updated>2005-05-09T15:23:26.473-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt; SEGUNDO QUADRO&lt;br /&gt;A VACA&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Morávamos num prédio de apartamentos, onde a maioria era recém-casada e, parece que a lua nova chegava quase que na mesma hora, trazendo no biquinho da cegonha um bando de crianças lindas. Elas cresceram praticamente como se fossem irmãos. Nós, as mães, parecíamos igualmente irmãs, trocando idéias e fofocas no "playground" quando as levávamos para o habitual banho de sol. E começamos a fazer ginástica juntas, com uma professora contratada, já que não tínhamos tempo, com os rebentos pequenos,  de irmos às famosas academias e, que, naquela época não eram a epidemia de hoje. &lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Depois, cada dia fazíamos um pequeno lanchinho na casa de alguma e assim a vida ia sendo levada de forma mais que agradável. Quando as crianças eram maiores e aquela garoinha tipicamente paulistana não as deixava correrem atrás das bolas, mantíamos um rodízio de almoço. O  menu era variadíssimo: sempre a facilitada macarronada (santos italianos!) e assim, sobrava algum tempo para a mãe de folga dar um "roulê" num "shopping" ou mesmo atualizar o corte de cabelo e fazer as unhas. &lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Bem, quando era em minha casa, para facilitar a minha vida e não ver a comida sendo comida pelo piso da cozinha, eu colocava um pratinho em frente de cada um e criava jogos para diverti-los e um dos jogos preferidos era o “edicedário”, como chamavam. Era um simples modo de fazê-los, enquanto comiam, aprenderem as letrinhas do abecedário, claro. E cada um tinha que dizer uma palavrinha que começava com a letra A, B, C, etc...E a gente se divertia e crescia junto. Numa dessas ocasiões, pedi à minha filha uma palavra com a letra B, ela pensou...pensou... e pediu licença, indo para o quarto da Zelina, nossa empregada. Ah, eu permitia que se consultassem, se alguma tivesse dúvida. Aquilo era uma pequena democracia. E, depois de alguns segundos, ela voltou com a sabedoria à flor da pele: bassoura, mamãe! Dei uma sonora gargalhada, chamei a Zelina (que já veio com a dita cuja) e expliquei, pela centésima vez a ela e às crianças que a palavra do dito instrumento doméstico era vassoura, não bassoura como ela sempre teimava em escrever nas listas de supermercado, era com “v” de vaca: “V” de VACA, entenderam? Todos, inclusive,  finalmente,  a Zelina pareceram ter entendido. &lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Às vezes, para a coisa ficar mais divertida, eu pedia, aleatoriamente, uma letra não seqüencial. Era a vez do Dani, meu filho de três aninhos, que se sobressaía nos jogos, pois adorava pronunciar sempre pausadamente como se colocasse os hífens e fosse um professor e não um bebê. A sua letra era a V, mas não valia vassoura, pois esta já tinha sido falada. Ele ficou com duas ruguinhas entre as sobrancelhas, perguntou no ouvido do Fernando que balançou a cabeça: negativo e triste. Aí, dei uma dica, como acontecia diante de uma dificuldade. Vamos, Dani, pense, é tão fácil, falamos essa palavra ainda há pouco, veja: quem é que lhe dá o leitinho toda a manhã? As rugas ficaram mais profundas. Silêncio sepulcral. Os olhinhos de todos me fitavam como se fossem cachorrinhos quando são pegos em alguma travessura. Vamos, filho: quem é aquela que lhe dá o leitinho de manhã? Ele arregalou os olhos e sem nenhum dos costumeiros  hífens, gritou me apontando: mamãe!&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Compreendi, naquele momento, que a única verdade inocente na face da terra é a literalidade infantil. Pena que cresçam e criem tantas máquinas que substituem tantas coisas naturais. &lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;E, cá entre nós,  nunca me senti tão bem sendo chamada de vaca.&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12157323-111567740646650068?l=idiossincrasiaspoeticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://idiossincrasiaspoeticas.blogspot.com/feeds/111567740646650068/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12157323&amp;postID=111567740646650068' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12157323/posts/default/111567740646650068'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12157323/posts/default/111567740646650068'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://idiossincrasiaspoeticas.blogspot.com/2005/05/segundo-quadro-vaca-morvamos-num-prdio.html' title=''/><author><name>Reciclagem</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11740487964330304087</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12157323.post-111567684839533304</id><published>2005-05-09T14:32:00.000-07:00</published><updated>2005-05-09T15:16:09.423-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;QUADROS FAMILIARES&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PRIMEIRO QUADRO&lt;br /&gt;CARDÁPIO MATERNAL&lt;br /&gt;Como sempre, às sextas-feiras, chego para o habitual almoço com a minha mãe. Chego, invariavelmente cansada, pois seu prédio não tem elevador e o meu pulmão está lotado de nicotina.&lt;br /&gt;---Nossa mãe, essas escadas são uma merda. Desculpe o atraso, mas o trânsito está do cacete e ... Aconteceu alguma coisa?Que cara babaca de choro é essa?&lt;br /&gt;---Ah, filha, quando é que você vai se tornar, finalmente, uma pessoa normal? Olhe pra você! Parece um mano com essa calça e por que cortou tão curto o cabelo? Me faz lembrar aquela época da epidemia de piolhos da escola, lembra? E, aqueles prisioneiros judeus dos nazistas, naquele filme...ah, esqueci e com essa magreza, então, parece mais ainda.. Você anda se alimentando mal e fumando feito uma chaminé e...&lt;br /&gt;---Ah, não mãe, se vai me encher novamente o saco, vou cair fora, que merda!&lt;br /&gt;---Ai, meu Deus, felizmente o teu pai está morto, assim não pode ouvir tanto palavrão!&lt;br /&gt;---Felizmente, mãe!?!&lt;br /&gt;---Não, quer dizer, sim...quer dizer não, mas o que eu quero dizer é que...&lt;br /&gt;---Tá bom, já entendi.&lt;br /&gt;---E, pensar que quando você nasceu...&lt;br /&gt;---Não, mamãe, por favor, não me roube o prazer desta performance. Imagino a cena: “olha, meu Nego (vocês adoram chamar marido de meu nego, coisa pobre!), não é linda!. Olhe as mãozinhas perfeitas, a boquinha pequena, o narizinho...” aí, vocês erraram feio... narigão! Que até hoje me causa arrepios e me faz tirar fotografias sempre de frente. Só não arranco metade porque minha amiga diz que dói prá cara...caramba, mãe, não precisa chorar novamente. Mas, mãe, sabe o que mais me irrita? É que além do narigão, vocês capricharam na escolha do nome. Caceta! Poderia ser Maria, Joana, ou mesmo o seu nome que eu adoraria, sabia? Até uma primeira-dama tivemos com o seu nome: Dona Alaíde Quércia. Mas não, tinha que ser: Edileuza Bezerra, com tanta sibilação que mais me sinto um besouro rodando em torno de uma lâmpida, como diria Adoniran. Não tiveram a mínima sensibilidade para perceber que um nome com tantos zês, causaria um trauma em qualquer bebê!&lt;br /&gt;---Mas, filha, achávamos que seria forte o suficiente para uma madame, como prevíamos que você seria no futuro, mas com essa língua e...&lt;br /&gt;---Ah, mãe, madame adora diminutivo e Edileuzinha, realmente é do...e, que história é essa de madame? Agora você me tirou realmente do sério, Dona Alaíde!&lt;br /&gt;---Filha, por favor, não faça o que estou pensando que vai fazer, afinal você agora tem cinqüenta anos e...&lt;br /&gt;---Calma lá, cidadã, pare de jogar mais merda nos meus ombros de meio-século, não se esqueça que o ovinho aqui tem que ser, pela ordem natural das coisas, mais novo que a galinha aí. Segura a onda! E quer saber, fui!&lt;br /&gt;---Mas, filha, e o nosso almoço? Fiz aquela carne que você...&lt;br /&gt;Claro que bati a porta e saí, sem nem saber o cardápio do dia. Já comera todo o habitual cardápio maternal!&lt;br /&gt;Ela, ficou na janela, martelando:&lt;br /&gt;---Olhe, meu amor, cuidado com aquele cruzamento, só ontem foram dois assaltos.&lt;br /&gt;--- Mãe, aquela é uma preferencial, se eu não parar, qualquer caminhão fará isso, sacou? &lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;--- Filha, endireite as costas!&lt;br /&gt;Eu (curvando-a mais ainda):&lt;br /&gt;---São os meus cinqüenta anos assumidos!&lt;br /&gt;--- Vai com Deus, meu amor!&lt;br /&gt;--- Claro, mas que Ele vá bem quietinho no banco do carona e bote o cinto de segurança, senão...&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12157323-111567684839533304?l=idiossincrasiaspoeticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://idiossincrasiaspoeticas.blogspot.com/feeds/111567684839533304/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12157323&amp;postID=111567684839533304' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12157323/posts/default/111567684839533304'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12157323/posts/default/111567684839533304'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://idiossincrasiaspoeticas.blogspot.com/2005/05/quadros-familiares-primeiro-quadro.html' title=''/><author><name>Reciclagem</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11740487964330304087</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12157323.post-111566985353681852</id><published>2005-05-09T13:14:00.000-07:00</published><updated>2005-05-09T13:17:33.566-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#3366ff;"&gt;POBRE POVO...POBRE ARTE&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Minha arte é simples e pobre como a vida do meu povo&lt;br /&gt;sei que nada disso é novo nunca se viu plebeu nobre!&lt;br /&gt;há em meu verso uma ruga qual talho que fere a terra&lt;br /&gt;do homem que sai em fuga deixando o seu pé de serra&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;minha arte é panela de barro minha poesia é fogo a lenha&lt;br /&gt;caboclo sem código e senha mascando a vida num cigarro&lt;br /&gt;não há riqueza em meu verso ele é simples e singelo&lt;br /&gt;da gente com quem converso sugo apenas o que é belo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;meu peito dói quando escrevo lavando-se todo em vermelho&lt;br /&gt;ao lembrar do olhar  no espelho do povo a quem sei que devo&lt;br /&gt; “tem uma moedinha, tia?” diz o pequeno sem escola&lt;br /&gt;o pai espreita à meia-guia com vergonha da esmola&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;se tivesse um trabalho um mínimo de assistência&lt;br /&gt;lutaria com resistência seria tal qual um carvalho!&lt;br /&gt;quando digo que eu devo alguma coisa ao meu povo&lt;br /&gt;é porque quando escrevo encontro-me a sós de novo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e vejo como os meus versos são pobres e tristes meninos&lt;br /&gt;que sofrem os seus desatinos trilhando caminhos perversos&lt;br /&gt;meus versos são essas crianças que pedem uma simples chance&lt;br /&gt;cheios de anseios e esperanças até que a espera os canse&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e se joguem pobres vultos dos prédios qual dedo em riste&lt;br /&gt;calando um lamento triste antes de se tornarem adultos&lt;br /&gt;morrendo nus sem um manto ladeados pela escória&lt;br /&gt;esquecidos nalgum canto sem pertencer à história&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nunca esperei que o meu povo assim como minha poesia&lt;br /&gt;            tirasse pelo do ovo mas pelo menos merecia...&lt;br /&gt;                               ser descoberto de novo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Edi Longo,&lt;br /&gt;SBAT, 030899&lt;br /&gt;Florianópolis, Setembro de l999.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12157323-111566985353681852?l=idiossincrasiaspoeticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://idiossincrasiaspoeticas.blogspot.com/feeds/111566985353681852/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12157323&amp;postID=111566985353681852' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12157323/posts/default/111566985353681852'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12157323/posts/default/111566985353681852'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://idiossincrasiaspoeticas.blogspot.com/2005/05/pobre-povo.html' title=''/><author><name>Reciclagem</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11740487964330304087</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12157323.post-111566964300339715</id><published>2005-05-09T13:11:00.000-07:00</published><updated>2005-05-09T13:14:03.010-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt; &lt;strong&gt;A SOCIOPATA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;--A Teodoro, por favor?&lt;br /&gt;--Também te adoro, meu amor!&lt;br /&gt;Pronto. Minha noite tinha começado. Sabia que ia dar nisso. O engraçadinho do carro ao lado, saiu gargalhando e sem dar a informação.  Que vontade de voltar pra casa.  Ademais, em pleno verão, qualquer lugar deve ter aquele cheiro execrável de suor, cigarros e bebida no ar. Por outro lado, se fosse inverno, teria o cheiro de naftalina. A humanidade fede. Deus deve estar cansado dela e com razão. Daí os tsunamis, os terremotos, as epidemias. A volta ao caos para uma nova criação. Como se Ele pegasse o seu pincel e lambuzasse a tela, confundindo tudo.&lt;br /&gt;Ah, cheguei sozinha à Teodoro. Agora é só virar a Mourato e cair nos braços notívagos da Vila Madalena. Que coisa mais besta, alguém comemorar aniversário em barzinho e ainda cada convidado que pague a sua consumação. No mínimo, vou gastar o dinheiro de um bom livro sobre contabilidade e economia. Aliás, que coisa mais besta alguém perder uma boa noite de sono só porque é sábado. Pra mim, sábado é dia de chinelão, pijama e solidão. No máximo, um filme de terror acompanhado de uma água tônica gasificada e um saco de soníferos para depois.&lt;br /&gt;Mas, o que dizer na segunda? Tem-se que ter algo pra se falar. Por que? Odeio festas, odeio aglomerados, odeio gente. E se de repente, encontrar o chato da informação? Com certeza deve ser amigo do desgraçado que me convidou. Já imagino a cena: vai me reconhecer e contar pra todo mundo a brincadeira que fez. &lt;br /&gt;Mas o aniversariante é o Chefe da Seção. Ai, meu Deus, vou ter que dar aqueles dois beijinhos de parabéns e sentir aquele cheiro de lavanda barata. Aposto que não vai nem olhar para a gravata que comprei. Já estou vendo a coitada servindo de coleirinha de cachorro. Arre! Odeio animais. Não entendo como alguém os levam para casa e às vezes, deixam até dormir na própria cama!&lt;br /&gt;A chata da Mariana vai estar lá com certeza. Olhando-me de cima a baixo, cochichando com a Bete que vai chamar a Cris, que corre para a Laura e todas farão uma tese de doutoramento sobre a minha roupa que não combina em nada.&lt;br /&gt;O que vou falar se alguém se aproximar? Detesto falar. Principalmente, nestes lugares onde você não fala, você berra. Vou ter uma faringite, com certeza. O que vou fazer se alguém me convidar pra dançar? Detesto dançar. E aposto que são aquelas músicas que parecem um exorcismo. Vou torcer o tornozelo.&lt;br /&gt;Cheguei. Quanta gente! Quantos risos, quanto fingimento. Ninguém pode estar feliz num lugar assim. Não, definitivamente, não! Mil vezes não! Está decidido.&lt;br /&gt;Vou pra casa ficar aguardando ansiosamente a musiquinha de encerramento do Fantástico e dormir sonhando com a sinfonia paulistana do Billy, segunda: “vão bora,vão bora, tá na hora”. Ah, e a voz melodiosa e repetitiva da Pan: “em São Paulo, sete horas”. Que felicidade!  Se alguém perguntar porque não fui, ora... Como sempre estive viajando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Edi Longo.&lt;br /&gt;SP., 22/02/05&lt;br /&gt;  &lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12157323-111566964300339715?l=idiossincrasiaspoeticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://idiossincrasiaspoeticas.blogspot.com/feeds/111566964300339715/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12157323&amp;postID=111566964300339715' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12157323/posts/default/111566964300339715'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12157323/posts/default/111566964300339715'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://idiossincrasiaspoeticas.blogspot.com/2005/05/sociopata-teodoro-por-favor-tambm-te.html' title=''/><author><name>Reciclagem</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11740487964330304087</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12157323.post-111566946473785392</id><published>2005-05-09T13:09:00.000-07:00</published><updated>2005-05-09T13:11:04.743-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt; &lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#3366ff;"&gt;Coisas da vida&lt;br /&gt;(poesia inspirada numa notícia de jornal)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No meio da noite há uma luz pequena, límpida e clara.&lt;br /&gt;Um vulto passa pela janela.&lt;br /&gt;Outro aparece depois.&lt;br /&gt;O que será que há no dentro daquelas&lt;br /&gt;paredes?&lt;br /&gt;Quais sonhos ela acoberta?&lt;br /&gt;Quais problemas ela encobre?&lt;br /&gt;Recolho-me envergonhada por pensamento tão pobre.&lt;br /&gt;Ah, talvez um filho relapso que não sabe o sofrimento&lt;br /&gt;que nos dá quando&lt;br /&gt;no sossego dos seus anos esquecem do telefone.&lt;br /&gt;Mas... Qual será a história&lt;br /&gt;daqueles vultos,&lt;br /&gt;Estarão brigando, ou...Beijando-se?&lt;br /&gt;Será que farão amor?&lt;br /&gt;Aparecem novamente e, não percebo os sinais.&lt;br /&gt;Ambos agora na sacada acendem uma nova luz.&lt;br /&gt;Recolho-me mais uma vez fazendo o sinal da cruz.&lt;br /&gt;Ambos, com as mãos apertadas pulam e voam no ar.&lt;br /&gt;Um grito acorda a madrugada&lt;br /&gt;que nem um pouco preocupada&lt;br /&gt;continua a sonhar&lt;br /&gt;com sua camisola colorida&lt;br /&gt;sem se importar que a vida na hora que acordar lerá no jornal&lt;br /&gt;da esquina que duas almas sofridas&lt;br /&gt;deixaram vazias as vagas para um menino e uma menina.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12157323-111566946473785392?l=idiossincrasiaspoeticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://idiossincrasiaspoeticas.blogspot.com/feeds/111566946473785392/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12157323&amp;postID=111566946473785392' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12157323/posts/default/111566946473785392'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12157323/posts/default/111566946473785392'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://idiossincrasiaspoeticas.blogspot.com/2005/05/coisas-da-vida-poesia-inspirada-numa.html' title=''/><author><name>Reciclagem</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11740487964330304087</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12157323.post-111566936294929655</id><published>2005-05-09T13:07:00.000-07:00</published><updated>2005-05-09T13:09:22.960-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt; &lt;strong&gt;SENTIMENTOS MECANIZADOS&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A vida “internetiada” de hoje nos obriga a viver cada vez mais isoladamente. Acabamos conhecendo detalhadamente cada pedaço de nosso limite espacial. Cada mesa; cada cadeira; cada livro, enfim...Convivemos mais com nossos móveis do escritório do que com os amigos. Enclausuramo-nos dentro de quatro paredes e conversamos através de ondas magnéticas! Que coisa triste! E olhem que no princípio, fez-se o Verbo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando na década de 60, o homem com sua orgulhosa inteligência chegou à lua; eu, apesar de apenas uma adolescente, pensei: “como ousaram invadi-la? E ainda colocaram uma bandeira no seu coração!” Fiquei triste, mas a minha professora, do alto de sua magnânima sapiência teimava em dizer que aquilo era necessário! Até agora não entendi porque e para quê!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Igualmente triste fiquei quando tive que aposentar a minha velha máquina de escrever, que era elétrica, coisa finíssima, mas meus filhos diziam: “mãe, que coisa mais antiga, você precisa de um computador!” Tudo bem, mas até hoje, nego-me a usá-lo para algo mais que não seja escrever. Assim eu humilho tantas qualidades que dizem que ele tem. Dane-se. Nasci para usar, abusar e brincar com o Verbo mesmo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A cibernética criada pelo homem acabou sacrificando o próprio homem. Concordo que trouxe muitas facilidades à vida moderna, mas quantos não andam engrossando filas de desemprego? Quantos não foram alijados de suas funções humanas por eficiência maior da própria criação deles mesmos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o que me dizem da tal ovelha clonada? E as pesquisas “in vitro” com embriões humanos? Já pensaram o que anda pensando Deus que nos fez à Sua semelhança? Deve estar morrendo de desgosto! Andamos como loucos querendo roubar a Sua criação máxima: o próprio homem! E sem pagar os direitos autorais! Que desmoralização! Nessas alturas, o Diabo...ah, deixa quieto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o que mais me deprimiu mesmo foi quando encontrei uma amiga que não via há meses e, ela me disse toda feliz: “menina, arrumei um namorado na Internet! A gente vai se conhecer esse fim-de-semana”. Meus Deus, parece que voltamos ao antigo tempo em que os pais faziam casamentos por procuração! Como é que se sente algo através de um computador? E aquela paquera? Aquele olhar maroto? A primeira sensação de tesão quando se aconchega o corpo numa dança?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah, novo tempo! Estupidamente mecanizado de sentimento “on line”. Qualquer dia não teremos mais infartos, apenas uma desconexão da rede!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E lá em cima; a nossa lua - antiga companheira e amiga - com uma bandeira vampirescamente possessiva enfiada no coração, deve estar zombando de nós, pensando: que idiotas, felizes por estarem se transformando por suas próprias contas e riscos em...máquinas!&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12157323-111566936294929655?l=idiossincrasiaspoeticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://idiossincrasiaspoeticas.blogspot.com/feeds/111566936294929655/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12157323&amp;postID=111566936294929655' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12157323/posts/default/111566936294929655'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12157323/posts/default/111566936294929655'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://idiossincrasiaspoeticas.blogspot.com/2005/05/sentimentos-mecanizados-vida.html' title=''/><author><name>Reciclagem</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11740487964330304087</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12157323.post-111566921396912431</id><published>2005-05-09T13:04:00.000-07:00</published><updated>2005-05-09T13:06:54.060-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt; &lt;strong&gt;ILUSÃO MIGRANTE&lt;br /&gt;(poema para um nordestino)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cara assustada, dentes cerrados, olhos abertos&lt;br /&gt;riso contido, sentidos represados&lt;br /&gt;sentimentos desconhecidos, paredes brancas do impossível&lt;br /&gt;imensa vontade, atéia verdade&lt;br /&gt;uma cruz pende no peito tísico&lt;br /&gt;os ossos à mostra, desafiando a vida&lt;br /&gt;na mesa: pão, água e vontade&lt;br /&gt;um pedaço de carne-seca passa lasciva pela imaginação entorpecida&lt;br /&gt;encolhe o bucho e não liga prô ronco&lt;br /&gt;Padim Ciço ajuda, óxente, ora se não!&lt;br /&gt;Um relâmpago claro cruzando o ar&lt;br /&gt;chuva, relâmpagos, milho crescendo, quem dera, meu Senhor, quem dera!&lt;br /&gt;Viola e peito cantando embora sofrendo, enganando a fome, enganando a vida&lt;br /&gt; (quem sabe ela não se distrai e deixa que ele exista?)&lt;br /&gt;ilusão, doce jeito de viver&lt;br /&gt;o cheiro da pinha ...hum, traz o cheiro da infância&lt;br /&gt;cheiro de pinha&lt;br /&gt;cheiro de infância: fome inocente a gente esquece&lt;br /&gt;os olhos secos, a boca amarga, o nó, a fome, a sede, a falta, a eterna falta&lt;br /&gt;desânimo, Padim Ciço ajuda (tomara!)&lt;br /&gt;Uma frouxa vontade de nada&lt;br /&gt;cartazes iluminando o desejo de ser&lt;br /&gt;de vir e ser&lt;br /&gt;de vir a ser.&lt;br /&gt;Roupas bonitas, uma cruz bem grande com nosso Senhor&lt;br /&gt;caindo bonito no peito recheado e bem nutrido&lt;br /&gt;vontade de ser&lt;br /&gt;na mochila, a ilusão pesa e os sonhos correm vadios&lt;br /&gt;no bolso, o vazio pesa&lt;br /&gt;no ombro esquerdo (é canhoto) a viola pende quieta&lt;br /&gt;docilmente quieta&lt;br /&gt;esperando o vir a ser&lt;br /&gt;vir de amigação, na boléia de um caminhão&lt;br /&gt;lava a roupa e faz comida prô compadre que dirige&lt;br /&gt;pau-de-arara é caro&lt;br /&gt;tem que ter dinheiro&lt;br /&gt;Cruz de Cristo, Padim Ciço ajuda lá do Juazeiro&lt;br /&gt;ele ajuda? Que dúvida!&lt;br /&gt;Sujeira, vozes roucas e ressequidas por não se alimentarem&lt;br /&gt;a corda vocal tá seca e tesa como a corda da viola que pende muda&lt;br /&gt;o caixão de sabão “Europa” com a ensebada presilha&lt;br /&gt;carrega os trapos e o que é tudo:&lt;br /&gt;vir e ser&lt;br /&gt;vir a ser.&lt;br /&gt;Estação da Luz, luzes, cartazes iluminando o desejo de ser&lt;br /&gt;no alto da construção, construindo o pé-sem-meia&lt;br /&gt;que é fria, esquálida e pobre&lt;br /&gt;salário mínimo não dá prá viver&lt;br /&gt;de noite, a viola ajuda e Padim Ciço também (será? Ai, mainha diz que sim)&lt;br /&gt;Cantorias no Brás até às duas&lt;br /&gt;porque às sete tem a construção prá fazer&lt;br /&gt;quem virá morar neste prédio de apartamentos?&lt;br /&gt;Ah, Senhor, ele só ajuda a construir o que é dos outros&lt;br /&gt;quais vidas esse prédio irá acolher?&lt;br /&gt;quantos sonhos acalentará no leito macio?&lt;br /&gt;quantos amores, quantos carinhos?&lt;br /&gt;quantas desilusões essas paredes ouvirão chorar?&lt;br /&gt;e ele? será sempre sozinho? que saudade da Lucinha!&lt;br /&gt;Ficaria linda vendo o movimento da sacada do apartamento&lt;br /&gt;as tranças voando como a sua saudade no peito&lt;br /&gt;o peito dói a dor de tanta saudade!&lt;br /&gt;saudade até do ar&lt;br /&gt;o daqui é tão pesado!&lt;br /&gt;do eterno calor&lt;br /&gt; aqui é tudo tão frio!&lt;br /&gt;até as pessoas&lt;br /&gt; aqui não tem nem bicho!&lt;br /&gt;bicho é quente&lt;br /&gt;olho puro&lt;br /&gt;ingênuo&lt;br /&gt;aqui o bicho é homem&lt;br /&gt;fera&lt;br /&gt;mata por dinheiro&lt;br /&gt;e volta o desejo de voltar e vir a ser&lt;br /&gt;só ser!&lt;br /&gt;ser só, mas no cantinho de lá&lt;br /&gt;embaixo dos umbuzeiros, catando raiz, comendo preá&lt;br /&gt;brincando de adivinhar se o vento que chega traz chuva ou não&lt;br /&gt;se traz, a gente fica e engravida  a terra&lt;br /&gt;se não, sina errante na boléia de caminhão&lt;br /&gt;se o calango muda mesmo de cor, confundindo-se com a mata que&lt;br /&gt;mata o pobre de fome, é porque é inteligente&lt;br /&gt;mais que o próprio homem e se esquiva de ser morto&lt;br /&gt;pensamento mais besta que traz a vontade de voltar e apenas ficar&lt;br /&gt;sentindo o gostinho da infância na pinha.&lt;br /&gt;Pinha, gosto de infância.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Edi Longo, SBAT 030899&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12157323-111566921396912431?l=idiossincrasiaspoeticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://idiossincrasiaspoeticas.blogspot.com/feeds/111566921396912431/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12157323&amp;postID=111566921396912431' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12157323/posts/default/111566921396912431'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12157323/posts/default/111566921396912431'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://idiossincrasiaspoeticas.blogspot.com/2005/05/iluso-migrante-poema-para-um.html' title=''/><author><name>Reciclagem</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11740487964330304087</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12157323.post-111566884444644731</id><published>2005-05-09T12:58:00.000-07:00</published><updated>2005-05-09T13:00:44.510-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt; &lt;strong&gt;O PROTESTO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu nome é Severina, sim senhor. Coisa de sina severa. Nordestina do Ceará, bote aí . Raiz forte porque na minha terra a única raiz que vinga é a vontade de viver.  Pareço ter mais, mas só tenho trinta anos, tá no documento aí.  Amadureci como fruta que a gente bota num jornal, num sabe? Fora de época, na marra. &lt;br /&gt;Aliás, fiquei muito feliz quando li o seu nome. Gosto de falar pra gente certa. Pois, diga-me cá seu moço se não tenho razão. Onde já se viu o mundo todo ficar contra aquele coitado! Só porque o bichinho tem uma cara de abestado, morro de pena, com aquele queixinho afiladinho, o pobre! Pois eu fico retada, visse?&lt;br /&gt;Agüento qualquer tranco, num tenho medo de trabalho nem de nada, mas não tolero injustiça! E gostaria que o senhor quando fosse encontrar aquele Seu Amigo, é... porque pensa que eu não conheço a história das taubas? Oh, coisa mais interessante aquilo!&lt;br /&gt;Olhe, Deus, seu amigo, foi o primeiro internauta do mundo. Aí fica esse menino, esse tal do Bill Gato se achando! É ruim! Bem, mas diga ao seu Amigo internauta, que foi a coisa mais rápida e lindia do mundo: era só o filetinho de fogo aparecer  e pim...lá estavam os dez mandamentos inteirinhos nas taubas de pedra. Engraçado que até hoje eu não entendi porque aquelas taubas eram de pedra! Óxente, as taubas num vem da madeira? Fico, com perdão da má palavra, muito quenga com isso!&lt;br /&gt;Aliás, foi uma pena o senhor ter cortado sua barba. O senhor voltava do Monte Sinai tão lindio com aquela barbona, apesar de que, concordo, deve ser um susto da moléstia envelhecer tão rápido assim! Eu, heim, quem ia gostar disso eram os cirurgiões plásticos, já pensou? Iam ter clientes a dar com o pau!&lt;br /&gt;Ah, seu moço, outra coisa que eu fico tronchinha de tanta curiosidade para saber é como o senhor conseguiu fazer aquilo com o Mar Encarnado? Menino, ô coisa danada de bonita! Só foi o senhor tocar aquele pau no mar e tuuiiinnn...lá iam as águas da direita prum lado e as da esquerda prô outro. E lá no centro, aquele bando de “escolhidos” passando! Quando os outros chegavam, as águas tuuuiiinnn...fechavam, matando todos! Agora, diga cá uma coisa: será que no meio daquela gente que estava perseguindo os outros não tinha nenhum com o coração bom?  Taí outra coisa que eu protesto.&lt;br /&gt;Pois é, mas o que eu estava fazendo lá na praça não era esse protesto não, que isso são águas passadas, mas já que vi na sua tabuleta o seu nome, bem...uma coisa puxou a outra e aproveitei a ocasião.&lt;br /&gt;Como dizia, o que eu protestava mesmo é sobre o fato de querer saber porque gota foi que o Seu Amigo internauta colocou nas costas daquele menino lá de riba, o tal de Bucho, uma sina tão pesada! Ponha tenência prô que eu digo. Assunte só: o pobre do homem sozinho querendo salvar o mundo!  Eta cabra bom! Sacrificando aquele monte de galeguinhos, lindios que mais parecem umas estautas, bem, tinham uns queimadinhos, como aquele que foi feito prisioneiro do tal Satã, mas acha isso certo? Somente o coitadinho daquele povo pra salvar a humanidade inteira!&lt;br /&gt;Claro que eu sei que aquela ilha, eu sou pobre, mas procuro estar por dentro de tudo sim, seu moço, então aquela ilha...ah, puxa, lembrei agora daquela menina tão lindia, a Lady Di!  Parecia um anjo, tenho um retrato dela pendurado lá na porta do meu quartinho, num sabe? Olhe, num gosto nem de tocar nesse assunto, fico toda arrepiada! Ela sim, se tivesse viva, pobrinha, também taria  defendendo a humanidade, mas esse tal de Tony....num vou com a cara dele não, deixa pra lá!  Se pelo menos fosse o Ramos! Esse sim tá sempre lindio com cara de quem acabou de sair do banho. Sou doida por ele!&lt;br /&gt;Pois é seu moço, como dizia, não estou gostando da forma que o coitado do Bucho tá sendo mal falado. Aliás, isso parece sorte de qualquer bucho, cheio ou vazio , tá sempre sofrendo! Gosto disso não! E não gosto, principalmente, de saber porque foi que o Seu Amigo, resolveu colocar num paiseco tão pequenino tantos poços de petróleo! O senhor já viu o preço do gás de cozinha?  Tá pela hora da morte! Óxente, o bichinho só quer isso, tadinho: só o petróleo!&lt;br /&gt;Acuma? Ah, mas ele tá distribuindo comida pra eles, seu moço! Ele tá cuidando, sim! Tá vendo o que chamo de injustiça? Vi, pelo canal a cabo, lá na casa de minha patroa que também é lá de riba, Dona Silvinha (madame adora nominhos sabe), disse que ele até quer trocar o tal do petróleo por comida! Quem me dera ele quisesse invadir o Calango, meu sítio, lá no Ceará, eu ia dar graças ao Internauta!  E não só botava a bandeira dele na entrada do sítio, mas enfeitava os porcos com um monte de listrinhas e estrelinhas. Tudo encarnado, azul e branco. Já pensou?  Só que lá, o Internauta foi tão duro com a gente que além de água, não brota nada das rachaduras do chão e a gente é pior que aquele povo do Araque, pois não temos petróleo pra alguém querer; estamos na maior miséria e também fugimos da fome, vindo parar noutros lugares. O senhor acha que a gente gosta de viver feito ciganos?&lt;br /&gt;Bem, minha esperança agora tá todinha na mão desse moço que entrou agora. Se ele que já sentiu o que a gente sente não fizer nada, danou-se, tamos perdidos!  Olhe, me empreste algumas moedas prô ônibus que fui roubada na praça. Quer uma guerra ao vivo?  Aqui tá pobre roubando pobre! Nosso bucho tá vazio e vocês estão se preocupando com o Bucho dos outros?&lt;br /&gt;Pronto, tá lavrado meu protesto!&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12157323-111566884444644731?l=idiossincrasiaspoeticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://idiossincrasiaspoeticas.blogspot.com/feeds/111566884444644731/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12157323&amp;postID=111566884444644731' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12157323/posts/default/111566884444644731'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12157323/posts/default/111566884444644731'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://idiossincrasiaspoeticas.blogspot.com/2005/05/o-protesto-meu-nome-severina-sim.html' title=''/><author><name>Reciclagem</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11740487964330304087</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12157323.post-111566866832201450</id><published>2005-05-09T12:54:00.000-07:00</published><updated>2005-05-09T12:57:48.326-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;strong&gt;MOMENTOS RAROS&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Prefiro ter um dia só, mas inteiro&lt;br /&gt;Do que vários emendados como cacos&lt;br /&gt;Faço minha cama, sonho sorrateiro&lt;br /&gt;Jogo tralhas, lixos, gestos fracos&lt;br /&gt;Pelo ralo direto do bueiro&lt;br /&gt;Bebo-me sozinha juntando marcos&lt;br /&gt;Que resguardam o meu ego altaneiro&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E assim esqueço meus desagravos&lt;br /&gt;Caio nesse letárgico mundo meu&lt;br /&gt;Quando na real tenho atos bravos&lt;br /&gt;Mais me atolo no escuro deste breu&lt;br /&gt;Colhendo rosas ao invés de cravos&lt;br /&gt;Fingindo esquecer quem me ofendeu&lt;br /&gt;Tentando ser mais livre que os escravos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah, pequenos momentos raros&lt;br /&gt;Que juntando chamam de felicidade&lt;br /&gt;Quanto mais se vive, mas há reparos&lt;br /&gt;Nas embreagens de nossa capacidade&lt;br /&gt;Que se esvai em dias não muito claros&lt;br /&gt;De nossa mísera e mortal humanidade&lt;br /&gt;Ao deixarmos nossos sentimentos caros&lt;br /&gt;Morremos sós numa réstia de saudade. &lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12157323-111566866832201450?l=idiossincrasiaspoeticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://idiossincrasiaspoeticas.blogspot.com/feeds/111566866832201450/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12157323&amp;postID=111566866832201450' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12157323/posts/default/111566866832201450'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12157323/posts/default/111566866832201450'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://idiossincrasiaspoeticas.blogspot.com/2005/05/momentos-raros-prefiro-ter-um-dia-s.html' title=''/><author><name>Reciclagem</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11740487964330304087</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12157323.post-111566808917928463</id><published>2005-05-09T12:45:00.000-07:00</published><updated>2005-05-09T12:53:32.686-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;O GOL DO MEIO DA ÁREA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Desculpe, seu Pelé, mas o Maradona disse que o único Edson que conhece é aquele que conseguiu inventar a lâmpada depois de mil tentativas e que ele pode ser tudo, nunca um brasileiro, entende?&lt;br /&gt;-Você disse que eu era Edson Arantes do Nascimento: o Pelé?&lt;br /&gt;- Disse e ele me respondeu que ele era Deus, entende? Aliás, o senhor não quer me dar um autógrafo? Vou tirar xerox e ganhar uma grana em cima como fazemos com aquela foto do  Che tirada pelo Alberto Korda que vendemos nas camisetas, entende?&lt;br /&gt;- Vê se acorda você! E se não for para o inferno, quem vai mandar você para o meio das traves, sou eu, entende? Com um chute certeiro no traseiro daqui do meio da área, entende? E ainda vou cobrar "royalties" pelos meus “entendes”, entende?&lt;br /&gt;- Ah...ah...ah...o senhor não conseguiu! Bem que tentou, mas não conseguiu...ah...ah...ah...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma jovem enfermeira entra na recepção da Clínica. Pelé ajeita o colarinho, pigarreando.&lt;br /&gt;- Mas que gritaria é essa aqui? Logo agora que o ... O que o senhor deseja?&lt;br /&gt;- Falar com o Maradona. Estou de passagem, pois vim visitar o Fidel para saber como está depois daquele tombo. Uma visitinha cordial, entende?&lt;br /&gt;- Ah, sei! E o senhor resolveu visitar todos os doentes importantes de Cuba. Conseguiu visitar o Presidente?&lt;br /&gt;- Claro. Ele foi muito simpático e agradecido. Posso ver o Dieguito agora?&lt;br /&gt;- Posso ver a sua identificação, por favor?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pelé, apesar do ego machucado pelo não reconhecimento imediato, mostrou humildemente o seu passaporte.&lt;br /&gt;- Bem, senhor Edson, Maradona está num daqueles momentos mais difíceis do tratamento, sabe: alucinações, descontrole total das funções fisiológicas. Só recebe alguns parentes e bem...o senhor não é, certo?&lt;br /&gt;- Não, claro, quer dizer, está na cara, né? Mas diga a ele que o Pelé está aqui. Posso ajudá-lo, pois temos muitos interesses comuns, entende?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A enfermeira olha Pelé meio desconfiada. Como ele não estava portando nenhum pacote suspeito, dirigiu-se para a saída, mas...Olhando-o novamente:&lt;br /&gt;- Mesmo?Posso saber quais são esses interesses tão comuns?&lt;br /&gt;- Ora, o futebol!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A enfermeira sai e Pelé fica andando indignado pela sala. Ela volta, depois de alguma demora.&lt;br /&gt;- Desculpe não tê-lo reconhecido, sabe, mas aqui o nosso esporte preferido é o beisebol e muitos de nós não temos nem TV! Pode entrar, mas, por favor, não fique muito olhando para o nosso paciente, pois ele anda muito suscetível e, às vezes, torna-se desagradável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pelé entra num quarto confortável, onde sentado em uma mesa está Diego Maradona jogando uma partida de futebol no computador. Sem se voltar, ele apenas pergunta:&lt;br /&gt;-Então, trouxe a encomenda?&lt;br /&gt;-Não estou entendendo, entende?&lt;br /&gt;-Ora, então dê o fora, responde Maradona que continua jogando. Diante do silêncio, pergunta novamente:&lt;br /&gt;-Então, cabron, trouxe? Desta vez, batendo na tecla do computador, vira-se e grita:&lt;br /&gt;-Hijo de la putana!&lt;br /&gt;- Desculpe, mas acho que entrei em quarto errado, mas que encomenda? Não estou entendendo, entende?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Maradona fazendo os gestos característicos de quem é usuário, fica com os olhos desvairados e se joga em cima de Pelé, gritando: filho da puta, filho da puta!&lt;br /&gt;-Poxa, você acha que eu ia trazer droga para uma senhora gorda e velha, meu! Diz Pelé, reagindo e empurrando Maradona que ao cair em cima da cama, finalmente, reconhece-o.&lt;br /&gt;-Pelé! Hijo de una putana brasiliana!&lt;br /&gt;-Pô, cara, finalmente! Me dê cá um abraço. Levei um susto, que droga!&lt;br /&gt;-Onde está? Onde está? Fala sussurrando Maradona e apalpando Pelé: onde, cabron?&lt;br /&gt;-Onde está o quê? Cê tá ficando louco? Me larga!&lt;br /&gt;-Ora, vá para o infiiieeerno! Além de não me trazer nada, logo agora que eu estava quase fazendo um gol do meio da área, você atravessa o meu caminho? Nem no computador eu consigo fazer o que você tentou e não conseguiu?&lt;br /&gt;- É, vai tentando, de repente, você consegue essa façanha e talvez até chegar aos mil, entende? E a propósito, enquanto isso, veja se não viaja tanto pelo Cosmos e consegue ficar um pouquinho na Terra, seu merda!&lt;br /&gt;- Mieerrrda?!? Usted disse mieerrda?!? Como ousa?!? Que Merda! Agora eu é que não entendi, entende?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pelé se dirige majestosamente para a saída e grita da porta, socando o ar:&lt;br /&gt;-Taí o meu gol do meio da área, cabron!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Edi Longo,&lt;br /&gt;SP., 30 de Novembro de 2004.&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;SBAT 030899&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12157323-111566808917928463?l=idiossincrasiaspoeticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://idiossincrasiaspoeticas.blogspot.com/feeds/111566808917928463/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12157323&amp;postID=111566808917928463' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12157323/posts/default/111566808917928463'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12157323/posts/default/111566808917928463'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://idiossincrasiaspoeticas.blogspot.com/2005/05/o-gol-do-meio-da-rea-desculpe-seu-pel.html' title=''/><author><name>Reciclagem</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11740487964330304087</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12157323.post-111566793105100997</id><published>2005-05-09T12:43:00.000-07:00</published><updated>2005-05-09T12:45:31.063-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#3366ff;"&gt;A TRANSGRESSORA&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#3366ff;"&gt;Ainda há pouco, vi o quão grande sou.&lt;br /&gt;Diante do mundo, não me importo,&lt;br /&gt;Pouco me importo,&lt;br /&gt;se pouco sou para o muito do mundo.&lt;br /&gt;Reduzo-o em uma bola e absoluta,&lt;br /&gt;Torno-me sua dona.&lt;br /&gt;Danem-se os que se julgam donos&lt;br /&gt;dessa incógnita esfera.&lt;br /&gt;Serão mesmo?&lt;br /&gt;Prefiro ser o que sou.&lt;br /&gt;Sou uma transgressora das leis.&lt;br /&gt;Sou uma subversiva terráquea.&lt;br /&gt;Sou uma deusa e crio, recrio, mato.&lt;br /&gt;Sou intempestiva e amoral.&lt;br /&gt;Não pertenço a ninguém.&lt;br /&gt;Não sofro o poder das horas.&lt;br /&gt;Meu tempo é qualquer um&lt;br /&gt;ou nenhum.&lt;br /&gt;Não tenho tribos ou clã.&lt;br /&gt;Sou nada e tudo sou.&lt;br /&gt;Dou um chute na bunda do mundo&lt;br /&gt;pego o feio, o asqueroso, o imundo&lt;br /&gt;bato num liquidificador&lt;br /&gt;e faço um milk shake de chocolate!&lt;br /&gt;Hum...Coberto de chantilly de arte!&lt;br /&gt;Transformo o que não gosto&lt;br /&gt;no gosto que quero&lt;br /&gt;no tamanho que quero&lt;br /&gt;na cor que quero. Ai, sou louca por amarelo!&lt;br /&gt;Brinco de amarelinha&lt;br /&gt;nos países e continentes&lt;br /&gt;que inventaram para justificar&lt;br /&gt;o poder de uns sobre os outros.&lt;br /&gt;E, no meio da brincadeira&lt;br /&gt;grudo a África com a América,&lt;br /&gt;unindo todas as gentes,&lt;br /&gt;num abraço que acoberta.&lt;br /&gt;Não tenho medo de nada.&lt;br /&gt;Nem do Guardião dos pensamentos.&lt;br /&gt;Se consegue ler os meus,&lt;br /&gt;Não me derrubará das pernas&lt;br /&gt;Ao contrário, deixar-me-á mais completa&lt;br /&gt;O que sou?  Como?!? &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#3366ff;"&gt;Ora, sou apenas um poeta&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12157323-111566793105100997?l=idiossincrasiaspoeticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://idiossincrasiaspoeticas.blogspot.com/feeds/111566793105100997/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12157323&amp;postID=111566793105100997' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12157323/posts/default/111566793105100997'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12157323/posts/default/111566793105100997'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://idiossincrasiaspoeticas.blogspot.com/2005/05/transgressora-ainda-h-pouco-vi-o-quo.html' title=''/><author><name>Reciclagem</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11740487964330304087</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12157323.post-111566764208965691</id><published>2005-05-09T12:38:00.000-07:00</published><updated>2005-05-09T12:40:42.096-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Um Doce Ser&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conheci aquela figura pequena, mas forte, correndo pelos corredores de um hospital para carentes. Era mais uma tarde sufocante da cidade do Salvador. O mar vaidoso jogava suas ondas para dourar mais ainda os jovens biquínis estirados preguiçosamente na praia. Eu a observava com aquele traje negro, cobrindo-a até os pés e comparava com a fresca e saudável vida lá de fora. Enquanto a seguia nos seus passos ágeis, tentava explicar o procedimento para a utilização dos materiais hospitalares que trouxera para doação. Ela me olhava sorrindo e dizia: “obrigada, filha, mas não sou a médica que vai utilizar tudo isso”. Como poderia explicar que, no fundo, eu apenas queria gozar um pouco mais do privilégio de sua presença tão brilhante? Que era apenas mais um coração carente? &lt;br /&gt;Então, numa tarde, depois de ter deixado os meus materiais no depósito do hospital, não tive dúvidas: entrei num dos banheiros; botei um jeans e um tênis surrados e entrei na fila dos desempregados, dos famintos e bem...esperei minha vez de ser atendida. Como qualquer carente.  Sempre lutei pela igualdade. A espera foi longa, afinal, são muitos os miseráveis nesse nosso tão jovem e dourado país! Tremi de emoção ao escutar o meu número: 175! Vibrei! Deu tempo. Bingo: 175! Pensei até em jogar no bicho. Se ganhasse, doaria tudo para a Instituição.&lt;br /&gt;Entrei, cabisbaixa, evidente, para que não me reconhecesse e procurei ser a mais humilde carente do mundo. E, convenhamos,  não há nada mais humilde que uma cabeça olhando para o chão. Estava com sorte. A pequena sala tinha  pouca iluminação e àquela altura do dia, já era noite. Sentei-me no lugar indicado por ela. Ela me olhou. Eu abaixei o olhar. Ela se levantou e me rodeou. Eu gelei e quase corri para o banheiro. Ela voltou a se sentar de frente para mim, pegou nas minhas mãos e disse, com o sorriso mais meigo que já vi um ser humano produzir: “Essa menina, você é um projeto e tanto de Deus,  que persistência, mas eu gosto mais de você com a sua versão de executiva, pelo menos pode me ajudar a ajudar essa gente, óxente”! E caímos ambas na gargalhada. E pelos dez minutos seguintes só falamos sobre o que ela mais sabia: amor!  E ela era só isso: amor! E, para falar sobre isso,  nem precisava tanta performance...nem tanta fila! Apenas um horário fora do pico. Eu era uma carente de neurônios, isso sim! Imaginem,  ela sabia quem eu era e até que eu era um projeto Divino! Nossa, aquilo foi um Oscar!&lt;br /&gt;Assim era a Irmã Dulce. Um ser que sabia ser doce. Que Deus a tem,  isso é mais que certo. Quando morreu, enfrentei com pesar a enorme fila para mais uma vez, ao invés de falar só de amor, falar baixinho que a elegera meu anjo de guarda. Pareceu-me sorrir. Por que não? Óxente!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12157323-111566764208965691?l=idiossincrasiaspoeticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://idiossincrasiaspoeticas.blogspot.com/feeds/111566764208965691/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12157323&amp;postID=111566764208965691' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12157323/posts/default/111566764208965691'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12157323/posts/default/111566764208965691'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://idiossincrasiaspoeticas.blogspot.com/2005/05/um-doce-ser-conheci-aquela-figura.html' title=''/><author><name>Reciclagem</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11740487964330304087</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12157323.post-111566707185608851</id><published>2005-05-09T12:29:00.000-07:00</published><updated>2005-05-09T12:38:10.986-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#3366ff;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;em&gt;O PEQUENO DOENTE&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deus! Deus! Deus!&lt;br /&gt;Por que abandonas assim os filhos teus?&lt;br /&gt;Como queres que aceitemos como fortes?&lt;br /&gt;Se nos mostras que só contamos com a sorte?&lt;br /&gt;Por que uma criança que nada pode?&lt;br /&gt;Por que se nem bem veio já é molde&lt;br /&gt;Dos sofrimentos, carências e agruras&lt;br /&gt;Oh, grande Senhor das escrituras!&lt;br /&gt;Senhor que vela longe das alturas&lt;br /&gt;Senhor repousado em brancas nuvens&lt;br /&gt;Alivia essas dores com ferrugens&lt;br /&gt;que amordaça crescimento tão efêmero&lt;br /&gt;repousando seu olhar triste a ermo&lt;br /&gt;e num leito de hospital seu peito enfermo&lt;br /&gt;não entende que brincar é proibido&lt;br /&gt;Por que? Correr, gritar é divertido!&lt;br /&gt;E a vida se esvai pelos remédios&lt;br /&gt;O choro reprimido, puro tédio&lt;br /&gt;As forças são exauridas por exames&lt;br /&gt;Que provocam mais ainda a dor infame&lt;br /&gt;Pai nosso que...&lt;br /&gt;Vamos, saias do céu!&lt;br /&gt;Apresente-se, tire o véu!&lt;br /&gt;Mostre seu rosto pr’esse pequeno filho&lt;br /&gt;Pois seu trem está fora dos trilhos&lt;br /&gt;Descambando pra ribanceira da extinção&lt;br /&gt;Sem a mínima chance de redenção&lt;br /&gt;Se era para o levar&lt;br /&gt;Sem tempo pro sabor experimentar&lt;br /&gt;Por que o trouxe?&lt;br /&gt;Porque melhor seria se tudo fosse&lt;br /&gt;Uma viagem pequena, mas sem bagagem&lt;br /&gt;Apenas um equívoco aborto sem hospedagem&lt;br /&gt;Pelo menos assim não teria visto&lt;br /&gt;esse quadro tão cruel e tão sinistro&lt;/em&gt;!&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12157323-111566707185608851?l=idiossincrasiaspoeticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://idiossincrasiaspoeticas.blogspot.com/feeds/111566707185608851/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12157323&amp;postID=111566707185608851' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12157323/posts/default/111566707185608851'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12157323/posts/default/111566707185608851'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://idiossincrasiaspoeticas.blogspot.com/2005/05/o-pequeno-doente-deus-deus-deus-por.html' title=''/><author><name>Reciclagem</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11740487964330304087</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12157323.post-111566692724675221</id><published>2005-05-09T12:22:00.000-07:00</published><updated>2005-05-09T12:28:47.260-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt; &lt;strong&gt;PELO FUNDO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sábado de festas para uns, trabalho para outros. Magali olhou pela janela da cozinha a noite estrelada. Terminou de lavar a louça do jantar. Levou as crianças para escovar os dentes e as colocou na cama. Beijou-as; arrumou melhor os cobertores de ambas, acendeu a luz do abajur e saiu.  Ajeitou todas as almofadas do sofá, recolhendo os brinquedos espalhados pela sala enquanto rezava baixinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não entendia porque o namorado a tinha abandonado quando soube do filho! Ah, se ele o visse agora!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dez horas. Madame disse que chegaria lá pelas duas da madrugada. Magali foi para o seu quartinho.  Pegou a mala e começou a guardar as roupas. Numa pequena valise, colocou os poucos produtos de higiene pessoal. Despejou no corpo o resto do perfume que comprara da revendedora da Avon. Penteou os cabelos, prendendo-os. Olhou-se no espelho. Olhou-se novamente. A roupa estava de acordo. Talvez precisasse de uma maquiagem. Leve. Coisa simples. O pequeno rádio que tocava CDs e a TV já tinha deixado com a mãe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de tudo pronto, sentou-se na cama e ficou admirando o papel que tinha nas mãos. Quanto tinha lhe custado conseguir aquilo! Foram dez meses. Metade do seu salário. Tudo bem. Aquele papel seria a felicidade do filho. Ele entraria na vida pela porta da frente, nunca pela do fundo como ela. Sentiu um orgulho sem qualquer soberba tomar conta do peito. Pegou o papel, dobrou cuidadosamente e o colocou num envelope, deixando-o fixado sob o imã da geladeira. A madame iria encontrar fácil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pegou outro envelope, escreveu com dificuldade um bilhete e o colocou em cima da mala: “Pra Casa André Luiz”. A madame quando não precisava mais de algo fazia a mesma coisa. Magali achava isso tão bonito!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aspirou um ar profundo, suspirando. Desde que engravidara, a mãe jogava na sua cara que a única serventia que tinha era aliviar tesão de malandro.  Agora provaria o contrário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi mais uma vez ao quarto dos pequenos e sorriu ao vê-los dormindo calmos e seguros. Seu filho também um dia teria um quarto que guardasse sonhos calmos e seguros.  Na carta para a mãe, tinha explicado tudo direitinho. Jogou um beijo da porta para as crianças como se ambas fossem o seu e, pensou que realmente o melhor seria a janela dos fundos para não sujar a entrada dos patrões. Pelo fundo como sempre esteve no mundo. Como achava que tinha nascido, pelo fundo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Benzeu-se; beijando respeitosamente o crucifixo pendurado no pescoço; subiu na pia da cozinha, abriu a janela e voou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sempre quis ser um pássaro! Só não sabia que o seguro pago tão duramente só beneficiaria ao filho em caso de morte natural. Pra falar a verdade, nem sabia que até a morte tinha qualificação!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não são todas iguais para todos e definitivas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Edi Longo&lt;br /&gt;SBAT 030899&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12157323-111566692724675221?l=idiossincrasiaspoeticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://idiossincrasiaspoeticas.blogspot.com/feeds/111566692724675221/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12157323&amp;postID=111566692724675221' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12157323/posts/default/111566692724675221'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12157323/posts/default/111566692724675221'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://idiossincrasiaspoeticas.blogspot.com/2005/05/pelo-fundo-sbado-de-festas-para-uns.html' title=''/><author><name>Reciclagem</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11740487964330304087</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12157323.post-111566646014189873</id><published>2005-05-09T12:16:00.000-07:00</published><updated>2005-05-09T12:21:00.166-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;strong&gt;VISITA DE DOMINGO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mãe! A senhora veio? Perdão!&lt;br /&gt;     &lt;em&gt;Não me olhe! Olhe apenas para o chão&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;Mãe, por favor, preciso tanto da senhora!&lt;br /&gt;     &lt;em&gt;Valho nada pra você e muito pouco valho agora&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;Mãe, eu lhe adoro. Queria apenas pagar sua operação&lt;br /&gt;      &lt;em&gt;Deixasse que eu morresse já nem tenho coração!&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;Mãe! Imploro, por favor, estou arrependido de verdade&lt;br /&gt;     &lt;em&gt;Não diga isso a mim diga à sociedade&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;Mãe, meu sangue arde, meu medo até me assombra&lt;br /&gt;     &lt;em&gt;Por que? Já perdeu a própria honra!&lt;br /&gt;     Sujou um nome que ganhou de graça&lt;br /&gt;     De um pai que sofreu desgraça&lt;br /&gt;     Mas viveu na honradez&lt;br /&gt;     Você nunca vai limpar esse nome outra vez&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;Mãe, não acredito que vai me abandonar&lt;br /&gt;Não tenho mais nem lágrima pra derramar&lt;br /&gt;     &lt;em&gt;Você marcou mais meu rosto&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;Não queria, juro, dar desgosto&lt;br /&gt;     &lt;em&gt;O desgosto é só meu pela luz que eu lhe dei&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;Mereço o seu desprezo, mãe, isso eu muito sei&lt;br /&gt;     &lt;em&gt;Então siga o seu destino como o homem que lhe fiz&lt;br /&gt;     Não chore. Nunca! Seja forte e pague seu ato infeliz&lt;br /&gt;     Mas apagar a mancha que derrubou em sua alma&lt;br /&gt;     Nem com litros de alvejante esfregado com muita calma&lt;br /&gt;     Quem sabe talvez um dia eu posso lhe olhar de frente&lt;br /&gt;     Mas no silêncio de mim lá dentro de minha mente&lt;br /&gt;     Quero apenas lhe ver como a criança&lt;br /&gt;     Que ao sugar o meu peito enchia-me de esperança&lt;br /&gt;     O seu sangue é o meu isso não posso esquecer&lt;br /&gt;     Aqui eu não volto mais pra nessas grades lhe ver&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;Adeus, mãe. Cuidado, não esqueça a medicação&lt;br /&gt;     &lt;em&gt;Devia ter tido antes essa preocupação&lt;br /&gt;     Preciso de um remédio que cure desilusão&lt;br /&gt;    Vou rezar dia após dia pela sua salvação&lt;br /&gt;     Que a minha espera agora é pela libertação&lt;br /&gt;     Desse sentimento sujo que me ataca a razão&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Senhora, a visita acabou&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;     Eu também. Nada restou.&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12157323-111566646014189873?l=idiossincrasiaspoeticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://idiossincrasiaspoeticas.blogspot.com/feeds/111566646014189873/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12157323&amp;postID=111566646014189873' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12157323/posts/default/111566646014189873'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12157323/posts/default/111566646014189873'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://idiossincrasiaspoeticas.blogspot.com/2005/05/visita-de-domingo-me-senhora-veio.html' title=''/><author><name>Reciclagem</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11740487964330304087</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12157323.post-111559651758213409</id><published>2005-05-08T16:54:00.000-07:00</published><updated>2005-05-09T12:09:46.433-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Cantiguinha de desninar mães&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Acorda mulher&lt;br /&gt;enfeita o dia&lt;br /&gt;mexe a colher&lt;br /&gt;no leite e esfria&lt;br /&gt;Acorda mulher&lt;br /&gt;vê a temperatura&lt;br /&gt;a febre ronda&lt;br /&gt;tua noite escura&lt;br /&gt;Acorda mulher&lt;br /&gt;perde a silueta&lt;br /&gt;teu filho sacia&lt;br /&gt;a fome na teta&lt;br /&gt;Acorda mulher&lt;br /&gt;deixa tuas dores&lt;br /&gt;tua cria ansia&lt;br /&gt;cuidados maiores&lt;br /&gt;Acorda mulher&lt;br /&gt;esquece teu ego&lt;br /&gt;canta uma melodia&lt;br /&gt;tua tenra cria&lt;br /&gt;ainda é cego&lt;br /&gt;Acorda mulher&lt;br /&gt;como um labrador&lt;br /&gt;seja dele guia&lt;br /&gt;pra onde ele for&lt;br /&gt;Acorda mulher&lt;br /&gt;faz a massagem&lt;br /&gt;a cólica agonia&lt;br /&gt;faz uma bandagem&lt;br /&gt;que aquece e alivia&lt;br /&gt;Acorda mulher&lt;br /&gt;madrugada te acorda&lt;br /&gt;c'um grito do anjo&lt;br /&gt;que tudo incomoda&lt;br /&gt;chorar é seu tango&lt;br /&gt;Acorda mulher&lt;br /&gt;tuas dúvidas acordaram&lt;br /&gt;que agora tua semente&lt;br /&gt;não volta, é pra sempre&lt;br /&gt;tuas noites acabaram&lt;br /&gt;Acorda mulher&lt;br /&gt;tua luta é constante&lt;br /&gt;saindo do ventre&lt;br /&gt;teu fruto estoura&lt;br /&gt;Acorda e agüente&lt;br /&gt;pra todo instante&lt;br /&gt;com fibra de moura&lt;br /&gt;nem que te arrebente&lt;br /&gt;jamais dormirás&lt;br /&gt;em paz novamente!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Edi Longo,&lt;br /&gt;mãe que vive sendo desninada&lt;br /&gt;uma hora é a balada&lt;br /&gt;outra, uma dúvida questionada&lt;br /&gt;e lá se vai a vida&lt;br /&gt;pela madrugada&lt;br /&gt;Deus, ó Meu Deus, muito obrigada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12157323-111559651758213409?l=idiossincrasiaspoeticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://idiossincrasiaspoeticas.blogspot.com/feeds/111559651758213409/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12157323&amp;postID=111559651758213409' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12157323/posts/default/111559651758213409'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12157323/posts/default/111559651758213409'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://idiossincrasiaspoeticas.blogspot.com/2005/05/cantiguinha-de-desninar-mes-acorda.html' title=''/><author><name>Reciclagem</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11740487964330304087</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12157323.post-111535739700050568</id><published>2005-05-05T22:28:00.000-07:00</published><updated>2005-05-05T22:29:57.026-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;HAI-KAY&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O pior não é sentir pena&lt;br /&gt;De si&lt;br /&gt;É não ter pena do outro.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12157323-111535739700050568?l=idiossincrasiaspoeticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://idiossincrasiaspoeticas.blogspot.com/feeds/111535739700050568/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12157323&amp;postID=111535739700050568' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12157323/posts/default/111535739700050568'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12157323/posts/default/111535739700050568'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://idiossincrasiaspoeticas.blogspot.com/2005/05/hai-kay-o-pior-no-sentir-pena-de-si-no.html' title=''/><author><name>Reciclagem</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11740487964330304087</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12157323.post-111535724517130587</id><published>2005-05-05T22:26:00.000-07:00</published><updated>2005-05-05T22:27:25.183-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;strong&gt;ANGÚSTIA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sofro: enquanto isso vou morrendo aos poucos&lt;br /&gt;Uma insólita e desconhecida paz se apodera de minh’alma&lt;br /&gt;Minha mortalha de bronze (dos melhores) me pesa, consola e vela&lt;br /&gt;Choro: minhas lágrimas, púrpuras lavas de sangue,&lt;br /&gt;                 sacodem suas ágeis asas por sobre o universo.&lt;br /&gt;As entranhas se perfilam diante dos incríveis caracóis de gelo&lt;br /&gt;Retorcidas, minhas patas se entrelaçam e se dão as mãos desconsoladas&lt;br /&gt;Meus cabelos viram cobras, serpentes amáveis que se enrolam&lt;br /&gt;                 no corpo que jaz sem vida.&lt;br /&gt;No imenso gozo que dura mais um segundo,&lt;br /&gt;Penetro-me em mim&lt;br /&gt;Viajo pelas minhas veias com água doce&lt;br /&gt;Que correm mansas pela imensidão do infinito que sou&lt;br /&gt;Os resíduos de fezes preenchem o vazio do meu ser&lt;br /&gt;                   vazio das coisas cheias&lt;br /&gt;Minha boca parece dez mulheres prostitutas todas se entregando&lt;br /&gt;                   às cópulas lascivas dos amantes bestiais.&lt;br /&gt;Meu corpo é um amontoado de cordas rotas que pendem solitárias&lt;br /&gt;                   sobre o jazigo de mármore do estranho ser que imagino ser.&lt;br /&gt;Minhas vísceras são minhas imagens do passado&lt;br /&gt;Meus rins se engolem sucessivamente&lt;br /&gt;Meu peso é leve como é leve o meu pensar&lt;br /&gt;Minha mão é um emaranhado de raízes que tentam se fixar no&lt;br /&gt;                     chão que é o meu todo.&lt;br /&gt;No indistinto mar de agonias, rolo dentro do meu cérebro e assumo minha&lt;br /&gt;                      forma: restos de ilusão, migalha de carinhos, disforme ventre por&lt;br /&gt;                      entre o qual, vagabundeiam os enormes crocodilos de marfim, com&lt;br /&gt;                  enormes dentes de granito apontando com o dedo em riste: pare de sonhar, imunda!&lt;br /&gt;                                                                               Angústia,&lt;br /&gt;                                                                                               solitária dama de negro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Edi Longo,  SBAT 030899 &lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12157323-111535724517130587?l=idiossincrasiaspoeticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://idiossincrasiaspoeticas.blogspot.com/feeds/111535724517130587/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12157323&amp;postID=111535724517130587' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12157323/posts/default/111535724517130587'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12157323/posts/default/111535724517130587'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://idiossincrasiaspoeticas.blogspot.com/2005/05/angstia-sofro-enquanto-isso-vou.html' title=''/><author><name>Reciclagem</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11740487964330304087</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12157323.post-111535717949083787</id><published>2005-05-05T22:24:00.000-07:00</published><updated>2005-05-05T22:26:19.496-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;strong&gt;O BLEFE&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Tenho na manga&lt;br /&gt;Um ás de ouro&lt;br /&gt;Para uma jogada&lt;br /&gt;Certa&lt;br /&gt;E só mostro o meu tesouro&lt;br /&gt;Quando a  porta&lt;br /&gt;For aberta&lt;br /&gt;Só ao último jogador&lt;br /&gt;Que estiver em minha mesa&lt;br /&gt;Mostrarei a minha carta&lt;br /&gt;E ganho o jogo&lt;br /&gt;com certeza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Edi Longo&lt;br /&gt;Natal (RN), abril de l978&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12157323-111535717949083787?l=idiossincrasiaspoeticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://idiossincrasiaspoeticas.blogspot.com/feeds/111535717949083787/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12157323&amp;postID=111535717949083787' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12157323/posts/default/111535717949083787'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12157323/posts/default/111535717949083787'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://idiossincrasiaspoeticas.blogspot.com/2005/05/o-blefe-tenho-na-manga-um-s-de-ouro.html' title=''/><author><name>Reciclagem</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11740487964330304087</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12157323.post-111535696490074707</id><published>2005-05-05T22:21:00.000-07:00</published><updated>2005-05-05T22:22:44.906-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;strong&gt;FRANCISCO DE AMSTERDÃ&lt;br /&gt;(Uma homenagem prô Chico, meu poeta preferido)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os olhos profundos e magoados do rosto de Carolina&lt;br /&gt;lembram o dom da mulher prá quem o amor é morfina.&lt;br /&gt;Mas, se tento me ater ao quadro de Januária,&lt;br /&gt;menos sei, menos entendo a fronte estatuária&lt;br /&gt;majestosa, justa e bondosa de tua alma Geni&lt;br /&gt;feminina, mais que qualquer outra mulher que conheci.&lt;br /&gt;Magoa-me, revolta-me o roubo do teu improviso&lt;br /&gt;como pôde a impetuosa Rita roubar-te ainda o sorriso?&lt;br /&gt;Imagino o sofrimento, a mágoa dos teus poucos anos, a decepção!&lt;br /&gt;Como esquecer os desenganos com a mudez de um violão?&lt;br /&gt;Ainda bem que te consolas nos braços de tua morena&lt;br /&gt;fazes sambas de madrugada, sem hora, sem patrão, sem pena.&lt;br /&gt;Quanta mansidão existe na espera, mas isto é coisa de sina,&lt;br /&gt;embora mulher-irmã, será que volta Cristina?Vagabundeio sem licença pelos teus versos potentes,&lt;br /&gt;e sinto como Bárbara sente os desejos mais ardentes,&lt;br /&gt;rolando-me em uma esteira tal e qual a tua musa&lt;br /&gt;que por falta de carinhos, sente-se triste, só e confusa.&lt;br /&gt;Quanto mais eu me aprofundo no teu universo-mulher,&lt;br /&gt;mais me encanto e me enamoro pelo teu jeito qualquer.&lt;br /&gt;Viajo nas formas meigas que traduzes em Maria&lt;br /&gt;(se falo dela aqui, apesar do teu pedido, sei que isso não devia),&lt;br /&gt;é que a danada dopou minha alma de magia.&lt;br /&gt;Os sentidos, os medos, as fraquezas que parecem ter tuas Helenas,&lt;br /&gt;(sei que Boal as criou, mas tu educastes as pequenas)&lt;br /&gt;que embora submissas, passam força, arrojo, paciência,&lt;br /&gt;dons que só quem a vida gera sabe melhor que a ciência.&lt;br /&gt;Enfim, poeta querido, santo e pecado no nome&lt;br /&gt;desculpe-me a ousadia, mas uma pergunta me consome:&lt;br /&gt;quais sentimentos femininos tu cantarás amanhã?&lt;br /&gt;Pois vejo em tuas mulheres, todas as Anas sofridas das vitrines de Amsterdã!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Edi Longo.&lt;br /&gt;SBAT 030899&lt;br /&gt;Amsterdã, outubro de 1998.&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12157323-111535696490074707?l=idiossincrasiaspoeticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://idiossincrasiaspoeticas.blogspot.com/feeds/111535696490074707/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12157323&amp;postID=111535696490074707' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12157323/posts/default/111535696490074707'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12157323/posts/default/111535696490074707'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://idiossincrasiaspoeticas.blogspot.com/2005/05/francisco-de-amsterd-uma-homenagem-pr.html' title=''/><author><name>Reciclagem</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11740487964330304087</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12157323.post-111535685614977345</id><published>2005-05-05T22:19:00.000-07:00</published><updated>2005-05-05T22:20:56.156-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt; A ENCHENTE&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Misturando açúcar no dia, o Sol preparou um fervente melado e derreteu  a névoa azeda. Ele precisava encontrar aquele corpo estirado à beira da piscina para beijá-lo novamente. Estivera dias antes e ela não aparecera. Ficou furioso com a Chuva e decidiu atrapalhar os seus planos de desbotar corações e ativar humores negros. E, principalmente,  não deixar corpos perfeitos à mostra. As plantas fizeram passeata na Avenida que espiava por entre os milhares de edifícios as pessoas correndo para a rotina. O Sol tentava explicar para a Flora enfurecida que ele também era necessário para sua sobrevivência, assim como aquele corpo de mulher era necessário para mantê-lo sempre aceso. A Chuva ouvindo essa confissão ficou ainda mais desolada e suas lágrimas caiam pingo a pingo que logo secavam no asfalto quente. Não sabia como demonstrar seu amor por aquele ser tão brilhante e ardente. Como gostaria de dizer que quando aparecia, não era para afrontá-lo, mas para que ele secasse suas mágoas, iluminando sua alma enamorada.  O Sol ficou esperando até o anoitecer e a morena de corpo perfeito não apareceu para recebê-lo. A Chuva magoada por perceber seu olhar decepcionado, deitou-se no ombro da Noite e chorou tanto, mas tanto que provocou uma enchente na cidade com seu pranto. Foi uma catástrofe! As plantas maiores caiam com o furor de seus lamentos; as menores morriam afogadas;  os humanos ricos abandonavam desorientados seus carros; os pobres, os seus barracos, xingando com pavor a tempestade. Ninguém  entendia que não era por causa das bocas de lobo que a cidade inundara, nem por displicência da prefeitura, mas por causa de um amor não correspondido. Quando a natureza ama, fá-lo com paixão e sem compaixão nos mantêm seus prisioneiros, mercês de suas vontades. E ainda ousamos desafiá-la!!!&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12157323-111535685614977345?l=idiossincrasiaspoeticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://idiossincrasiaspoeticas.blogspot.com/feeds/111535685614977345/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12157323&amp;postID=111535685614977345' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12157323/posts/default/111535685614977345'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12157323/posts/default/111535685614977345'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://idiossincrasiaspoeticas.blogspot.com/2005/05/enchente-misturando-acar-no-dia-o-sol.html' title=''/><author><name>Reciclagem</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11740487964330304087</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12157323.post-111535660631965152</id><published>2005-05-05T22:15:00.000-07:00</published><updated>2005-05-05T22:16:46.333-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;strong&gt;Meu vício&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A vida é o vício&lt;br /&gt;                       que me desce&lt;br /&gt;                                           pela garganta&lt;br /&gt;                                                               nos goles de&lt;br /&gt;                                                                                 uma bebida&lt;br /&gt;                                                                                                  que me sai&lt;br /&gt;                                                                                                                  pelas narinas&lt;br /&gt;                                                                                                nas espirais&lt;br /&gt;                                                                           de um cigarro&lt;br /&gt;                                                        quanto mais&lt;br /&gt;                                       quero parar&lt;br /&gt;                  mais a danada&lt;br /&gt;me pega&lt;br /&gt;              e me faz nela&lt;br /&gt;                                  viciar&lt;br /&gt;                                          e como gosto&lt;br /&gt;                                                             desse vício&lt;br /&gt;                                                                              vivo pela vida&lt;br /&gt;                                                                                                    bêbada&lt;br /&gt;                                                                                                             cigarros vivo&lt;br /&gt;                                                                                               a queimar&lt;br /&gt;                                                                       enquanto a vida&lt;br /&gt;                                                         me levar&lt;br /&gt;                                      dela eu farei&lt;br /&gt;                              abuso&lt;br /&gt;quem não se&lt;br /&gt;                   droga de vida&lt;br /&gt;                                        leva uma&lt;br /&gt;                                                      droga de vida&lt;br /&gt;                                                                           e vive a vida&lt;br /&gt;                                                                                             confuso&lt;br /&gt;                                                                                                         (acho isso&lt;br /&gt;                                                                                                                       um desperdício!)&lt;br /&gt;                                                                                                            por isso&lt;br /&gt;                                                                                      meu sacrifício&lt;br /&gt;                                                  é passar pelo suplício...&lt;br /&gt;de vida ter como vício!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Edi Longo, SBAT 030899&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12157323-111535660631965152?l=idiossincrasiaspoeticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://idiossincrasiaspoeticas.blogspot.com/feeds/111535660631965152/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12157323&amp;postID=111535660631965152' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12157323/posts/default/111535660631965152'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12157323/posts/default/111535660631965152'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://idiossincrasiaspoeticas.blogspot.com/2005/05/meu-vcio-vida-o-vcio-que-me-desce-pela.html' title=''/><author><name>Reciclagem</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11740487964330304087</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12157323.post-111535614678524957</id><published>2005-05-05T21:58:00.000-07:00</published><updated>2005-05-05T22:09:06.803-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt; &lt;strong&gt;UM PASSEIO COM CHE&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao contrário do que eu pensava, a idade não me deu mais experiência. Cada dia que acordo tenho a sensação que nada sei e cada vez mais aumenta em mim o desejo de mais saber. E com a idade, a gente fica com a sensação que está mais perto da morte e que tem um monte de coisa para fazer e o tempo está se escoando por entre nossos trêmulos dedos. Cada aniversário é uma tortura!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi assim que saí do cinema naquela tarde de quarta-feira cheia de trânsito, coisa normal em São Paulo. Mas naquele dia, achei ótimo ficar parada dentro do carro, ouvindo minhas músicas preferidas e pensando no que acabara de assistir. Um filme sobre o Guevara.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De repente, ele estava no banco do carona me olhando de forma enigmática. “Está com pena de mim, não está?”, perguntei. Ele riu apontando com a cabeça para o trânsito: “Não. Você escolheu enfrentar isso”. Encolhi minha frustração por não ter passado a mão em minha cabeça e insisti: “Não sou funcionária do CET, meu!”. Ele riu novamente: “mas é de sua vontade”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fiquei agora surpresa e irritada, mas o tráfego andou e cantarolei baixinho com Pablo Milanes, fingindo não perceber que ele estava ali sério, com uma ruga entre as sobrancelhas, observando-me. Fiquei imaginando que ele deveria estar me achando uma cinqüentona vazia e cheia de desejos de consumo; ridícula e pobre de vontade, preocupada apenas com o que fazer no jantar para alimentar um marido sempre faminto e aqueles filhos que sempre reclamam do cardápio.  Pensamento mais  besta diante daquele homem tão forte! Senti o calor da vergonha subir ao rosto misturado ao da menopausa. Que droga!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De repente, ele gargalhou. Não agüentei a provocação e parei o carro, acendendo trêmula de raiva um cigarro. “O que foi agora? Quer dar o fora do meu carro? Olhe aí, sujou todo o tapete com estas botas cheias de barro”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Ele tranqüilamente pegou um cigarro do console, acendeu, aspirando fundo e me envolveu com essa: “Parece tão difícil largar tudo, né? E, pode crer, é muito difícil. É difícil trocar o leito macio por um catre qualquer. É muito difícil largar a mesa farta por uma cuia de migalhas. É muito difícil largar um bom banho quente de uma ducha por um banho de rio. É muito difícil deixar de andar de carro e andar de coletivo, cheio de gente que fede, peida, escarra, esfrega-se para conseguir um lugar. É muito difícil brigar contra o “status quo”. É muito difícil se expor, mas é muito mais difícil optar. O melhor da vida seria não termos as alternativas. Parece sádico, mas seria mais fácil”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Pô, Che, acertou na mosca! Chegamos: esse é o Ibirapuera. Pra mim, o púbis de São Paulo. Lugar de gozo e relaxamento, mas desça e veja isso!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gente correndo, gente com frio. Sorrisos sem dentes, estômagos vazios. Parece que a cidade vai ter um orgasmo fingido. Parece que está sempre sendo usada não num ato de amor, mas de estupro. Olhe isso Che, não é abominável? São de vários credos, raças, várias carências. Sempre que estou triste, venho para cá e finco meus olhos pela cidade, perguntando: aonde a gente quer chegar? Aí, observo essa gente que quer apenas ganhar o pão de cada dia. Você tem razão, por que diabos, a vida nos dá tantas alternativas, se precisamos de tão pouco? Trabalhar, cuidar de nosso corpo e nosso espírito. “Men sanna in corpore sanno”. Só isso. Por que então, procuramos por mais e mais e sempre mais?”.&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;“Porque nascemos homens e nos tornamos animais brigando pela sobrevivência, pela divisão do bolo da vida, minha cara, quase sempre cortado de forma desigual. Porque fizemos leis para nos conduzir e muitos de nós, perdemo-nos na interpretação dessas leis. Poucos as conhecem e são usadas pelos que muito fazem uso delas, quase sempre em seu próprio benefício. Claro que dói pensar que neste parque que você escolheu para meditar, deveria ter uma árvore para cada pássaro e cada pássaro para embevecer um homem, mas hoje crescem tantos prédios ao redor, para agasalhar tanto humano sofrido. Quando temos nas mãos o poder de decidir, tornamo-nos instintivamente apenas animais. Qualquer um. Não se engane. O poder alicia, corrompe, contamina. Modifica os ideais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; “Não pensou assim quando brigou tanto! Queria ter essa coragem e esse ímpeto”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Era o meu momento, era o momento político no qual acreditava e que estava me proporcionado isso, nada mais. Fui envolto pelos fatos e pelas ações que cobravam as reações como uma bola de neve. Apenas não fugi. Não queria apenas conhecer as leis, queria vê-las aplicadas de forma a dar um pedaço do bolo para todos de forma igual como uma mãe prestimosa que atende a um milhão de filhos, sem esquecer nenhum”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Teve medo?”, perguntei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando olhei para o lado ele não estava mais ali. Recostei-me a uma frondosa árvore e na imaginação, senti o seu medo naquela sala de uma escola em La Higuera  (Bolívia), quando ouviu o disparo dado em seu companheiro Willy no outro compartimento. Eu podia ouvir o seu coração acelerar e um frio passeando pela sua espinha. Pude sentir o seu sentimento de não poder ter dado a todos o que tanto queria: a integridade humana, a supremacia da vida. O homem enquanto homem, sem nações, sem línguas, sem fronteiras.  Ele seria o próximo. Senti o cheiro da pólvora corroendo sua coragem, corroendo suas convicções, manchando os trapos andarilhos do sangue daqueles para quem tanto lutara. Aquele projétil o ressuscitaria para sempre nos corações dos povos que sofriam os abusos dos imperialistas, dos que não sabiam interpretar as leis, dos que só queriam o poder de poder, queriam o bolo inteiro e só pra si.  Che acabara de entrar para a História pela porta da frente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Caí da imaginação dando com a bunda no asfalto quente. Olhei com dó uma pedinte. Que pena que a poética filosofia marxista, na prática é tão patética! Que pena que aquela ilha caribenha não tenha se transformado no paraíso sonhado. Não precisaríamos nem morrer. Compraríamos um bilhete pela Cubana e alcançaríamos o céu!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Afaguei com carinho o sexo quente de minha caótica cidade, observando-a mais uma vez, quando senti uma mão no meu braço: “cuidado com a bolsa, dona!”. Uma simpática paulistana estava me arrancando do meu passeio com o Che, fazendo-me voltar à minha realidade: uma guerrilha no coração de minha floresta de prédios! Tive medo, claro, sou humana, mas sou livre. Nunca a liberdade foi uma palavra tão cheia de significados para mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho medo, caro Che, mas não endurecerei e não perderei a ternura jamais. Apesar de ter sido o herói que foi, você também, em algum momento, deve ter tido.  Um medo não da perda física, mas um medo de não ser compreendido nos seus sonhos de igualdade. E nesse momento entendi o que era a liberdade para esse guerrilheiro: o poder de lutar pelo outro, sem se apegar nem à própria vida. Como bem o classificou Bertrand Russel: você foi o ser humano mais completo da nossa era.&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Hasta la vista, cabron!&lt;br /&gt; &lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12157323-111535614678524957?l=idiossincrasiaspoeticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://idiossincrasiaspoeticas.blogspot.com/feeds/111535614678524957/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12157323&amp;postID=111535614678524957' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12157323/posts/default/111535614678524957'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12157323/posts/default/111535614678524957'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://idiossincrasiaspoeticas.blogspot.com/2005/05/um-passeio-com-che-ao-contrrio-do-que.html' title=''/><author><name>Reciclagem</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11740487964330304087</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12157323.post-111535550344117673</id><published>2005-05-05T21:54:00.000-07:00</published><updated>2005-05-05T21:58:23.463-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;strong&gt;Gênese&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saí berrando do útero ressequido mas quente da caatinga paraibana.&lt;br /&gt;Já nasci gritando que não ia aceitar qualquer trapaça.&lt;br /&gt;Saí urrando que não ia aceitar qualquer “não” Categoricamente imposto&lt;br /&gt;Saí esbravejando deixando claro desde o início&lt;br /&gt;Que não iria aceitar qualquer destino que me fosse proposto, muito menos negociado.&lt;br /&gt;Nem excesso de sacrifício.&lt;br /&gt;Nasci prá ser feliz!&lt;br /&gt;Saí consciente que a minha trajetória eu mesma ia traçar.&lt;br /&gt;E procurei fazer bom uso do compasso e da régua&lt;br /&gt;cada sonho foi analisado, sofrido, desejado&lt;br /&gt;cada passo foi milimetricamente medido e estudado.&lt;br /&gt;Saí discursando de dentro da saia de minha terra,&lt;br /&gt;cujo sexo é quente e cálido&lt;br /&gt;e me fez ser uma brasa,&lt;br /&gt;jamais gelo que derrete e some.&lt;br /&gt;Quando isso aconteceu,&lt;br /&gt;segundo minha mãe biológica,&lt;br /&gt;a terra chorou junto com o meu berro,&lt;br /&gt;tanta dor sentia&lt;br /&gt;pelas mil rachaduras de sua pele seca&lt;br /&gt;que parecia verter labaredas do chão.&lt;br /&gt;Por isso eu sou assim:&lt;br /&gt;uma eterna fogueira!!!&lt;br /&gt;Onde cada ato é um pedaço de lenha&lt;br /&gt;que jogo nela para enfeitar&lt;br /&gt;a minha particular festa de São João:&lt;br /&gt;a vida!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12157323-111535550344117673?l=idiossincrasiaspoeticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://idiossincrasiaspoeticas.blogspot.com/feeds/111535550344117673/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12157323&amp;postID=111535550344117673' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12157323/posts/default/111535550344117673'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12157323/posts/default/111535550344117673'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://idiossincrasiaspoeticas.blogspot.com/2005/05/gnese-sa-berrando-do-tero-ressequido.html' title=''/><author><name>Reciclagem</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11740487964330304087</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12157323.post-111535476314561721</id><published>2005-05-05T21:36:00.000-07:00</published><updated>2005-05-05T21:53:45.673-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;O BRILHO DO OLHAR DE UMA MULHER&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Onze horas da noite de uma quinta-feira deliciosa. Noite estrelada convidando para um chope e eu olhava desanimada para a pilha de trabalhos literários para corrigir que me desafiava como se me lembrasse que no fim do mês tinha um monte de contas para pagar e, claro, isso só seria possível se trabalhasse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tinha apenas 22 anos e estava fechada num quarto diante de...Merda! Nunca na minha vida desejei tanto ter nascido um bichinho de estimação: come, bebe, alivia-se no próprio território demarcado, dorme e ainda ganha carinhos da família inteira, sem o mínimo esforço. Ah, e ainda tem foto em porta retrato.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bem, mas vamos às correções. Corrigir não é bem o certo, mas avaliar cada uma das cinqüenta dissertações. O pior que tive a péssima idéia de dar um tema livre. Estúpida! Cada uma com as idiossincrasias mais diversas, pontos de vista e o pior...as famosas encheções de lingüiça, etc...E o bicho pega mesmo é nos “etcs...”que cada futuro escritor traz no bojo do bolso. Tudo é muito subjetivo e deve ser respeitado, enfim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pensei na “Jeannie é um Gênio” que só balançava a linda cabeleira loura, cruzava os bracinhos e num piscar de olhos tudo estava pronto. Que saudade da minha inocente infância! Mas, munida de uma garrafa térmica de café e um pouquinho de coragem, fui lendo. Algumas eram interessantes, outras quase me fazia bater com a cabeça na mesa de tanto pestanejar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ufa! Peguei a vigésima primeira e o Morfeu me convidava insistentemente para cair em seus braços, quando o título já me prendeu a atenção: “O brilho do olhar de uma mulher”. Pensei: deve ser de alguma mulher querendo se valorizar. Olhei o nome no rodapé: era um homem! Tentei recordar o rosto do aluno, mas o sono me implorava por lençóis. Comecei a ler arregalando os olhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Interessante, mas...às duas horas da madrugada, francamente, achei melhor deixar para concluir a leitura no dia seguinte, embora o primeiro parágrafo já me pegasse pelo pé...e raios! Confiram vocês mesmos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;“Comece devagar, sem pressa:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os pés pequenos e macios foram feitos para pisar leve e transportar com um balanço suave o resto a ser analisado. Não se aventure demasiado, pois podem pisar, sem o mínimo dó os seus pensamentos, tornando-os desvairados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As pernas torneadas, vestidas com pele de seda, sustentam com carinho os joelhos arredondados que escondem atrás, uma reentrância sutil e perigosa para qualquer escalador menos prudente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As coxas recheadas de minúcias, cientes de suas trajetórias, podem fazer, sem qualquer pena, sua saliva escorrer como cão sem dono que sofre por um carinho ou um prato de comida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As nádegas, irmãs côncavas das virilhas, precisam de fôlego. Arredondadas, cuide-se para não cometer qualquer bobagem, pois pode escorregar perigosamente.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;O púbis triangular requer maiores estudos. Aí, pare um pouco para repousar. Oxigene o ar, antes de fazer qualquer reconhecimento. Cuidado para não deixar escapar da cintura a corda que o sustenta. Se conseguir, deposite com sutileza e respeito a seiva que fecundará sua mata natural, cuja entrada principal é quente e úmida, mas não se precipite e explore os outros arredores antes de penetrá-la. É mais salutar e aprazível!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A barriga elástica é como se fosse uma pequena fábrica de brinquedos. Aquele buraquinho que parece ser nada é a tomada generosa que dá à humanidade a luz da escuridão e faz a pequena fábrica gerar e alimentar, criando lindas bonecas e bonecos que correm atrás da bola infantil do mundo. O cordão que une homens e mulheres, de forma igual. Às vezes, dá-se tão generosa, que vários desses bonequinhos são especiais: gêmeos, trigêmeos, gênios ou excepcionais, não importa, são alimentados e amados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por favor, não se perca nas curvas que a margeiam. Cuidado para não derrapar e cair. A ambas deram o nome de cintura e um observador mais arguto, no auge de sua admiração, não se conteve e a imortalizou na forma de um instrumento e se perdeu nas notas de uma canção. Ouvi dizer que ficou louco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vá devagar, pois mais acima, uma rampa sem maiores tropeços e dificuldades aparentes, poderá levá-lo, traiçoeiramente perigosa, a dois pequenos montes, onde o ar poderá lhe faltar. Explore-os com suavidade e nunca se esqueça que apesar de inocentes, esses montes são responsáveis pelo alimento universal.&lt;br /&gt;Isso requer muito respeito, muita sutileza! Dizem que são dois vulcões por onde lavas jorram brutas e impiedosas, quando indevidamente acordados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O pescoço delgado parece apenas uma ponte que une o colo macio que refrescará sua ânsia, com o resto ainda a explorar, mas se passar por ela bem devagar, arrancará suspiros e encontrará o maior segredo do mundo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como um tesouro escondido, lá está o ápice: a cabeça. Há que se ter fôlego para desenterrá-lo, por isso, tome um pouco a água do cantil, respire e aspire o ar cálido que sai de suas cavidades faciais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A boca, esconde um dragão que cospe fogo e esquenta qualquer coração desavisado, por isso, não se deixe iludir. Explore-a apenas se a desejar ardentemente, pois senão estará em perigo. Os sussurros poderão se triplicar através de ecos que a cavidade retumba e, isso poderá fazê-lo surdo à razão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O nariz aspira e reconhece o seu cheiro de macho, dilatando-se e mandando sinais de êxtase para a pele arrepiada, cujos poros exalam igualmente o seu perfume que poderá, sem qualquer benevolência, deixá-lo aturdido e fora de si.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora, peço-lhe que se acautele mais um pouco. Pule as duas pequenas aberturas que abrem e fecham com languidez as lindas cortinas que as decoram e que ladeiam o nariz. Esse movimento é encantador, mas infernal. Estas necessitam de uma pesquisa mais aprofundada, sem quaisquer atropelos, com certeza.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Para não se cansar demasiado, faça um pouco de Cooper andando pelos dois tentáculos graciosos que adornam as laterais, não os deixem se fechar, senão poderão sufocá-lo no aconchego que provocam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aliás, esquive-se das suas extremidades; porque têm mil formas de agradá-lo; por isso, se quiser, desça os braços, mas não ultrapasse dos limites de seus punhos, o que chamamos de mãos, pois elas usarão e abusarão de suas vontades, deixando-o sem defesa, literalmente vencido em suas palmas. Melhor esquecê-las e voltar à cabeça.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Vá subindo e, não se surpreenda com o clarão dúbio, hesitante entre a alegria e a tristeza que verá em ambas aberturas já citadas, que brincam com graça de sua emoção evidente. Isso pode ser uma armadilha das mais perigosas. Não seja incauto nem curioso em demasia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Veja se está tudo em ordem com a sua pressão, pois pode subir com o rarefeito do ar naquela altura. Aqui se faz necessária uma explicação: os olhos, aparentemente inocentes, são as portas por onde você entrará em seu espírito. As pequenas cavernas que escondem muitos mistérios e que se alargam, jogando-o como num túnel interminável nas profundezas de seu ser.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se for um iniciante, encantar-se-á com o brilho que ambas emanam separadas para depois, num espetáculo pirotécnico fantástico, tornar-se único fogo do artifício a que chamamos olhar. Se for um fraco poderá sucumbir ao seu apelo e aí estará irremediavelmente perdido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O olhar é hipnótico e feiticeiro, podendo escravizá-lo e quando quiser fazer o caminho inverso, não o encontrará, pois ela já o mantém prisioneiro. De repente, você verá que todo o percurso que já fez foi em vão. Todo o cansaço da vinda, será absolutamente sem recompensa, se não fez o que mais era necessário: desviar-se do olhar. Não adianta correr se o fitou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rugas discretas sulcarão pequenas fendas no espaço entre os olhos e o topo ainda não explorado, que o fará escorregar sempre e sempre, forçando-o a fitá-los.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não adianta se segurar em seus cabelos. Eles são feitos de árvores, cujos troncos são frágeis e não lhe darão nenhuma sombra ou remanso. Eles apenas enfeitam o seu pólo superior, ajudando a cobrir os seus pensamentos absurdamente enigmáticos e emolduram o cartão postal que é o seu rosto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se não desviou o olhar do olhar, desculpe, amigo, mas a sua escalada terminou. É uma viagem sem volta, como a morte. Desde o início pedi prudência, muita cautela! Pode jogar fora todos os seus apetrechos de alpinista, que não valem para mais nada. Você está perdido e nenhum aviso de socorro poderá salvá-lo. Não adianta fazer fogueira, você já está nela e o fogo que sente é a prova.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela já se alojou em seu cérebro, desceu corroendo a garganta e se instalou no coração, que corre louco numa disritmia inexplicável e explodirá em mil pedaços que irá catando com mãos mágicas de fada, às vezes, de bruxa malvada, brincando de fantasia no salão em festa do seu peito conquistado.&lt;br /&gt;Nesse instante, se medir sua pressão verá que subiu tanto que só se sentirá aliviado quando ela permitir, se magnânima for, que explore também a sua alma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não adianta gritar. Entregue-se sem medo. O cerco está fechado. Todos os seus sentidos são soldadinhos de chumbo diante do exército de encantos que a defende. E ela fará de você senhor e escravo. Aí está o grande segredo da multiplicação da humanidade: tudo começa com o brilho do olhar de uma mulher!”&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Nem preciso dizer que à essa altura eu já tinha perdido além do fôlego, o sono. Não via a hora de chegar no dia seguinte para olhar nos olhos daquele aluno tão...tão...sensível, não! Sensível é pouco para o que quero dizer. Jamais vi uma discrição tão sutil e delicada de uma mulher! Senti o ego mais cheio do que o daquelas mulheres infláveis. Também não preciso dizer que hoje ele é o meu marido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pensaram o quê? Que eu ia deixar escapar assim um alpinista tão meticuloso?&lt;br /&gt;Ora, vão catar o de vocês! &lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12157323-111535476314561721?l=idiossincrasiaspoeticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://idiossincrasiaspoeticas.blogspot.com/feeds/111535476314561721/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12157323&amp;postID=111535476314561721' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12157323/posts/default/111535476314561721'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12157323/posts/default/111535476314561721'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://idiossincrasiaspoeticas.blogspot.com/2005/05/o-brilho-do-olhar-de-uma-mulher-onze.html' title=''/><author><name>Reciclagem</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11740487964330304087</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12157323.post-111535415760306811</id><published>2005-05-05T21:33:00.000-07:00</published><updated>2005-05-05T21:35:57.610-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt; &lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#3366ff;"&gt;CANÇÃO PARA ACALENTAR MEU ANJO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Converso com o meu anjo... conheço suas trapaças&lt;br /&gt;Pois apesar de arcanjo, mete-se em arruaças.&lt;br /&gt;Quando me deito, uma prece sempre dedico ao danado&lt;br /&gt;Cada um tem o anjo que merece e o meu é um safado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é que num belo dia resolveu me abandonar?&lt;br /&gt;De manhã, acordei com alergia, à tarde, dor na lombar.&lt;br /&gt;À noite, o bicho pegou. Febre alta e dor no peito&lt;br /&gt;Gripe forte que chegou no maior do desrespeito!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apelei para o dito cujo mas devia estar entretido&lt;br /&gt;Ou com o ouvido sujo não atendendo ao pedido&lt;br /&gt;Que calara meu gemido pois além do resfriado&lt;br /&gt;Quebrei o dedo metido num vaso meio arriado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esperei pela manhã pois sou muito perspicaz&lt;br /&gt;Procurei-o, coisa vã ...coisa que ele sempre faz&lt;br /&gt;Ao entrar no meu carro para ir ao hospital&lt;br /&gt;Não é que ainda esbarro num distraído animal?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lógico que o coitado assustado me mordeu&lt;br /&gt;Meu anjo agora acuado na hora me socorreu&lt;br /&gt;Pois, apelei direto ao Chefe que acho que ele tem&lt;br /&gt;Deus deve ter –lhe dado um tabefe ajeitando-lhe o desdém&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mostrando que sua função é guardar o pobre mortal&lt;br /&gt;Que sucumbe em oração tentando vida normal.&lt;br /&gt;E não é que o abestado ainda quis me corromper?&lt;br /&gt;Ficou um tempão calado sem nada me atender.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tive gastrite, sinusite, amigdalite, estomatite,&lt;br /&gt;Dor de barriguite, e todos demais “ ites”&lt;br /&gt;Que atacam o ser humano (ainda bem que não sou cardíaca)&lt;br /&gt;Pois meu anjo desumano tornou-me uma hipocondríaca!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como não sou vingativa fiz para ele uma canção&lt;br /&gt;Cheia de esperança viva que encham seu coração&lt;br /&gt;E quem sabe ele volte prá me proteger e guiar&lt;br /&gt;Sem que eu me revolte se novamente faltar.&lt;br /&gt;O cara é meio folgado&lt;br /&gt;Mas como diz o ditado&lt;br /&gt;(adoro o popular!)&lt;br /&gt;melhor com ele por perto&lt;br /&gt;do que sem ele ficar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12157323-111535415760306811?l=idiossincrasiaspoeticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://idiossincrasiaspoeticas.blogspot.com/feeds/111535415760306811/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12157323&amp;postID=111535415760306811' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12157323/posts/default/111535415760306811'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12157323/posts/default/111535415760306811'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://idiossincrasiaspoeticas.blogspot.com/2005/05/cano-para-acalentar-meu-anjo-converso.html' title=''/><author><name>Reciclagem</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11740487964330304087</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12157323.post-111529216159562146</id><published>2005-05-05T04:17:00.000-07:00</published><updated>2005-05-05T04:22:41.603-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt; &lt;strong&gt;UM PEQUENO GRANDE POETA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aquele menino estava há horas com aquele pedaço de papel nas mãos. De vez em quando rabiscava alguma coisa e apagava com expressão séria, com uma pequena ruga entre os olhos e balançando masculamente a cabeça. Eu fingia continuar lendo o meu livro, pois ele de vez em quando, olhava para mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, uma hora, ele se levantou; foi até à uma árvore, pegou uma folha e voltou ao seu lugar no banco à minha esquerda.  Cheirou a folha, depois de esmagá-la. Tive que me conter para não me aproximar dele, pois agora ele tinha colocado um pedaço da folha na boca e mastigava como se estivesse saboreando um...sei lá...um prato que muito apreciasse. Confesso que fiquei preocupada e se a folha fosse venenosa? Bem, sempre tive cuidado com as “comigo-ninguém-pode”, por causa das crianças, mas...será que folhas de árvores de um parque como o Ibirapuera seriam venenosas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltei a olhar para o livro e quase berrei quando ele perguntou: “nossa, a senhora consegue ler de cabeça para baixo?” Claro, que depois de ficar muito vermelha, dei uma bela gargalhada. Ele riu e me mostrou o papel.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;“POEMA INÚTIL&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não gostaria de falar apenas de qualquer coisa.&lt;br /&gt;Queria falar sobre uma coisa de que ninguém nunca tivesse falado,&lt;br /&gt;Mas parece que a humanidade já disse tudo.&lt;br /&gt;Queira ter vivido no mundo dos grandes pensadores,&lt;br /&gt;Mas que culpa tenho se vivo no mundo dos grandes faladores?&lt;br /&gt;Adoraria poder unir todos os amores impossíveis da história.&lt;br /&gt;Acabaria com a divisão dos homens em classes.&lt;br /&gt;No meu mundo seriam homens, apenas.&lt;br /&gt;Gostaria tanto que tivéssemos apenas uma língua, um deus qualquer.&lt;br /&gt;Não um Deus que está em todo lugar. Isso dá medo!Parece um espião!&lt;br /&gt;Queria ter a certeza sobre tudo. Saber tudo. Engolir no café da manhã todo o conhecimento possível.&lt;br /&gt;Isso é uma pedra, mas com o olhar de um poeta pode ser a moradia de um sapo. Menos um sem teto no mundo!&lt;br /&gt;Isso é uma grama, mas com um pouquinho de manteiga, pode ser uma couve mineira. Mais um alimento para nossa gente miserável!&lt;br /&gt;Isso é um banco, mas com aquela senhora que finge ler um livro, pode ser um navio singrando os mares do Egeu levando-a para os braços dos deuses gregos.&lt;br /&gt;Isso é uma árvore, mas também é o abrigo de tantos pássaros!&lt;br /&gt;Isso é uma folha dessa mesma árvore, mas como é macia como um carinho que adoraria dar no planeta!&lt;br /&gt;E, ao comê-la, como é saborosa como a comida que sacia um faminto!&lt;br /&gt;Como eu...faminto por saber de tudo.&lt;br /&gt;Que pena vivermos tão pouco para sabermos de tudo o que o mundo tem.&lt;br /&gt;Não quero só a tecnologia, o avanço da mente apenas.&lt;br /&gt;Quero o sabor do saber, absorver todas as cores de um arco-íris&lt;br /&gt;Achando que no seu fim tem realmente um tesouro&lt;br /&gt;Cheio de almas belas, grandiosas e amáveis.&lt;br /&gt;Mas...confesso que...diante de toda a beleza dessa natureza à minha volta...&lt;br /&gt;Apenas consigo, depois de tanto pensar, escrever esse...&lt;br /&gt;poema inútil”.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Fiquei olhando abismada para ele, só conseguindo balbuciar: “você escreveu isso?”. E ele com os olhos úmidos, respondeu: “é tão bobo, né?”. Instintivamente, abracei-o e disse: “isso é tudo!” Ele riu e disse com uma voz entre infantil e adolescente: “sabe, eu costumo realmente saborear as palavras, pois acho que têm cor, peso e sabor. Minha mãe diz que sou meio louco, porque ao invés de brincar no computador ou ir jogar bola no playground eu venho prá cá com meus pensamentos idiotas”.  Aquilo me doeu fundo. “Não! Por favor, mil vezes não! Você não deve pensar assim. Continue escrevendo, continue procurando o que acha que deve estar escondido em cada pedacinho de sua pele e faça brotar, faça crescer como as árvores do Parque e mastigue as folhas em forma de fonemas, coma-as, sinta-as, contanto que isso faça você fazer esse poema lindo que fez”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E me vi abraçada àquele menino desconhecido, mas tão sensível, tão grande dentro de um mundo tão pequeno. Ele apertou minha mão com força e me disse, convicto: “obrigado, graças a Deus, enquanto existirem os sensíveis, ainda existirão os poetas!”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Relaxei e esqueci, por um momento, de vigiar constantemente a bolsa, como qualquer cidadã de uma megalópole como São Paulo. Rindo, fiquei extasiada ao pensar que aquela pequena pedra que acabara de pisar poderia estar acolhendo um casal de caramujos...quem sabe não estariam fazendo amor?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o mundo nunca me pareceu tão romântico e tão humano!&lt;br /&gt; &lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12157323-111529216159562146?l=idiossincrasiaspoeticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://idiossincrasiaspoeticas.blogspot.com/feeds/111529216159562146/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12157323&amp;postID=111529216159562146' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12157323/posts/default/111529216159562146'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12157323/posts/default/111529216159562146'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://idiossincrasiaspoeticas.blogspot.com/2005/05/um-pequeno-grande-poeta-aquele-menino.html' title=''/><author><name>Reciclagem</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11740487964330304087</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12157323.post-111526512564505012</id><published>2005-05-04T20:30:00.000-07:00</published><updated>2005-05-05T04:27:49.740-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;strong&gt;RE-CI-CLA-GEM&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Fiz uma fogueira enorme&lt;br /&gt;e fui queimando coisas que estavam&lt;br /&gt;machucando e travando o peito&lt;br /&gt;com uma dor não definida.&lt;br /&gt;Queimei algumas desilusões&lt;br /&gt;aquele amigo que me decepcionou&lt;br /&gt;aquela atitude grosseira de alguém&lt;br /&gt;a quem confiei parte de mim.&lt;br /&gt;Queimei todas as dores do mundo.&lt;br /&gt;Queimei todos os sentimentos de negação.&lt;br /&gt;Aquela expectativa abortada.&lt;br /&gt;Aquela euforia calada. &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Queimei o mal e também o mau. &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Queimei as imagens do feio, transformando em pó &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;que joguei na privada sem o mínimo dó.&lt;br /&gt;E a inveja, olho torto do homem.&lt;br /&gt;E a miséria, boca torta do injustiçado.&lt;br /&gt;Dormi conversando com as labaredas vermelhas e acordei, &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;rememorando as coisas boas que abriram em mim um sorriso.&lt;br /&gt;Aquele afago recebido sem motivo. &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Apenas um afago. &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Aquela piada, &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;aquela brincadeira.&lt;br /&gt;Aquela emoção diante de uma peça de teatro,&lt;br /&gt;de um livro bem escrito, de uma poesia.&lt;br /&gt;Aquele beijo sincero. &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Aquele olhar cúmplice.&lt;br /&gt;Aquela gargalhada gostosa que lava a alma.&lt;br /&gt;Reciclei todo o meu lixo interno&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;dei uma banana pro mundo externo&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;pulei com o capeta as brasas do inferno&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;atropelando-o com meu pé enfermo&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;e vibrando de pura alegria&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;recortei fantasia com nostalgia&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;costurei melancolia com alegoria e,&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;vestindo-me de energia&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;fechei o paletó pra fase fria&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;fazendo, enfim, as pazes com o meu novo dia!&lt;/strong&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12157323-111526512564505012?l=idiossincrasiaspoeticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://idiossincrasiaspoeticas.blogspot.com/feeds/111526512564505012/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12157323&amp;postID=111526512564505012' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12157323/posts/default/111526512564505012'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12157323/posts/default/111526512564505012'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://idiossincrasiaspoeticas.blogspot.com/2005/05/re-ci-cla-gem-fiz-uma-fogueira-enorme.html' title=''/><author><name>Reciclagem</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11740487964330304087</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12157323.post-111526369109842253</id><published>2005-05-04T20:25:00.000-07:00</published><updated>2005-05-04T20:29:34.050-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#3366ff;"&gt;COISAS IMPOSSÍVEIS&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Queria tantas coisas impossíveis!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escrever como os imortais&lt;br /&gt;entender as matérias exatas&lt;br /&gt;falar todas as línguas&lt;br /&gt;compreender todas as filosofias&lt;br /&gt;escalar o Himalaia&lt;br /&gt;pisar na Lua como Armstrong&lt;br /&gt;voar sem ser na imaginação&lt;br /&gt;comer na Última Ceia&lt;br /&gt;aliviar dores e carências&lt;br /&gt;ter os dedos mágicos dos músicos&lt;br /&gt;percorrer as entranhas dos poetas&lt;br /&gt;viajar todos os lugares&lt;br /&gt;conhecer todos os povos e culturas&lt;br /&gt;viver todas as passagens da Bíblia&lt;br /&gt;ser Pilatos e não lavar as mãos, mas libertar&lt;br /&gt;ser todas as Santas e Rainhas da história&lt;br /&gt;amar todos os amores renegados&lt;br /&gt;apagar todos holocaustos cometidos&lt;br /&gt;brigar como Palas Atena com Poseidon&lt;br /&gt;amamentar como uma loba, Rômulo e Remo&lt;br /&gt;vestir as roupas diáfanas das vestais&lt;br /&gt;tomar vinho com os deuses nos bacanais&lt;br /&gt;decifrar os olhos dos animais&lt;br /&gt;passear de mãos dadas com o Universo...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas no meu mundo às escuras&lt;br /&gt;sou como aquelas criaturas&lt;br /&gt;que escondem seus desejos em um verso&lt;br /&gt;abraço meus travesseiros impassíveis&lt;br /&gt;aquieto meus lamentos perecíveis e,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;finjo viver tantas coisas impossíveis!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Edi Longo, uma fingidora e,&lt;br /&gt;se ser poeta é ser um fingidor, então poeta eu sou.&lt;br /&gt;Foi o Pessoa quem falou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12157323-111526369109842253?l=idiossincrasiaspoeticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://idiossincrasiaspoeticas.blogspot.com/feeds/111526369109842253/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12157323&amp;postID=111526369109842253' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12157323/posts/default/111526369109842253'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12157323/posts/default/111526369109842253'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://idiossincrasiaspoeticas.blogspot.com/2005/05/coisas-impossveis-queria-tantas-coisas.html' title=''/><author><name>Reciclagem</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11740487964330304087</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12157323.post-111525603577397209</id><published>2005-05-04T18:14:00.000-07:00</published><updated>2005-05-04T18:20:35.790-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt; &lt;strong&gt;DESACATO À AUTORIDADE!&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;---Nome?&lt;br /&gt;---Ja...JaJa..Ja...ti  So...so...soares.&lt;br /&gt;---O que é isso?&lt;br /&gt;---memememeu...&lt;br /&gt;---Ai, meu saco, é gago?&lt;br /&gt;---Não sinhô. Acho que não.&lt;br /&gt;---O que é isso?&lt;br /&gt;---Acho que é nelvoso, sinhô.&lt;br /&gt;---Perguntei o seu nome.&lt;br /&gt;---Jati Soares, já disse.&lt;br /&gt;---Não quero apelido, eu quero o seu nome, está me entendendo?&lt;br /&gt;---Esse é o meu nome. Taí no documento.&lt;br /&gt;---Ah, certo.&lt;br /&gt;---Idade?&lt;br /&gt;---28. Também tá no documento.&lt;br /&gt;---Sexo?&lt;br /&gt;(?!?...puta que pariu, mas é uma besta mesmo. Será que tenho cara de muié?!?)&lt;br /&gt;---Macho. Também tá no documento, doutro jeito mas tá.&lt;br /&gt;---Eu disse, sexo; se-xo, rapaz, vê se não complica. Se-xo é diferente de...de...bem, de gênero.&lt;br /&gt;(tooinnn?!?!...ih, cacete, e agora, que diabo será essa tal de coisa que ele quer saber?!? Será que eu tenho?)&lt;br /&gt;---annn, nesses causos, bota aí home. Isso que o sinhô disse há pouco acho que num tá no documento, não. Nunca tive doença venérea, Padim Ciço é testemunha, home sou, mas home no duro, óxente! Causuqueu sou é muito mesmo, num sabe? Uso muito o instrumento, mas essa coisa aí nunca tive não. Tive uma gonorreiazinha uma vez só, sarada com penicilina a danada, mas isso tinha que tá no documento, dotô?&lt;br /&gt;---Você está querendo bancar o engraçadinho?&lt;br /&gt;---Mas meu dotô, quem tá quéreno cumpricá as coisas é o sinhô, com licença da palavra e da sua importante figura.  Eu sou home, macho, com todo orgulho, sim sinhô! Isso lá é prégunta qui si faça? Tá na cara, oxi! Num sou escolado não sinhô, mas inda sei dizê préfeitamente quem é home e quem é muié. É só olhar pra puta aqui do lado e pra eu. E nóis tava fazendo direitinho tudo o que home e muié tem que fazê, num sabe? Purisso num entendi nadica de nada pruque porra foi que seu funcionário ali chegou botando nois pra fora daquele jeito. Ela vendia seu produto e eu comprava.&lt;br /&gt;---Que produto?&lt;br /&gt;---Dotô, dotô!!! Assim o sinhô me encabula, óxente! O sinhô quer mesmo que eu diga, assim na frente duma muié? Digo não, ela é puta mas é muié.  Num digo palavra feia dessa nem morto na frente de uma muié! Isso foi mainha que me ensinou. Mulher é bicho que sangra e dá a luz. Coisa de respeito. O sinhô é um abestado ou... um comprador do produto errado?&lt;br /&gt;....................................................................................................&lt;br /&gt;---João dos Santos? Ô, Joãããoooo!!!&lt;br /&gt;---Pois não senhor doutor Delegado, desculpe, eu não estava na sala.&lt;br /&gt;---Deu pra ver seu stronzo! Bota o homem aí em cana e, acrescente mais um agravante em seu dossiê: DESACATO À AUTORIDADE!&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;...E Deus que repousava em uma nuvem calmíssima, benzeu-se e disse, veementemente, ao filho presente:&lt;br /&gt;---Ai daquele que disser que sou brasileiro!&lt;br /&gt;E este respondeu penosamente: ---Perdoai, eles não sabem o que fazem.&lt;br /&gt;E então, a frase se perpetuou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Edi Longo,&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;SBAT 030899&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12157323-111525603577397209?l=idiossincrasiaspoeticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://idiossincrasiaspoeticas.blogspot.com/feeds/111525603577397209/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12157323&amp;postID=111525603577397209' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12157323/posts/default/111525603577397209'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12157323/posts/default/111525603577397209'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://idiossincrasiaspoeticas.blogspot.com/2005/05/desacato-autoridade-nome-ja.html' title=''/><author><name>Reciclagem</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11740487964330304087</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12157323.post-111525536688527545</id><published>2005-05-04T18:06:00.000-07:00</published><updated>2005-05-04T18:23:12.920-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#3366ff;"&gt;A PALAVRA&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#3366ff;"&gt;Ah, suprema particularidade da superior raça humana!&lt;br /&gt;faz-me escrava, vivendo no cativeiro de teu poder&lt;br /&gt;ajuda-me, suplico-te, ajuda-me a entender&lt;br /&gt;a tua força mágica para melhor te merecer&lt;br /&gt;e fazer de ti a maior das artes que de mim emana!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah, quem me dera eu fosse um ser apenas fictício!&lt;br /&gt;para poder fazer de ti a minha eterna namorada&lt;br /&gt;onde pudesse acolher a humanidade angustiada&lt;br /&gt;colhendo do teu íntimo a marca indelével e encantada&lt;br /&gt;do prazer que guardas no teu colo quente, qual cama de meretrício!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah, como gostaria de ter tua independência!&lt;br /&gt;fazer contigo amor no maior descaramento&lt;br /&gt;entrando em tuas entranhas sem forma e argumento&lt;br /&gt;apenas sendo sentido, toda lúdica e abrasamento&lt;br /&gt;aprendendo amar contigo sem qualquer senso ou decência!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah, se me fosse permitido possuir-te por inteiro:&lt;br /&gt;faria frase de verbo sem ação e até mesmo sem sujeito&lt;br /&gt;a adversativa, tornaria alternativa e daria até um jeito&lt;br /&gt;de acasalar-te com o Universo, devolvendo-te com este feito&lt;br /&gt;o teu papel de Babel que era teu por direito, digna do grande Obreiro!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah, mulher, feminina, menina, força do sexo de fêmea!&lt;br /&gt;geras marcas, amores, traumas, depende de quem te usa&lt;br /&gt;crias paixões, rebeliões, agitas multidões numa eclosão confusa&lt;br /&gt;no íntimo de tua essência onde guardas um mistério, sou a reclusa&lt;br /&gt;que só te sente em silêncio, na solidão, amando-te qual alma gêmea!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah, instrumento que me acalma e cala um grito que agrava&lt;br /&gt;o lamento, o sofrimento que queima o peito que escreve&lt;br /&gt;sofro, escrava que sou de ti, mas a dor é suave e breve&lt;br /&gt;e, quando, num protesto me calo como uma forma de greve&lt;br /&gt;mais me afundo em teu âmago, dependente, submissa de ti...&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#3366ff;"&gt;                                                                                                                 PALAVRA!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Edi Longo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#3366ff;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12157323-111525536688527545?l=idiossincrasiaspoeticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://idiossincrasiaspoeticas.blogspot.com/feeds/111525536688527545/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12157323&amp;postID=111525536688527545' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12157323/posts/default/111525536688527545'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12157323/posts/default/111525536688527545'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://idiossincrasiaspoeticas.blogspot.com/2005/05/palavra-ah-suprema-particularidade-da.html' title=''/><author><name>Reciclagem</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11740487964330304087</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12157323.post-111525504169936205</id><published>2005-05-04T18:02:00.000-07:00</published><updated>2005-05-04T18:04:01.713-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;SEM SAÍDA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sentia-se como numa esteira de academia, quanto mais andava menos chegava a qualquer lugar. Apenas sentia as pernas cansadas e a mente, ao contrário do atleta que nesse esforço oxigena o sangue, parecia se perder nos múltiplos pensamentos.  Estufou o peito e se preparou para mais uma entrevista. O “curriculum” em suas mãos parecia tão cansado quanto ela. Na outra mão uma medalhinha de Santo Expedito. A mãe dizia que fazia milagres. Quem sabe? Só apelando pra ele. Quando recebesse o primeiro salário...Meu Deus! Sentiu a emoção tomando conta de suas vísceras, enchendo o peito e subindo pra cabeça.  O primeiro salário! Bem, teria que dividir com Santo Expedito! Mas tudo bem. Foi uma criança que sempre soube dividir. Tudo dela tinha que ser dividido. Até um salário que ainda nem sabe se terá, com um Santo. Respirou fundo e entrou decidida na sala. Quase desmaia quando observou os olhos também cansados de quase cinqüenta jovens como ela apertando-se numa fila, com os “curricula” sendo também apertados pelas mãos ansiosas. Depois de quase uma hora de espera, uma mulher se aproxima da fila e fica por alguns instantes olhando para todos. Ela estremece. Já estava acostumada com esses olhares analíticos. A mulher vai fazendo uma triagem, dispensando alguns, apenas ficando com o resumo de suas vidas através de um simples papel. “Seu “curriculum”, dizia com enfado, constará de nossos arquivos...”e, puta que pariu, a mesma ladainha de sempre. Sentia-se como deveriam se sentir os prisioneiros da Segunda Guerra quando chegavam nos vagões de gado. Os saudáveis para a direita; os velhos, crianças e doentes para a esquerda, onde escorregariam diretamente para os fornos crematórios.  A comparação parecia extrema, mas a situação de desemprego no país parecia uma verdadeira guerra. Quem tivesse o chamado pistolão conseguia um emprego; quem não, teria que passar pela triagem como gados: os de raça eram aceitos, os outros iam para o matadouro.  E uma dor começou a latejar as suas têmporas, que foi aumentando como se um torniquete as apertasse. Como ter experiência sem a maldita primeira chance? Como analisarão através de um papel a competência de cada um? Por que acham que muitos jovens se jogam nas drogas? Por que acham que muitos jovens partem para a prostituição? Cadê o nosso túnel para que vejamos uma réstia de luz? E novamente se lembrou dos prisioneiros de guerra. Preferia morrer logo de cara, mas faria alguma coisa. Não iria de cabeça baixa pra calabouço nenhum. Quando a mulher chegou à sua frente e pediu o seu “curriculum”; ela a encarou, picou freneticamente o papel jogando os pedacinhos para o alto e gritou: “estão com falta de papel higiênico?” E para os outros: “pessoal, não vão embora. Fiquem. Alguém precisa nos ouvir e avaliar. Gritem: queremos um teste!”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;---E foi assim que aconteceu todo o tumulto, senhores jornalistas. Divulguem nos seus diários, semanários, folhetins, etc...Que estão matando a juventude de nosso país a olhos vistos e ninguém faz nada. Estamos perdidos e sem saída.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Edi Longo,&lt;br /&gt;SBAT 030899&lt;br /&gt; &lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12157323-111525504169936205?l=idiossincrasiaspoeticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://idiossincrasiaspoeticas.blogspot.com/feeds/111525504169936205/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12157323&amp;postID=111525504169936205' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12157323/posts/default/111525504169936205'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12157323/posts/default/111525504169936205'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://idiossincrasiaspoeticas.blogspot.com/2005/05/sem-sada-sentia-se-como-numa-esteira.html' title=''/><author><name>Reciclagem</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11740487964330304087</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12157323.post-111444003230230002</id><published>2005-04-25T07:23:00.000-07:00</published><updated>2005-04-25T08:07:15.080-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;O RIO NEGRO É O OLHAR DE UMA ÍNDIA&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Havia um rio de ternura nos olhos oblíquos daquela menina. Olhou-me. Hipnotizou-me. Naveguei horas dentro daquela bacia hidrográfica de olhar. A pequena manauara me mostrou um bicho preguiça, rindo-se do meu citadino e tolo medo. Ela estava numa barquinha que mais parecia uma casca de banana, tão pequena era. Meu coração apertou de preocupação. Como pode? Tão pequena que as mãos mal conseguiam segurar os remos? E, involuntariamente, lembrei-me dos cuidados excessivos que sempre tive com os meus filhos pequeninos. Ah, quem me dera estivesse com uma bolsa enorme: trá-la-ia comigo para beber pra sempre de seu líquido olhar pluvial e fluvial. E olhei para o Rio Negro. Ele estava dentro do olhar daquela índia, como os animais daquela selva, como os milhares de espécimes da flora, como os milhares de outros brasileirinhos que vivem numa casa flutuante para fugirem da "cheia" do caudaloso Rio na época das chuvas. Cada cantinho daquela selva tinha uma história. Cada árvore com uma utilidade própria: seja medicinal, seja frutífera, seja apenas como uma que por ter as raízes largas e achatadas, os índios ao bater nelas se comunicam à distância. É o celular da selva palpitante. Meu Deus, que imenso orgulho de ter nascido nesse país que dorme eternamente nesse travesseiro verde que é a Amazônia! Está explicado o seu eterno sono! Quem possui um lugar assim tem mais é que dormir para sonhar sempre. E, de volta à cidade, olho ao redor de minha floresta de prédios e sinto saudades da minha indiazinha que poderia se chamar Manaus, que é a mãe dos rios, pois a minha indiazinha, definitivamente, marcou em mim a sua presença pela imensidão de rios que possui no seu oblíquo olhar. O olhar dessa menina se confunde com o próprio Rio Negro que banha tão generosamente a cidade de Manaus! Ela é o próprio Rio.&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12157323-111444003230230002?l=idiossincrasiaspoeticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://idiossincrasiaspoeticas.blogspot.com/feeds/111444003230230002/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12157323&amp;postID=111444003230230002' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12157323/posts/default/111444003230230002'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12157323/posts/default/111444003230230002'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://idiossincrasiaspoeticas.blogspot.com/2005/04/o-rio-negro-o-olhar-de-uma-ndiahavia.html' title=''/><author><name>Reciclagem</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11740487964330304087</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12157323.post-111435180609109721</id><published>2005-04-24T07:07:00.000-07:00</published><updated>2005-04-24T07:10:06.093-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;A FESTA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda que mil pedaços me faltem, ainda que mil cicatrizes me marquem, não me calarei.&lt;br /&gt;Fiz uma viagem com as bagagens cheias de perspectivas de viver para ser feliz, e o serei.&lt;br /&gt;Não fui convidada para a festa de inauguração do mundo, mas entrei como intrusa e festejei.&lt;br /&gt;Estourei “champagne” francês nos ouvidos dos burgueses, estupefatos de tal feito e gargalhei.&lt;br /&gt;Dancei ao som dos meus próprios acordes, em cima das mesas com porcos e maçãs e exultei.&lt;br /&gt;Fui expulsa, escarnecida, espicaçada. Limpei a poeira dos ímpios,  esbravejei, briguei.&lt;br /&gt;Acabaram desistindo de mim, não podiam me tirar o chão. A força me move e fiquei.&lt;br /&gt;Fiquei feito feto que teima em vingar por mais que a mãe dê socos na barriga. Não abortei.&lt;br /&gt;Tentaram violar minha dignidade, pisar em minha individualidade, esbravejei.&lt;br /&gt;Ignorei olhares, calei sussurros. Empinei o nariz, rebolei a bunda e altiva o salão atravessei.&lt;br /&gt;Nasci de mim, cresci de teimosa, sobrevivi a crises, arrancaram dores sem anestesia e agüentei.&lt;br /&gt;Cá estou com meus sonhos na valise, cuja única peça nova é a camisola que ainda não usei.&lt;br /&gt;Esta será para a hora final da noite, quando a festa acabar e tonta de tanto dançar, descansarei.&lt;br /&gt;Realizada. Feliz, por ter usado toda a minha bagagem de vinda e ter comido do bolo, ter tomado a bebida, ter dançado a ciranda dos sonhos, ter amado, ter festejado.&lt;br /&gt;Pena que nem todos tenham feito parte da festa; uns por se acomodarem, outros por achar que a festa é só de alguns e outros que por temerem demais ao Anfitrião, não ousaram invadi-la.&lt;br /&gt;Pai Nosso SE estais nos céus... Boa noite. Finalmente, conhecê-Lo-ei.&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Edi Longo,&lt;br /&gt;SBAT 030899&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12157323-111435180609109721?l=idiossincrasiaspoeticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://idiossincrasiaspoeticas.blogspot.com/feeds/111435180609109721/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12157323&amp;postID=111435180609109721' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12157323/posts/default/111435180609109721'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12157323/posts/default/111435180609109721'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://idiossincrasiaspoeticas.blogspot.com/2005/04/festa-ainda-que-mil-pedaos-me-faltem.html' title=''/><author><name>Reciclagem</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11740487964330304087</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12157323.post-111434927134747969</id><published>2005-04-24T06:24:00.000-07:00</published><updated>2005-04-24T06:27:51.353-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;EXPRESSONHOS&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A estação estava cheia de gente e coisas. Eu tinha que acomodar a todos e fui, democraticamente, colocando tudo e todos nos seus devidos lugares.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cabine de navegação:&lt;br /&gt;O maquinista sorridente era o Brasil, país bom que acolhe muita gente. Ao seu lado, um rádio destilava um sambinha bem ao seu estilo.  Cheirei as notas do samba e senti o nácar da maresia de nossa costa fartamente marinha. Como é bom nascer aqui!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Finquei com orgulho a nossa raça e cor num mastro bem à frente e meu peito ficou pequeno para caber tanto amor pelo meu país que ondulava livre com os cabelos ao vento. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eta garoto traquino que corre vadio pela planície da América do Sul! Pena que alguns não o levem a sério, como se fosse um eterno dorminhoco e o faz tão sofrido!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fiquei nas pontas dos pés (ele é enorme!), dei um beijo cúmplice nele e fui providenciar a acomodação para os meus convidados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Primeiro vagão:&lt;br /&gt;Coloquei as bagagens nos lugares superiores e todas eram cheias de amor, amizade, carinho, bom humor, felicidade, ética e vida saudável. Como eram leves!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos lugares, coloquei: minha família; meus amigos; Chico Buarque que já chegou cantando Roda Viva com o MPB4 (tive até que pular o violão que atrapalhava, pô!)&lt;br /&gt;E foram chegando os demais componentes de nossa música (Caetano, Gil, Gal, Zélia Duncan, Zizi Possi, Betânia, Beth Carvalho, Emílio Santiago, Djavan, Nei Matogrosso, Zé Ramalho; José Geraldo; Geraldo Azevedo; Zeca Baleiro; Tito Madi,  os Caimys etc... ) ainda vivos, graças a Deus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E lá vinham o Fagundes; o Raul Cortês; a Fernanda Montenegro; a Arlete Salles; a Suzana Vieira e o Rodrigo Santoro que viera fazer companhia à minha filha, claro! Meus grandes fazedores de emoções: todos os autores teatrais!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fui espalhando, entre eles, para que não formassem rodinhas, os amigos estrangeiros, tipo: os beatles MacCartney e Ringo;  Tina Turner; Mercedes Sosa; Elton John; Steve Wonder; Rod Stewart; Plabo Milanes, Bruce Springsteen; Al Pacino; Tom Hanks; Merryl Streep, Dustin Holfmann e o de Niro que confesso: não tirava os olhos de mim com aquele sinalzinho encantandor no rosto viril. Ai, Deus, que calor! Quando já ia fechar este vagão, chegou a Escola de Samba Rosas de Ouro e a Caprichosos de Pilares, que estava atrasada, pois o avião tinha tido problema. Mas como o que menos interessa são os problemas, todos se acomodaram felizes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fiquei orgulhosa porque, de repente, estavam todos falando a mesma língua ao som de um atabaque. Coisa boa essa coisa de brasileiro: tudo acaba em pizza, aconchego e muito samba!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segundo vagão:&lt;br /&gt;Com os olhos cheios de água, não precisei acomodar nada nos compartimentos superiores, pois os passageiros não tinham mais necessidade delas. Apenas coloquei uma caixinha cheia de preces para todos.&lt;br /&gt;Nos lugares coloquei: alguns parentes e amigos; Vinícius e Adoniran que teimavam em ir para o vagão do restaurante (não podem ficar sem uma mesa de bar, nossa!); Elis; Nara Leão; Elizete Cardoso; Antonio Maria que mostrava para Dolores Duran a sua última composição, enquanto Maísa insistia que queria gravá-la; Clara Nunes; Cássia Eller; Noel Rosa que apesar de eu insistir, não queria ficar sem o chapéu (sem ele, com que chapéu eu vou?); Lupicínio com o eterno olhar de apaixonado com dor de corno. Os maravilhosos Gonzagas.  Cazuza que se tivesse tido tempo e juízo, teria continuado a fazer coisas fantásticas. Nelson Cavaquinho e Cartola discutindo sobre o tempo do Rio antigo ao lado de Dona Zica e claro, que jamais poderia deixar de providenciar um piano para o nosso Maestro Maior Tom Jobim, apesar de eu ter que tirar vários bancos para que o mesmo coubesse, mas...ele tocava como nunca e brincava com o Pixinguinha sob a complacência das notas musicais! Jacob do Bandolim exultava de felicidade e dava suas dicas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Misturei a eles: os beatles Lennon e Harrison; o insuperável Bob Marley; Nat King Cole; Frank Sinatra que adorou estar com o amigo brasileiro e Janis Joplin, depois de dar-lhe um sermão pela pisada na bola por morrer tão cedo e tão estupidamente. Ah, o Elvis estava lindo como no começo da carreira e que topete, Jesus!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não deixei de gargalhar quando o Vinícius insistiu para passar para o vagão da frente com a desculpa de dar um beijo no Toquinho só pra ficar do lado de cá e ainda teve a cara de pau de me pedir um cachorrinho engarrafado (não tem problema, pode ser cow boy mesmo!) Esse branco continua negão dos bons! Tá provado que alma não tem cor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Terceiro vagão:&lt;br /&gt;O mais procurado por todos, exceto os do segundo vagão, lógico, apesar dos olhos compridos e gulosos. Esse era o Restaurante onde seria servido tudo o que todos mais gostam de comer, beber, sem quaisquer problemas na consciência imposto pelo programa do Fantástico de Domingo. Ave, quase tudo é proibido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesse meu vagão-restaurante não: aqui é proibido proibir, como bem disse Caetano. E o meu maitre mostrava com gabardia pratos preparados por ele que me deu até água na boca e que faria qualquer cardiologista mandar-me à cadeira elétrica. Tudo nada light, tudo muito condimentado, tudo com muito sabor. E muita e variada casta de bebida havia na adega generosa. Não descuidei, nem por um minuto do gelo para a cervejinha prazenteira e muito menos da porta do pessoal do segundo vagão. Já pensaram que desfalque não iriam nos dar?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quarto vagão:&lt;br /&gt;Nos compartimentos destinados às bagagens, fui colocando malas cheias de cultura, sabedoria, bondade, inteligência, beleza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse vagão eu reservei para os melhores lugares do mundo (Rio de Janeiro; Salvador; Roma; Veneza; New York; Paris; Florianópolis; minha São Paulo); para a dona Natureza e suas belezas; para o Sol; para a Lua; para os amantes que podiam se amar à vontade (aqui estavam Romeu e Julieta; Branca Dias e Augusto; Paris e Helena; Roxana e Alexandre; Adela e Pepe el Romano); para os escritores e poetas (Lorca, Neruda, Brecht; Fernando Pessoa; Drummond; Machado de Assis; Adélia Prado; Cecília Meirelles; Érico Veríssimo).&lt;br /&gt;Nossa, ainda tenho que acomodar os homens honestos e de boa vontade; os religiosos; os éticos; os amorosos; os bondosos; alguns nomes como: Jesus de Nazaré; Francisco de Assis; Irmã Dulce; Madre Tereza de Calcutá; Che Guevara; Gandhi; o político Faria Lima que projetou para minha cidade adorada um futuro melhor; o audacioso Juscelino Kubitschek que desafogou o Rio de tantas coisas públicas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quinto e último vagão:&lt;br /&gt;Ai, ai, ai... ufa!&lt;br /&gt;Aqui eu precisei de vários carregadores, pois as bagagens estavam pesadas. Eram caixotes enormes cheios de tristeza, desavença, ódio, inveja, solidão, inimizade, rancor, doenças do corpo e da alma, enfim todos os tipos de deformidades físicas, morais e espirituais. Ah, tive que colocar os bancos que desocupei do vagão do Jobim neste, pois o mesmo estava lotado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos lugares, amarrei fortemente: Hitler e seu bando de loucos da SS; Sadan Hussein e seus asseclas; o Bin Laden com sua demoníaca inteligência; todos os ditadores e suas atitudes de deuses como os Bushs; os Getúlios; a maioria dos políticos de nossa ditadura; os Calígulas; os Átilas, vários Césares romanos; os homens deformados pela sociedade (terroristas; assaltantes, estupradores, atravessadores, puxadores de tapetes e de sacos; ladrões do dinheiro público, etc...); os mercadores de drogas e de órgãos humanos; os torturadores; os mentirosos; os falsos sacerdotes que usam o nome de Deus em vão...enfim, tudo o que é feio e mau. Tudo o que é preto e branco e que é imune à fantástica visão das cores do arco-íris num dia de chuva de verão. Instintivamente, rezei até um “Pai Nosso” e como boa brasileira fiz o “sinal da Cruz”!  Sai de retro, Satanás!&lt;br /&gt;Aprisionei num saco à parte o cheiro do ranço, do velho, do podre. O cheiro do mau agouro e da má fé.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fiz um discurso enorme só para encher o saco de todos e exigi que pedissem perdão à humanidade, enquanto gargalhando, descarrilei o vagão, observando-o cair lentamente pelo precipício abaixo, indo se espatifar e afundar no mar revolto que me deu uma piscadela marota, bradando tal qual Poseidon: bem feito!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acarinhei e guardei na memória os "vivos-mortos" e voltei para o primeiro vagão onde depositei no coração de cada um, um pacote de agradecimentos pelo tanto que me dão e que ainda irão dar e todos cantamos juntos uma canção para a vida ao som da bateria de ambas as Escolas de Samba presentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Faça também essa viagem com os seus preferidos e indesejáveis. Só não esqueça de descarrilar o último vagão! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dá um alívio na gente...&lt;br /&gt; &lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12157323-111434927134747969?l=idiossincrasiaspoeticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://idiossincrasiaspoeticas.blogspot.com/feeds/111434927134747969/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12157323&amp;postID=111434927134747969' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12157323/posts/default/111434927134747969'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12157323/posts/default/111434927134747969'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://idiossincrasiaspoeticas.blogspot.com/2005/04/expressonhos-estao-estava-cheia-de.html' title=''/><author><name>Reciclagem</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11740487964330304087</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12157323.post-111423178514857468</id><published>2005-04-22T21:25:00.000-07:00</published><updated>2005-04-22T21:52:44.936-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;strong&gt;&lt;em&gt;FAÇO ARTE&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Faço arte como o animal&lt;br /&gt;Que vai para o matadouro&lt;br /&gt;Certo do momento fatal&lt;br /&gt;Sem soltar grito ou choro&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Faço arte como se parisse&lt;br /&gt;Um filho a cada segundo&lt;br /&gt;Ainda se muita dor sentisse&lt;br /&gt;Eu povoaria o mundo&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Faço arte como o louco&lt;br /&gt;Que vive o mundo do sonho&lt;br /&gt;Da realidade faz pouco&lt;br /&gt;No seu gargalhar tristonho&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Faço arte como a vida&lt;br /&gt;Faço arte como a morte&lt;br /&gt;Ambas em eterna briga&lt;br /&gt;Construindo a nossa sorte&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Faço arte com o tesão&lt;br /&gt;Que sinto dentro da carne&lt;br /&gt;Pois a arte sem paixão&lt;br /&gt;É pimenta que não arde&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Faço arte como um filho&lt;br /&gt;Que cresce e vai embora&lt;br /&gt;Deixando a casa sem o brilho&lt;br /&gt;Das travessuras de outrora&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Faço arte como o velho&lt;br /&gt;Cujo passado é o presente&lt;br /&gt;Cada marca no espelho&lt;br /&gt;Lembra um futuro ausente&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Faço arte como o cara&lt;br /&gt;Que nunca se desespera&lt;br /&gt;Cheio de garra e de tara&lt;br /&gt;Não fica em sala de espera&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Entro pela porta da frente&lt;br /&gt;Enfrento qualquer tropeço&lt;br /&gt;Mesmo que eu me arrebente&lt;br /&gt;Só pela arte padeço!&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;E como o manso animal&lt;br /&gt;Que se entrega ao flagelo&lt;br /&gt;Minha arte é o sisal&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Com que teço o feio e o belo! &lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12157323-111423178514857468?l=idiossincrasiaspoeticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://idiossincrasiaspoeticas.blogspot.com/feeds/111423178514857468/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12157323&amp;postID=111423178514857468' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12157323/posts/default/111423178514857468'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12157323/posts/default/111423178514857468'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://idiossincrasiaspoeticas.blogspot.com/2005/04/fao-arte-fao-arte-como-o-animal-que.html' title=''/><author><name>Reciclagem</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11740487964330304087</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12157323.post-111360480238731160</id><published>2005-04-15T15:34:00.000-07:00</published><updated>2005-04-15T15:40:02.390-07:00</updated><title type='text'>Mandei pra ele na ocasião, será que entendeu?</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;&lt;em&gt;Carta a um brasileiro&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São Paulo, 27 de Outubro de 2002.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Oi, Companheiro!&lt;br /&gt;Sabe, o meu alimento principal é a sabedoria ingênua de meu povo e acho você, leitor sensível, um perfeito representante desse povo, que ainda se cumprimenta, que ainda se dá bom dia e um afago íntimo de amizade sem precisar de abraços. Confesso que não votei no Companheiro Lula, mas torço pra caramba pra que ele acenda no rosto de nosso povo um sorriso (com todos os dentes) de esperança! Que realmente ele consiga para esse grande povo as três refeições diárias; consiga uma escola decente sem as necessárias vinte e quatro horas na fila para a matrícula; consiga desenfileirar as dores nos corredores dos Hospitais Públicos; consiga que nossos lixos não sejam vasculhados por mendigos; que nossos irmãos nordestinos possam ver nascer do chão o broto de seu esforço inútil; nossos cruzamentos sejam usados apenas para nos cumprimentarmos à moda antiga, sem medo dos inevitáveis assaltos; consiga que possamos dormir tranqüilos e sem sobressaltos diante de um telefonema de madrugada, quando nossos adolescentes estão gastando suas energias; que esses mesmos adolescentes sejam livres da sagacidade dos traficantes e se, vítimas, tenham tratamento decente; consiga que nosso Operário tenha o fim do mês compensado pelo justo pagamento de seu suor e a sua casa própria e que, principalmente...quando nos quedarmos cansados de tanto trabalho pela vida, sejamos respeitados em nossas aposentadorias, tornando-nos, como a exemplo dos velhos de outros países, turistas em terras desconhecidas e não carregadores de placas duplas como roupas de palhaços numa praça de uma cidade qualquer, para ajudarmos a renda familiar! Sonhos? Devaneios? Que importa! Se tudo isso acontecer, com certeza, ele, ou qualquer um, tornar-se-á para mim o Robin Hood que tanto enfeitou meus sonhos de criança! Um beijo verde e amarelo que um dia tornar-se-á branco de paz e se azulará de alegria diante desse País tão sonhado, tão querido e tão amado!&lt;br /&gt;Da cidadã,&lt;br /&gt;Edi Longo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;P.S: que nossas favelas sejam substituídas por casas mais confortáveis; não sirvam de pano-de-fundo para os telejornais e que não sejam visitadas por políticos apenas em época de eleição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12157323-111360480238731160?l=idiossincrasiaspoeticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://idiossincrasiaspoeticas.blogspot.com/feeds/111360480238731160/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12157323&amp;postID=111360480238731160' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12157323/posts/default/111360480238731160'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12157323/posts/default/111360480238731160'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://idiossincrasiaspoeticas.blogspot.com/2005/04/mandei-pra-ele-na-ocasio-ser-que.html' title='Mandei pra ele na ocasião, será que entendeu?'/><author><name>Reciclagem</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11740487964330304087</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12157323.post-111360443192761483</id><published>2005-04-15T15:32:00.000-07:00</published><updated>2005-04-15T15:33:51.930-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;strong&gt;MÃE TERRA&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Há que se ter colhões para entender o mundo&lt;br /&gt;Há que se ter fundilhos resistentes&lt;br /&gt;Há que se ter paciência para ouvir os gritos&lt;br /&gt;Há que se ter coragem para enfrentar a turba&lt;br /&gt;Os homens estão fedendo cólera&lt;br /&gt;Os homens viraram cobras&lt;br /&gt;Rastejando, enfiando os dedos nos lixos&lt;br /&gt;Pútridos. A humanidade clama por compaixão.&lt;br /&gt;De quem?&lt;br /&gt;Deus anda fazendo ouvidos moucos aos seus lamentos&lt;br /&gt;Ele tem mais o que fazer&lt;br /&gt;Do que recolher carcaças podres&lt;br /&gt;Com urubus batendo asas em revoada&lt;br /&gt;(Nem eles querem comer esses restos falidos)&lt;br /&gt;Inventamos tanto&lt;br /&gt;Criamos tanto&lt;br /&gt;Somos o máximo!&lt;br /&gt;E acabamos seja no fogo dos infernos&lt;br /&gt;Seja no útero cheio de vermes da Mãe Terra&lt;br /&gt;O que apenas somos&lt;br /&gt;Nada&lt;br /&gt;Só&lt;br /&gt;Pó&lt;br /&gt;De onde viemos e para onde vamos voltar&lt;br /&gt;Valeu a viagem de vinda?&lt;br /&gt;Valeu a triagem sofrida?&lt;br /&gt;Valeu ser escolhido ou escolhida?&lt;br /&gt;Valeu o cifrão conquistado?&lt;br /&gt;Valeu o tesouro guardado?&lt;br /&gt;Valeu não olhar prô vizinho?&lt;br /&gt;Valeu recolher a mão pra quem a estende?&lt;br /&gt;Valeu amar de qualquer jeito?&lt;br /&gt;Valeu o vômito ante o asco?&lt;br /&gt;Valeu dar-se sem berros ao carrasco?&lt;br /&gt;Valeu ferir o outro sem se ferir?&lt;br /&gt;Valeu rezar tanto e só pedir?&lt;br /&gt;Sempre pedir. Sempre.&lt;br /&gt;Somos eternos pedintes&lt;br /&gt;Eternos mendigos&lt;br /&gt;Eternos carentes&lt;br /&gt;Homens sem abono&lt;br /&gt;Num total abandono&lt;br /&gt;Precisamos implorar agora para que a Mãe Terra&lt;br /&gt;possa nos aleitar em nossa viagem de volta&lt;br /&gt;e vele sem lágrimas nosso último sono.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Edi Longo, gente só.&lt;br /&gt;SBAT 030899&lt;br /&gt; &lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12157323-111360443192761483?l=idiossincrasiaspoeticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://idiossincrasiaspoeticas.blogspot.com/feeds/111360443192761483/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12157323&amp;postID=111360443192761483' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12157323/posts/default/111360443192761483'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12157323/posts/default/111360443192761483'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://idiossincrasiaspoeticas.blogspot.com/2005/04/me-terra-h-que-se-ter-colhes-para.html' title=''/><author><name>Reciclagem</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11740487964330304087</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12157323.post-111360431258995589</id><published>2005-04-15T15:27:00.000-07:00</published><updated>2005-04-15T15:31:52.593-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt; &lt;strong&gt;A CIBERNÉTICA DO POETA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O homem foi à Lua e de lá brincou de bola, tirando a Terra dos eixos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deixaram-na desorientada. Começaram a aparecer as alterações das camadas de ozônio, buracos negros na mente daqueles que usam e abusam dela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E muitos valores foram trocados como roupas velhas jogadas no lixo. Filhos vagam da casa da mãe para a do pai. Pais pulam de tios e tias como se brincassem de corda.  Vamos transformando a cidadania em segunda classe. Criamos cabeças confusas e braços armados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Economicamente, hoje é mais rentável ter pernas do que braços, hajam vistas as fortunas fantásticas que as pernas fazem correndo atrás de uma bola. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje o intelectual, o Phd em alguma coisa, torna-se Phd de coisa nenhuma. As cabeças continuam; seja rico ou seja pobre, seja inteligente ou medíocre, estas sim: continuam necessárias, embora mal empregadas. Umas criam, outras destroem, outras continuam inertes bolas de pensar e mascar idéias, apenas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Terra, mulher tenra e carinhosa, foi violentada por bárbaros gênios que foram inventando máquinas cada vez mais poderosas. E o homem foi ficando cada vez menor, cada vez menos necessário. A inteligência trabalha mais do que mil braços.&lt;br /&gt;O que farão os homens que só têm braços? Virarão peças de museu como a Vênus de Milo? Com pior papel: com braços inúteis. Não se precisa mais de mãos para apertar botões, os robôs o fazem com maior precisão. Não se precisa mais de cobradores de ônibus, os cartões os substituíram. Não se precisa mais viajar de avião; da sala de seu escritório o executivo vai à uma reunião em qualquer lugar do planeta, através da tela. Não se precisa mais de secretárias, elas o são através dos telefones. Não se precisa mais nem de tanto alimento, os suplementos nutricionais o substituem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Terra não será mais banhada, nem alimentada com grãos, não verá sair de suas entranhas, os cabelos louros da espiga de milho, os grãos vermelhos do pé de café. Nunca mais ficará grávida! Até as mulheres não serão mais! Namoros e amor se faz através das máquinas. Bebês não precisam mais de cópulas, só de provetas. São feitos em laboratórios e logo mais estarão à venda em gôndolas de supermercados.  Já antecipo a placa: entrega-se em domicílio. É só conectar a Internet. Vidas que vêm através do espaço já etiquetadas e com o código de barra ...pip...pip...pip...ao invés da pulseirinha do quarto da Maternidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E a Terra, mãe de todos, sempre prestimosa, vai ficando relegada, cada vez mais se transformando numa pequena partícula de átomo perdida no espaço. Como toda mulher, quando preterida; vinga-se mandando chuvas onde não há necessidade, provocando enchentes ou seca sem nada deixar crescer de seu útero e vai levando consigo um mundo de gente, a maioria desnecessária, pois só têm braços.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando muito furiosa; caprichos de mulher; muda repentinamente de temperatura e, onde antes fazia calor hoje faz frio, congelando ainda mais os corações frios; onde fazia frio o calor esquenta mais do que os caldeirões dos bruxos que a violentaram, esquentando ainda mais o sangue quente que provoca atentados, guerras, terrorismo onde mais uma vez quem vão sendo dizimadas são as pobres cabeças só com braços.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando está naqueles dias, jorra lavas de menstruação e treme, acordando os vulcões e se partindo para engolir com seus tremores alguns dos seus vis violadores. Mas as cabeças sem braços, têm túneis confortáveis que os protegem e novamente os só com braços é que entram pelas rachaduras que provoca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E cada vez mais ela se apequena e, percebendo que perdeu a utilidade, sente-se como uma reles prostituta que é estuprada por milhares ao mesmo tempo através da tela de um computador, numa total displicência diante de seu pudor de mulher.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E chora gotas de sangue tentando nos alertar, mas o homem está cada vez mais comprometido com a cibernética e pisa nela sem nela pensar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda bem que existem os poetas que tentam resgatar com seus desvarios loucos, a sua honra e faz da cibernética apenas um instrumento de escrever poemas...apenas...poemas...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como esse desabafo que faço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Edi Longo,&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;SBAT 030899&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12157323-111360431258995589?l=idiossincrasiaspoeticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://idiossincrasiaspoeticas.blogspot.com/feeds/111360431258995589/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12157323&amp;postID=111360431258995589' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12157323/posts/default/111360431258995589'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12157323/posts/default/111360431258995589'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://idiossincrasiaspoeticas.blogspot.com/2005/04/ciberntica-do-poeta-o-homem-foi-lua-e.html' title=''/><author><name>Reciclagem</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11740487964330304087</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12157323.post-111358493784668417</id><published>2005-04-15T10:00:00.000-07:00</published><updated>2005-04-15T10:11:39.716-07:00</updated><title type='text'>A tal ser ou não ser...que questão!</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Já imaginaram as palavras abaixo na boca de um mendigo? Aquele que não é nem rico, nem classe média e muito menos pobre: é um miserável! Ele encontrou o poema abaixo no lixo de um poeta. Ah, o mendigo é um personagem de uma peça teatral escrita por mim há alguns anos. É assim:&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;PARADOXO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estranho comportamento o do Zé!&lt;br /&gt;...................................................................................................................................................&lt;br /&gt;Trabalha...&lt;br /&gt;Vejam bem, trabalha.&lt;br /&gt;E recebe em dia.&lt;br /&gt;Tem atendimento grátis pra toda família pelo INANPS e pelo SUS!&lt;br /&gt;Diz que por isso pagou e pra isso fez jus, agradecendo e fazendo&lt;br /&gt;sempre o sinal da Cruz. Ai Jesus!&lt;br /&gt;Tem filhos, como investimento, que ajudam ainda rebentos, no orçamento.&lt;br /&gt;Que suprimento!&lt;br /&gt;Mulher elegantemente magra, dizem que é carência&lt;br /&gt;Se rica fosse, seria inapetência.&lt;br /&gt;Que incoerência!&lt;br /&gt;Mas, afora a divergência, a dona é tísica, mas como vende limão na&lt;br /&gt;feira! E ainda é mística, faz bico como macumbeira!&lt;br /&gt;Enfim, a renda da família é sofrida, concordo, mas bem tecida.&lt;br /&gt;...................................................................................................................................................&lt;br /&gt;Gente, o Zé tem peito e levantou seu recanto num canto da Prefeitura.&lt;br /&gt;Que usura!&lt;br /&gt;Puxou gato, iluminou a vida e o barraco&lt;br /&gt;Diverte-se ruidosamente com o ardor futebolístico&lt;br /&gt;e que gosto artístico!&lt;br /&gt;Ah, fim-de-semana, se sacode no pagode, pode?&lt;br /&gt;Come por mixaria no bandejão da Empresa&lt;br /&gt;Que fineza!&lt;br /&gt;Não paga nem imposto na fonte, o mastodonte.&lt;br /&gt;Da mídia especializada, é assunto preferido!&lt;br /&gt;Pra sociólogo é ente muito querido,&lt;br /&gt;O metido!&lt;br /&gt;E apesar de todo esse aparato&lt;br /&gt;o safado ainda vive atazanado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pior sou eu...que...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho a vida acionada e violentada por números!&lt;br /&gt;Sou um energúmeno!&lt;br /&gt;E as taxas? São tantas, que nem tem graça!&lt;br /&gt;IR; IPC; IPVA; IPTU; IPMF e todos os outros “Is” que nos são impostos,&lt;br /&gt;Posto que todo imposto começa com I e todo imposto nos é imposto,&lt;br /&gt;Isto posto, muito a contragosto, reconheço: sou rei posto.&lt;br /&gt;Que desgosto!&lt;br /&gt;...................................................................................................................................................&lt;br /&gt;Tenho casa regular, com mulher gorda que gasta em regimes e plástica.&lt;br /&gt;E, quando nas raras vezes a procuro, cumprimento de tabela, haja cinta e meia elástica!&lt;br /&gt;Que ginástica! E que lástima!&lt;br /&gt;Tenho casa irregular, com uma atleta sexual, prá melhorar o astral e levantar o moral.&lt;br /&gt;E que mantenho como cacho, isso eu acho&lt;br /&gt;Pra manter o meu status e minha fama de macho.&lt;br /&gt;Pois é, caros amigos, senão dos amigos, vem aquele esculacho!&lt;br /&gt;...................................................................................................................................................&lt;br /&gt;Ai meu Deus, lembram dos filhos do Zé?&lt;br /&gt;Pois é.&lt;br /&gt;Ajudam no orçamento.&lt;br /&gt;Os meus?&lt;br /&gt;Estudam em colégios caros... e hobbies que não deixam por menos.&lt;br /&gt;É um tormento, mas não lamento, finjo que agüento.&lt;br /&gt;Pois é.&lt;br /&gt;O Zé se preocupa com a pindura do boteco.&lt;br /&gt;Pequeno desacerto. Isso é certo!&lt;br /&gt;Mas sempre consegue alguma propina, é gente fina.&lt;br /&gt;Eu, decerto, achando-me mais esperto, preocupo-me com a Bolsa de New York, a Dow Jones, e tramitações industriais...&lt;br /&gt;e muito mais...&lt;br /&gt;...................................................................................................................................................&lt;br /&gt;Insatisfações políticas, boca-lacrada, sobremedos, medos-sobre e a alta da gasolina, que joga os preços prá cima!&lt;br /&gt;Que sina!&lt;br /&gt;Durmo com o corpo no leito macio, mas com a mente no computador da fábrica.&lt;br /&gt;Que sátira!&lt;br /&gt;Não ouço o bater do ponto, mas ouço o bater das horas, que me rouba o sono e implora: ora, Mané, cai fora!&lt;br /&gt;Não conto os contos de réis, mas conto o conto do vigário e só conto com otários.&lt;br /&gt;E com a conta monetária.&lt;br /&gt;Que conto, heim, Zé?&lt;br /&gt;...................................................................................................................................................&lt;br /&gt;E então, tu ainda quer mudar de vida?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Edi Longo,&lt;br /&gt;SBAT 030899&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12157323-111358493784668417?l=idiossincrasiaspoeticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://idiossincrasiaspoeticas.blogspot.com/feeds/111358493784668417/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12157323&amp;postID=111358493784668417' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12157323/posts/default/111358493784668417'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12157323/posts/default/111358493784668417'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://idiossincrasiaspoeticas.blogspot.com/2005/04/tal-ser-ou-no-serque-questo.html' title='A tal ser ou não ser...que questão!'/><author><name>Reciclagem</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11740487964330304087</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12157323.post-111348283479318874</id><published>2005-04-14T05:44:00.000-07:00</published><updated>2005-04-15T09:29:38.050-07:00</updated><title type='text'>Teatro, outra grande paixão!</title><content type='html'>&lt;strong&gt;TEATRALIZANDO A VIDA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ATO I&lt;br /&gt;NASCENDO...&lt;br /&gt;Furei com o dedão do pé&lt;br /&gt;aquela bola cheia d’água&lt;br /&gt;era bom e quentinho&lt;br /&gt;flutuava&lt;br /&gt;como o homem na lua&lt;br /&gt;queria ver o rosto&lt;br /&gt;daquela voz&lt;br /&gt;que me falava&lt;br /&gt;curiosa&lt;br /&gt;ansiosa&lt;br /&gt;adorei aquele olhar&lt;br /&gt;com lágrima&lt;br /&gt;caiu uma em minha cara&lt;br /&gt;de joelho&lt;br /&gt;marcando meu corpo&lt;br /&gt;lavando minh’alma&lt;br /&gt;com zelo&lt;br /&gt;com calma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ATO II&lt;br /&gt;CRESCENDO...&lt;br /&gt;Brincando de faz de conta&lt;br /&gt;imaginando o casamento&lt;br /&gt;da Borralheira&lt;br /&gt;da Branca de Neve&lt;br /&gt;sempre com um príncipe&lt;br /&gt;fazendo o casamento&lt;br /&gt;das palavras&lt;br /&gt;vendo nascer um monte&lt;br /&gt;de palavrinhas&lt;br /&gt;quando engravidavam&lt;br /&gt;B+A dá ba&lt;br /&gt;se casar com mais uma igual&lt;br /&gt;dá baba, que é o bebê da&lt;br /&gt;consoante com o casamento&lt;br /&gt;da vogal multiplicado&lt;br /&gt;que é junção do b+e...&lt;br /&gt;babando-me toda&lt;br /&gt;diante dos múltiplos bebês-palavras&lt;br /&gt;que ia inventando&lt;br /&gt;sentia-me uma parteira e tanto!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ATO III&lt;br /&gt;ADOLESCENDO...&lt;br /&gt;Quando me senti&lt;br /&gt;botando seio&lt;br /&gt;entrei na vida&lt;br /&gt;andando ao meio&lt;br /&gt;meio com receio&lt;br /&gt;me deu um dó&lt;br /&gt;queria ficar prá sempre&lt;br /&gt;perdida&lt;br /&gt;na partida de futebol&lt;br /&gt;nos quadrados da amarelinha&lt;br /&gt;nos penteados das bonecas&lt;br /&gt;cautela e caldo de galinha faz bem&lt;br /&gt;disse minha avó&lt;br /&gt;com pena&lt;br /&gt;Que pena!&lt;br /&gt;já morreu&lt;br /&gt;sem tempo de me ensinar&lt;br /&gt;como enganar&lt;br /&gt;o medo do outro&lt;br /&gt;não só o meu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ATO IV&lt;br /&gt;ADULTECENDO...&lt;br /&gt;O jogo mudou&lt;br /&gt;agora não é à brinca&lt;br /&gt;é a dinheiro&lt;br /&gt;reis sem trinca&lt;br /&gt;príncipes sem cavalo&lt;br /&gt;sonho alado&lt;br /&gt;meio de lado&lt;br /&gt;beijos que matam&lt;br /&gt;não ressuscitam&lt;br /&gt;uns excitam&lt;br /&gt;outros traem&lt;br /&gt;a vida é enviesada&lt;br /&gt;às vezes escada&lt;br /&gt;às vezes ziguezague&lt;br /&gt;que corremos&lt;br /&gt;das muitas pedradas&lt;br /&gt;altos e baixos&lt;br /&gt;retos e tortos&lt;br /&gt;bons e ruins&lt;br /&gt;dúvidas&lt;br /&gt;dívidas&lt;br /&gt;vívidas vidas&lt;br /&gt;vividas por mim&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;ATO V&lt;br /&gt;AMADURECENDO...&lt;br /&gt;Batendo o coco&lt;br /&gt;prá ver se sai água boa&lt;br /&gt;maturando o pensamento&lt;br /&gt;olhando pouco&lt;br /&gt;pensando muito&lt;br /&gt;falando menos ainda&lt;br /&gt;o receio&lt;br /&gt;já não é do seio&lt;br /&gt;que já não aponta&lt;br /&gt;murchou, caiu&lt;br /&gt;(maldita lei da gravidade!)&lt;br /&gt;mas apronta&lt;br /&gt;certas ciladas&lt;br /&gt;lá dentro dele&lt;br /&gt;não mora o medo&lt;br /&gt;mas a saudade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ATO VI&lt;br /&gt;ENVELHECENDO...&lt;br /&gt;Reaprendendo&lt;br /&gt;com os novos&lt;br /&gt;rememorando&lt;br /&gt;os prós&lt;br /&gt;reavaliando&lt;br /&gt;os contra&lt;br /&gt;repensando&lt;br /&gt;o passado&lt;br /&gt;remendando&lt;br /&gt;o presente&lt;br /&gt;reimaginando&lt;br /&gt;o futuro...&lt;br /&gt;(dos outros)&lt;br /&gt;repulando&lt;br /&gt;o muro...&lt;br /&gt;prá descansar&lt;br /&gt;não prá roubar&lt;br /&gt;fruta no quintal&lt;br /&gt;da vizinha&lt;br /&gt;morrendo sozinha&lt;br /&gt;sobre a murcha pele&lt;br /&gt;sem pena&lt;br /&gt;cai o pano mortal&lt;br /&gt;fechando a cena&lt;br /&gt;do ato final.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A vida aplaude solitária da platéia.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Edi Longo,&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;SBAT 030899&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12157323-111348283479318874?l=idiossincrasiaspoeticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://idiossincrasiaspoeticas.blogspot.com/feeds/111348283479318874/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12157323&amp;postID=111348283479318874' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12157323/posts/default/111348283479318874'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12157323/posts/default/111348283479318874'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://idiossincrasiaspoeticas.blogspot.com/2005/04/teatro-outra-grande-paixo.html' title='Teatro, outra grande paixão!'/><author><name>Reciclagem</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11740487964330304087</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12157323.post-111348055154990045</id><published>2005-04-14T05:05:00.000-07:00</published><updated>2005-04-14T07:22:55.930-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;CURRICULUM VITAE&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nome:&lt;br /&gt;Meu pai queria Vilma, minha mãe o fez esperá-la para irem ao Cartório. Virei Edileuza, mas sou Edi. Só duas vogais singelas ladeando a consoante que pode significar: dúvidas, deuses, divindades, mas para mim, significa: dignidade. E o sou. Não aceito qualquer dúvida a respeito disso. O sobrenome é nordestinamente nacional, como a pinga do alambique ou o seco das caatingas: Bezerra de Lima.&lt;br /&gt;As leis civis, tornaram-me Longo, apesar de baixinha. E hoje sou Edi Longo, adotado e patenteado no Cartório de minha própria escolha. Acho que os pais deviam deixar os filhos crescerem para se autodenominarem, assim como para optarem pelo direito ao próprio credo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Local de Nascimento:&lt;br /&gt;Está lá no mapa. Monteiro, Paraíba. Uma pequena menina perdida no sertão, rodeada de cactos, caatinga e animais esqueléticos, mas tá no mapa.&lt;br /&gt;Fui conhecê-la há apenas dois anos e a amei de imediato. Senti pena por não poder trazê-la comigo. Achei-a tão pequena e desprotegida! Na cidade menina eu nasci. São Paulo foi a senhora madura que escolhi para crescer, educar-me, casar-me e criar os filhos, que me perdoe a modéstia, mas criei dois saudáveis cidadãos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Idade:&lt;br /&gt;Cinqüenta e dois anos, bem vividos, curtidos na adolescência num tonel de cuba libre, muita conversa jogada fora, muita Poesia, muita MPB e muita farra. Sempre fui notívaga. Gosto de ver o sol brincando de aquecedor. Depois, sair pelas ruas, comendo o pão dos vizinhos deixados pelo padeiro da esquina. Pra variar, seu Manoel. Curar a ressaca com o leite da garrafa. Tempo bom! Adulta, segurando a vida a tapa, brigando pelo direito de ter direitos. Também foi bom, pois que sobrevivi. Tive amores, alguns inconvenientes, outros excitantes, mas amei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escolaridade:&lt;br /&gt;O Ensino Médio fiz em diversos lugares, visto o meu pai ser um trabalhador fanático em hidrelétricas. Queria parir o mundo, com muita luz. Nordestino precocemente tirado de suas raízes como tantos outros.&lt;br /&gt;A faculdade foi a USP, já na Cidade Universitária. Minha turma foi uma das primeiras de Lingüística. Ah, se aquela Colméia dissesse o que nós dizíamos e que não podíamos dizer nas nossas reuniões proibidas pela Ditadura. Quantas leituras escondidas, quantas poesias tínhamos que jogar fora correndo de algum dedo-duro. Naquela época não tinha como “salvar” ou gravar em disquetes. Muita coisa boa foi jogada fora, inclusive as nossas crenças na igualdade de direitos, na igualdade entre os povos, na liberdade. Valeu.&lt;br /&gt;Tornamo-nos cidadãos. Aprendemos, a duras penas, a guerrear pela vida.&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Experiências profissionais:&lt;br /&gt;Para sobreviver só não matei, não roubei, nem me prostitui. Se bem que, às vezes, recebia cada salário chifrim que me sentia a perfeita prostituta. Usada por ser mulher para fazer trabalho de homem e receber menos.&lt;br /&gt;Cheguei ao cargo de Encarregada Geral de Departamento Pessoal de uma grande empresa Alemã, sendo responsável direta por quatrocentos homens e mulheres e quando descobri quanto o meu antecessor ganhava, quase enfartei: era o dobro. Mas eu precisava do trabalho e engoli, não antes de protestar e ficar visada pela Diretoria. Claro que esquentei a cadeira por pouco tempo. Fui considerada “persona non grata” rapidinho.&lt;br /&gt;Desisti de seguir a carreira Catedrática. Tinha compromissos sérios e o salário não era nada sério. Fiz bicos para complementar rendas desde que nasci, acho. Costumo pensar que a minha primeira dívida eu fiz com a parteira. O primeiro emprego foi de “Office girl” de um escritório de Advocacia com apenas doze anos de idade! Ainda hoje São Paulo é o maior mercado informal do mundo! Hoje existem leis que protegem os menores, mas eles ainda complementam rendas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Objetivos e pretensões salariais:&lt;br /&gt;Na atual conjuntura? Só trabalhar e já é demais. Ser uma cidadã empregada no momento é a maior loteria que uma brasileira pode querer.&lt;br /&gt;Ainda mais com a idade onde todos acham que já estamos prontas para vestir roupas de palhaços e brincar de existir.&lt;br /&gt;Sabem, além de minhas qualificações provindas da educação, a vida me habilitou em: lavar, passar, cozinhar, faxinar, dirigir, etc... e o mais importante é o etc...que significa que qualquer outra coisa será bem vinda, haja vista a experiência natural que a própria vida me deu. No presente caso, quero apenas divulgar a minha verdadeira paixão: o amor pelas palavras. Gosto de brincar com elas. E elas saem como poesias, contos, crônicas, peças teatrais.&lt;br /&gt;Faço qualquer coisa, mas, por favor, não me peçam para abdicar do meu direito de brigar por elas, sem me incomodar com os padrões e as convenções gramaticais, assim que julgar necessário. Não me peçam para não emitir meus pareceres quando julgar que devam ser dados, não me peçam, jamais, para não abusar do direito que tenho de trabalhar, de viver, de me integrar à sociedade.&lt;br /&gt;E ser livre, mesmo que isso aconteça ao raiar de um outro sol, sei lá, talvez sob as cores de um arco-íris. Dizem que existe um paraíso... mas mesmo lá lutarei por esse direito! Ser livre como um pássaro...como os sonhos e a imaginação! Deus me guarde e... aguarde!!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contatos e referências:&lt;br /&gt;Amigos, poucos, bem selecionados, mas são daqueles que o olhar fala e a boca se cala. Não sei fazer marketing pessoal, por isso meus escritos estavam guardados em várias gavetas, amarelados e corroídos por traças.&lt;br /&gt;Hoje, se você os estiver lendo, criei coragem e os poucos que encontrei, resolvi juntar e mostrar. Espero não ter ferido a sua sensibilidade nem ter sido demasiado supérflua. Se houver interesse, pergunte por uma sonhadora e a vida me identificará. Eu sou só isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Edi Longo,&lt;br /&gt;SBAT 030899&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12157323-111348055154990045?l=idiossincrasiaspoeticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://idiossincrasiaspoeticas.blogspot.com/feeds/111348055154990045/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12157323&amp;postID=111348055154990045' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12157323/posts/default/111348055154990045'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12157323/posts/default/111348055154990045'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://idiossincrasiaspoeticas.blogspot.com/2005/04/curriculum-vitae-nome-meu-pai-queria.html' title=''/><author><name>Reciclagem</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11740487964330304087</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12157323.post-111348020234654584</id><published>2005-04-14T05:02:00.000-07:00</published><updated>2005-04-14T05:03:22.346-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;strong&gt;COMPULSÃO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Desde menina&lt;br /&gt;Não entro em sala de jogo, senão...&lt;br /&gt;O vício domina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desde menina&lt;br /&gt;Nunca usei droga insocial, senão...&lt;br /&gt;A coisa fascina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desde menina&lt;br /&gt;Não entro em nenhuma briga, senão...&lt;br /&gt;Não saio de cima.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desde menina&lt;br /&gt;Não entro em parlamento, senão...&lt;br /&gt;Aponto a propina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desde menina&lt;br /&gt;Não falo mal de ninguém, senão...&lt;br /&gt;A língua assassina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desde menina&lt;br /&gt;Procuro não sentir dor, senão...&lt;br /&gt;Nem Shakespeare assina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desde menina:&lt;br /&gt;Trovejo ao invés de falar&lt;br /&gt;Levanto antes de cair&lt;br /&gt;Transgrido o que é real&lt;br /&gt;Em poesia traquina&lt;br /&gt;Que sai vadia e anormal&lt;br /&gt;Até mesmo sem sentir.&lt;br /&gt;Minha compulsão particular&lt;br /&gt;(a droga que me alucina!)&lt;br /&gt; é beber, jogar, cheirar,&lt;br /&gt;cada palavra que anima&lt;br /&gt;minh’alma tão pequenina&lt;br /&gt;                 e&lt;br /&gt;tudo de ruim elimina!&lt;br /&gt;Sou assim...&lt;br /&gt;Desde menina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Edi Longo&lt;br /&gt;SBAT 030899&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12157323-111348020234654584?l=idiossincrasiaspoeticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://idiossincrasiaspoeticas.blogspot.com/feeds/111348020234654584/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12157323&amp;postID=111348020234654584' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12157323/posts/default/111348020234654584'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12157323/posts/default/111348020234654584'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://idiossincrasiaspoeticas.blogspot.com/2005/04/compulso-desde-menina-no-entro-em-sala.html' title=''/><author><name>Reciclagem</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11740487964330304087</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12157323.post-111343374392321759</id><published>2005-04-13T16:06:00.000-07:00</published><updated>2005-04-13T16:09:03.923-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;strong&gt; OLHO ATENTO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; O Tempo mandou um recado ao Infinito&lt;br /&gt;escondeu-o do Vento para que não o espalhasse&lt;br /&gt;mas no caminho havia uma onda&lt;br /&gt;que o captou e transmitiu para todos os lugares do Planeta&lt;br /&gt;o Tempo revoltado por ver seu íntimo devassado&lt;br /&gt;engoliu tanto o Vento que ria de seu pudor&lt;br /&gt;que ao perder o fôlego&lt;br /&gt;a sua fúria se soltou&lt;br /&gt;em forma de ciclone&lt;br /&gt;uma tempestade&lt;br /&gt;tsunâmica&lt;br /&gt;varreu o Universo&lt;br /&gt;e perdeu-se todo o prazer&lt;br /&gt;da intimidade.&lt;br /&gt;Estava criada&lt;br /&gt;a devassável&lt;br /&gt;Internet&lt;br /&gt;ninguém mais tem segredos&lt;br /&gt;temos um olho&lt;br /&gt;sempre atento nos observando&lt;br /&gt;e absorvendo&lt;br /&gt;nos observando...&lt;br /&gt;nos absorven...&lt;br /&gt;nos obser...&lt;br /&gt;nos ab...&lt;br /&gt;nos...&lt;br /&gt;...Nós:&lt;br /&gt;atados com nós.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Edi Longo&lt;br /&gt;SBAT 030877&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12157323-111343374392321759?l=idiossincrasiaspoeticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://idiossincrasiaspoeticas.blogspot.com/feeds/111343374392321759/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12157323&amp;postID=111343374392321759' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12157323/posts/default/111343374392321759'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12157323/posts/default/111343374392321759'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://idiossincrasiaspoeticas.blogspot.com/2005/04/olho-atento-o-tempo-mandou-um-recado.html' title=''/><author><name>Reciclagem</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11740487964330304087</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12157323.post-111343057903744009</id><published>2005-04-13T15:07:00.000-07:00</published><updated>2005-04-15T09:45:47.313-07:00</updated><title type='text'>Por que um blog?</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Não apenas por vaidade, em absoluto. Porque gosto de escrever e me saber, de alguma forma, em comunhão com os amigos que também gostam. É uma forma a mais de me fazer ouvir nesse mundo de surdos. As únicas coisas que ouvimos são as catastróficas notícias de nossos telejornais. Nos jornais, a mesma coisa. Mas, dir-me-ão os mais afoitos: ora, não ouça telejornal, não compre jornal, não...não viva? Até distraidamente ao passarmos por um banca de jornal, as horripilantes notícias estão nos agredindo, fora isso, só bunda de dondocas. Diariamente, só há miséria, desgraça, tornando nossa rotina cada vez mais árida, mais rude, mais seca. Por que não se noticia só coisas boas? Será que na dialética do bem e do mal, o bem foi apagado? Desculpem, foi só um desabafo. Não quero também me tornar uma onda tsunâmica que envolva seu ego já tão lotado de indigências. Bem vindos!&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12157323-111343057903744009?l=idiossincrasiaspoeticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://idiossincrasiaspoeticas.blogspot.com/feeds/111343057903744009/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12157323&amp;postID=111343057903744009' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12157323/posts/default/111343057903744009'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12157323/posts/default/111343057903744009'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://idiossincrasiaspoeticas.blogspot.com/2005/04/por-que-um-blog.html' title='Por que um blog?'/><author><name>Reciclagem</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11740487964330304087</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12157323.post-111342959731183442</id><published>2005-04-13T14:51:00.000-07:00</published><updated>2005-04-13T15:03:59.953-07:00</updated><title type='text'>Catarse</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Ainda se fazia dia, quando o telefone tocou. Bernardo atendeu de má vontade, pois estava no meio de um amontoado de papéis, incluindo uma proposta que não conseguia terminar.&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;Alô? Vilma, pelo amor de Deus, estou no meio de uma...me liga daqui há pouco, por favor. Não posso interromper...&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;Nunca mandei você para a puta que o pariu, mas se desligar esse telefone ou não interromper o que está fazendo, hoje você vai com todas as honras, entendeu? E apenas me escute. Se disser uma sílaba, desligo esse telefone e vou até aí. Isso, quieto! Pelo menos uma vez na porra da sua vida, escute-me. Isso é uma despedida e é pra sempre. Ida sem volta.&lt;br /&gt;Cansei de tudo: cansei de você sempre me olhando por cima do jornal, nunca nos olhos, como se eu fosse um móvel apenas na sala. Cansei dos nossos filhos sempre me sugando; como seu eu fosse obrigada; depois de tanto trabalhar para ajudar você a sustentá-los, ainda estar com disposição para ajudar nas lições de casa, sem dar a mínima para o fato de já estar defasada dos tempos colegiais e ainda me cobrarem: não é assim, mãe, você não sabe de nada! Depois crescem, vivem as próprias vidas e nos esquecem pelos cantos, ou quando não, jogam-nos em asilos, que para acalmarem o remorso, costumam chamar de “Clínicas de Repouso”.&lt;br /&gt;Chega. Cansei de ser a administradora do lar que você acha sempre que está tudo fora de lugar, mas joga suas coisas quando chega em qualquer lugar, como se fosse um lugar qualquer e não o lugar que o recolhe e protege. Cansei de ser a motorista que você sempre acha que vai bater na próxima curva, mas que vai buscá-lo nos aeroportos. Cansei de ser a enfermeira que você sempre acha que está dando o remédio errado e que a hora não é exatamente aquela: imagine, faltam cinco segundos! Cansei de ser a sua muleta, quando algum problema emocional o ataca, ampara-se muito à vontade; mas quando preciso de ouvidos: os seus, ora não são penicos!&lt;br /&gt;Quando uma pequenina gripe o surpreende, joga-se na cama, mete-se num pijama e pede para ligar ao escritório, inventando mil desculpas; enquanto as minhas cólicas: ora, são dores de mulher, você anda muito preguiçosa, Vilma, vamos, vá trabalhar! E quando eu estava parindo os seus filhos, você mal me olhava e ia lamber as suas crias. Até enquanto não chorassem, claro!&lt;br /&gt;E como reclamava da quarentena: nossa, vamos ficar todo esse tempo sem... como se fosse um garanhão! Imagine, então, se eu iria me atrever a ter a tal da depressão pós-parto? Eu, heim! Imagine se eu ousaria reclamar dos peitos rachados e doloridos ou dos pontos vaginais? Tinha que levantar no meio da madrugada, arrastando-me até o berço e chorando junto com o bebê. Mesmo se eu o chamasse não adiantaria, o seu ronco encobria o nosso choro. Aquilo era frescura, coisa de mulher moderna, como me disse várias vezes.&lt;br /&gt;No tempo de minha mãe; as mulheres pariam em casa e eram de aço; um dia depois já estavam no tanque lavando a própria roupa, sem precisar de vizinhos e nós temos que agüentar a porra da sua mãe por uma semana?&lt;br /&gt;Ah, cuidado, Vilma, senão vai ficar fora de forma. Faça ginástica urgente para voltar ao corpo antigo, sim? Como se o meu corpo fosse propriedade sua, legalizada naquele papel passado daquele maldito Cartório. Cansei de esperar a sua aprovação, depois de horas no cabeleireiro e, depois seguir o seu olhar de admiração para outra, aliás, cansei de comprar uma linda roupa e você nem perceber.&lt;br /&gt;Cansei de ser a dondoca e estar sempre linda nas reuniões enfadonhas com aqueles filhos das putas dos seus amiguinhos do escritório; quando na verdade, adoraria estar assistindo um lindo filme com um velho pijama de florzinhas, na companhia apenas de uma cervejinha gelada e um sacão de pipocas. Talvez, namorássemos um pouco, como nos velhos tempos, quem sabe. Dar uma transada no quarto da empregada, sei lá, uma aventura besta, mas uma quebrada da rotina.&lt;br /&gt;Ao invés do lindo filme até um filminho de sacanagem para esquentar o ambiente. Mas não, você é convencional. Depois da famosa promessa no altar, adeus motéis, quando não saíamos deles quando solteiros! Hipócrita!&lt;br /&gt;Cansei de sua mãe sempre me corrigindo e se considerando a melhor cozinheira do mundo. Aliás, dê-lhe um recado: adoro ter uma cozinheira particular. Por isso, fiz questão de nunca aprender a fazer aqueles bolinhos ridículos de bacalhau que você tanto gosta, seu trouxa. E quer saber? Aquela comida maravilhosa que eu levava para a praia, era tudo encomendado. Idiota! E como todo idiota que não gosta de comida congelada, você se lambuzava todo, e algumas vezes, chegava até a me elogiar para os panacas que iam se empanturrar e deixavam aquele montão de louças sujas. Se queria uma cozinheira, por que não se casou com a sua mãe?&lt;br /&gt;Quer saber de outra? Lembra aquela conta do eletricista que você achou enorme? Pois fui em quem consertou, porque você morre de medo de não ligar os fiozinhos nos lugares certos e levar um choque, para depois levá-lo diante da conta. Ah, o armário da Nina também não foi o marceneiro quem consertou, não, fui eusinha, sacou? Adorava cobrar só pra te sacanear, já fazia tanto serviço de graça, pô! E depois ia feliz da vida comprar qualquer coisa, nem que fosse um alfinete, mas que agradasse a mim, só a mim. Só consegue fazer a mesma coisa, sempre. Nem curiosidade tem diante de algo que não conhece.&lt;br /&gt;Quer saber de mais uma? Nas minhas rodas de amigas, um dia me perguntaram se eu tinha um cachorro. Como?!? Todo mundo tem que ter, ainda mais quem tem criança, apesar do trabalho. Pois eu disse que tinha sim e que não dava o mínimo trabalho: um bravíssimo São Bernardo que além de defender a casa; protegia e brincava com as crianças; ia sozinho ao banheiro, saía todo dia de manhã para trabalhar e ainda trazia um salário no fim do mês, gostou?&lt;br /&gt;Não, não estou de fogo. Quieto, apenas escute. O quê que eu tenho?&lt;br /&gt;Ora, vontade de vomitar o osso da galinha choca que acha que eu sou e que está encalacrado na minha garganta, seu pulha. Ah, está ocupado? Coitadinho! Louca eu? Se desligar, vou dizer tudo isso aí no seu escritório, mais que pessoalmente, estou avisando!!! E, aproveito pra contar pra todo mundo que esse tarado que senta perto de você e que você chama, amavelmente, de Chefe me deu a maior cantada.&lt;br /&gt;Cansei de ver seu pai sempre me espreitando da janela para checar o horário que eu chego do trabalho, com aquela cara de cachorro chinês, em cima de um pilar. Nossa, Vilma, o ônibus das crianças já chegou há um tempão! Será que ele pensa que sou uma daquelas personagens do “Jornada nas Estrelas” que se materializa em outro lugar e que ele tanto adora? Que merda é essa?&lt;br /&gt;Tenho a vida fiscalizada; analisada, espezinhada e além de tudo: chegar; providenciar o jantar; pontualmente, para que, na hora que você chegar (depois de sua ginástica, claro!), olhar com a cara de pouco caso e dizer: só isso? E gostaria de saber qual a força cósmica que o impede sempre de tampar a privada; fechar as gavetas e armários; não guardar os jornais lidos; não respingar pasta de dentes no espelho e deixar as toalhas molhadas sempre em cima da cama!&lt;br /&gt;Aliás, cansei de você nunca respeitar os meus compromissos e achar que só quem os tem é você e, claro, tenho que os cumprir juntos, apenas para mostrar que somos o casal perfeito. Cansei desse lado da máscara de teatro: só a que ri, a que chora nunca.&lt;br /&gt;Cansei de não ser respeitada nas minhas vontades. Quantas trepadas eu não simulei orgasmo, e você se achando o máximo. Nossa, sou bom pra cacete! Dorme nesse barulho, meu filho, por isso é que a Liz não aceitou a sua cantada, seu cretino. Ela sabia a merda que você é na cama, pois disse isso alto e bom som pra todas as minhas amigas. A velha história de “a propaganda é a alma do negócio”, manja? Só me faltava ser chamada de cornuda!&lt;br /&gt;Aliás, acho que eu deveria apelar para a Lei do Consumidor por ter sido enganada e ter comprado gato por lebre. Ao invés de uma bela Brastemp, você não passa de um tanquinho meia boca. Sinto-me a tampa de uma panela torta que nunca se encaixa ou o pé com joanete que não se conforma nem num sapato usado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah, e as viagens? Sempre íamos onde o mapa-mamãe indicava. Claro que adorei Veneza, claro que adorei a Grécia, mas puta que pariu, ela tinha que ir junto? Só faltava ficar no mesmo quarto, por medida de economia. A única a que não foi...foi na lua-de-mel, mas mesmo assim, tivemos que ir aonde ela e seu pai foram. Era como se os dois estivessem conosco na cama. Que droga!&lt;br /&gt;Vou embora agora com a alma expurgada, mas não esqueça de pagar as contas em dia, viu? Não esqueça de tomar o remédio para a sinusite e muito menos esqueça o remédio do Júnior: são vinte gotas todas as noites, entendeu? Aproveite pra anotar tudinho aí na droga de proposta que está fazendo e que não podia interromper. Aproveite essas dicas e essas propostas, não cobro nadinha.&lt;br /&gt;Bernardo, você não está me levando a sério?&lt;br /&gt;Ah, os ternos deverão ser pegos na lavanderia na próxima quinta. Já estão pagos. O recibo está no espelho do banheiro. A despensa está cheia, dá para uns dois meses, mas não deixe de comprar algumas coisas de geladeira e frutas, semanalmente. O Supermercado da esquina recebe verduras, frutas e legumes fresquinhos todas as terças, mas tem que chegar bem cedo, senão acaba e olhe que é o melhor preço da praça. O Junior não gosta de cenoura, mas compre, pois a Nina adora. A Nina não suporta abacaxi, mas o Junior não fica sem. Ambos detestam abacate por causa do filme “O exorcista”, que você como sempre esqueceu de guardar, mas não esqueça nunca do melão que ambos adoram e que deve ser escolhido sempre se apertando a bundinha; se afundar, está maduro. Como a maioria das crianças, nem pensar em: jiló, chuchu e quiabo. Não esqueça de dizer para a empregada colocar beterraba no feijão, pois ambos não gostam, mas precisam da vitamina.&lt;br /&gt;Pare de me interromper, seu estúpido! Louca eu fui quando me deixei sufocar assim. Aproveite a oportunidade e escreva, vamos! Sou a sua secretária mais que particular! Já antecipei para a empregada três meses de salário, anotou? E do meu dinheiro! Senão, desligado como é vai pagar novamente e sabida como ela é receberá duplamente. Mas não a maltrate, senão faz bico e bate panelas, mas é de confiança e conhece as crianças desde que nasceram.&lt;br /&gt;A Nina tem consulta ao dentista na próxima semana e o Junior na semana seguinte para mais uma aplicação de flúor e não esqueça que ambos devem apertar os aparelhos uma vez por mês. O quê?!? Como, Bernardo, o Junior parou de usar as botas ortopédicas há dois anos! Ah, eu não te avisei. As reuniões de Pais e Mestres só acontecem nos finais de semestre, mas não deixe de pedir o boletim para assinar, todos os bimestres. Claro que, dependendo das notas, elas nunca se lembram de entregar.&lt;br /&gt;Dona Vanda tem cardiologista no dia quinze e o seu pai não pode deixar de fazer a visita ao geriatra. Já tentei levá-lo, mas ele acha que não precisa. Insista, por favor. Não esqueça de dizer ao médico que ele é alérgico à dipirona. Lembra aquela vez lá na praia? Quase morreu. Nossa, já ia me esquecendo: nem por sonho deixe a Nina comer chocolate, mesmo que berre, senão a alergia ...Você não sabia? Ah, sim, claro.&lt;br /&gt;Não deixe de mandar flores no aniversário da Liz, no próximo sábado, apesar do que eu disse a ela, sei lá...De repente, rola alguma coisa, não é?&lt;br /&gt;Não, Bernardo, não estou brincando. As crianças gostam muito da tia Liz.&lt;br /&gt;Ai, acho que não esqueci de mais nada.&lt;br /&gt;Ah, o seu carro precisa trocar uma tal de cebolinha, mandei o mecânico para a puta que o pariu, mas ele reafirmou o diagnóstico e como não estou com saco para pensar em cebolas fora da cozinha, vá você mesmo resolver o problema.&lt;br /&gt;Escreva aí, na sua executiva proposta idiota: se um dia nos encontrarmos; nem ouse me fazer outra proposta que não seja a de amante, pois suas cuecas borradas, meu bem, estão todas na calçada da rua feito bandeirinhas sujas de uma partida de futebol que acabou no zero a zero.&lt;br /&gt;As demais coisas... Chega, agora estou cansada tanto quanto a minha orelha. Aliás, estou exausta. Cansei de falar ao vento. Cansei de falar aos cantos. Cansei de falar sozinha. Cansei de me cansar. Hoje quero um dia cheio de horas coloridas só prá mim. Sem agenda, sem cobranças. E só quero me fartar até ficar exaurida de mim mesma. Cansei...Adeus!!!&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;Vilma, o que foi isso? Alô, alô, alô! Filha da puta, desligou na minha cara, mas quando eu chegar em casa ela vai ver, ora se vai.&lt;br /&gt;São Bernardo, é? Cadela!!!&lt;br /&gt;E vai embora com quem? Mas qual será o vagabundo que ousou ser melhor do que eu? Frouxo? Eu?!?&lt;br /&gt;Largando as crianças?!? Nossa, minha mãe já com aquela idade!&lt;br /&gt;Bem que me diziam que casamento era coisa para otário.&lt;br /&gt;E mulher um bicho complicado. Companheira do homem...Costela de Adão, tá bom. Meeerdaaa!!!&lt;br /&gt;Numa coisa ela tem razão: sou um cretino. Aqui, com esta merda de gravata me sufocando e me matando para sustentar essa...essa...essa...&lt;br /&gt;Meu Deus, a Vilma vai embora?!?&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;Alô, Nina? Nina? Que gritaria é essa? Nina, chame a ...&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;Pai, venha correndo, a mamãe beijou a gente e acabou de se jogar pela janela.&lt;br /&gt;Pai? Pai? O que foi, ficou mudo?&lt;br /&gt;O quê?!?&lt;br /&gt;Não, claro que não, você também se esqueceu que estamos na casa da praia?&lt;br /&gt;Só quebrou uma costela e se arranhou nos espinhos da roseira, coitada! &lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12157323-111342959731183442?l=idiossincrasiaspoeticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://idiossincrasiaspoeticas.blogspot.com/feeds/111342959731183442/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12157323&amp;postID=111342959731183442' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12157323/posts/default/111342959731183442'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12157323/posts/default/111342959731183442'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://idiossincrasiaspoeticas.blogspot.com/2005/04/catarse.html' title='Catarse'/><author><name>Reciclagem</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11740487964330304087</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12157323.post-111342869305097406</id><published>2005-04-13T14:43:00.000-07:00</published><updated>2005-04-13T14:50:11.226-07:00</updated><title type='text'>Apresentação...como sou</title><content type='html'>&lt;strong&gt;DOCE VIDA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Doce vida&lt;br /&gt;doce vinda.&lt;br /&gt;Catei a poeira do tempo&lt;br /&gt;e areei minha vidraça&lt;br /&gt;queria de graça&lt;br /&gt;e sem qualquer trapaça&lt;br /&gt;ver a vida&lt;br /&gt;doce vida&lt;br /&gt;doce vinda.&lt;br /&gt;Limpei com rigor&lt;br /&gt;minha privada entupida&lt;br /&gt;coisas boas&lt;br /&gt;coisas ruins&lt;br /&gt;coisas sem coisas quaisquer&lt;br /&gt;que arrecadei pela vida&lt;br /&gt;doce vida&lt;br /&gt;doce vinda.&lt;br /&gt;Cumpri prazos&lt;br /&gt;dei recibos&lt;br /&gt;contei casos&lt;br /&gt;ri sorrisos&lt;br /&gt;pela vida&lt;br /&gt;doce vida&lt;br /&gt;doce vinda.&lt;br /&gt;Que importa o que sou?&lt;br /&gt;Que importa o que vi?&lt;br /&gt;Que importa pr’onde vou?&lt;br /&gt;Que importa d’onde vim?&lt;br /&gt;Só me importa essa vida&lt;br /&gt;doce vida&lt;br /&gt;doce vinda.&lt;br /&gt;Catada pelo cabelo&lt;br /&gt;cheia dela me senti&lt;br /&gt;sem canga e sem cutelo&lt;br /&gt;só a marca do que é belo&lt;br /&gt;a ela sobrevivi&lt;br /&gt;só dela sempre bebi&lt;br /&gt;só dela bebo ainda&lt;br /&gt;doce vida&lt;br /&gt;doce vinda.&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12157323-111342869305097406?l=idiossincrasiaspoeticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://idiossincrasiaspoeticas.blogspot.com/feeds/111342869305097406/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12157323&amp;postID=111342869305097406' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12157323/posts/default/111342869305097406'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12157323/posts/default/111342869305097406'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://idiossincrasiaspoeticas.blogspot.com/2005/04/apresentaocomo-sou.html' title='Apresentação...como sou'/><author><name>Reciclagem</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11740487964330304087</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
